O gás que faltava: o que esperar de Hélio dos Anjos no Náutico

Por: Mateus Schuler

O Náutico precisava de novo gás no comando para voar na Série B e parece ter encontrado: Hélio dos Anjos. A derrota frente ao Sampaio Corrêa foi, de fato, o último ato de Gilson Kleina, que acabou sendo demitido e substituído por Hélio. O novo comandante já é conhecido do Timbu, pois chega para sua terceira passagem; antes, comandou em 1993, sem sucesso, e em 2006, quando conquistou o acesso à Série A.

Nesta análise, o Pernambutático busca dissecar os trabalhos mais recentes e contar um pouco da história do técnico. Tudo sobre as táticas utilizadas, quais os clubes onde passou, como ataca, como defende e como pode montar os alvirrubros para a continuidade da Série B.

Quem é Hélio dos Anjos?

Treinador desde 1985, quando iniciou a carreira no Joinville, o ex-goleiro é um dos mais experientes no futebol brasileiro ainda em atividade. Seu nome está marcado na história do Goiás, sendo o comandante por seis oportunidades e mais de 300 jogos, além de ascensões à elite e, na última vez, evitou a queda à Série C.

Deixou o Esmeraldino no início da Segundona de 2018 e passou um ano sem trabalhar, retornando em 2019 para comandar o Paysandu, último time antes do Timbu. Por ironia do destino, se encontraram na partida que recolocou os pernambucanos na atual divisão; na ocasião, Hélio criticou a arbitragem de Leandro Vuaden, alegando um possível benefício à comissão técnica da sua – agora – equipe.

Goiás 2009

Em 2009, sob o comando dos goianos, terminou a Série A na 9ª posição, com 55 pontos, garantindo a vaga na Copa Sul-Americana. Em um 3-6-1 ousado e inteligente, que variava entre 3-5-2 e 3-4-2-1, conseguiu ter encaixe tanto na marcação, como no ataque. Iarley ajudava na criação de jogadas, com o – falecido – Fernandão e Felipe, ex-Náutico, à frente; às vezes, o ex-atacante do Internacional recuava e o ex-Timbu era a peça da referência.

Disposição tática dos goianos em 2009 (Feito no Tactical Pad)

Quando Felipe foi ausência, Hélio optou por promover a entrada de Léo Lima, ganhando no meio-campo e sem perder a característica proposta para a equipe. Os alas, Vítor e Júlio César, eram armas do time, sendo destaques na Sul-Americana, quando o Esmeraldino terminou como vice-campeão e boa parte da base foi usada com o comandante.

Goiás 2017-18

Como Hélio montou o time em 2017/2018 (Feito no Tactical Pad)

Oito anos depois, voltou ao Verdão para tentar salvar do rebaixamento à C e obteve êxito. Foram 14 duelos disputados, com cinco vitórias, cinco empates e quatro derrotas, o suficiente para evitar o descenso. Em 2018, porém, não teve a mesma constância, mesmo sendo campeão do Estadual, e acabou saindo no início da Série B.

Alviverdes cederam espaços na marcação individual no 4-2-3-1 (Imagem: SporTV)

Taticamente, a equipe tinha alternâncias defensivas, contudo as peças não mostraram solidez e fragilidades eram expostas frequentemente. Na partida que culminou na sua saída do comando, em clássico diante do Vila Nova, os goianos variaram entre o 4-2-3-1 e o 4-1-4-1 ao se fecharem, mas cedendo espaços na entrelinha e na marcação individual.

No 4-1-4-1, Esmeraldino deu espaços entrelinhas para infiltrações do rival (Imagem: SporTV)

A tática-base mais usada ofensivamente foi o 4-2-1-3, com os pontas indo à linha de fundo e ficando mais próximos do centroavante. O armador, por sua vez, ficou mais isolado, tendo responsabilidade de fazer a ligação do meio ao ataque, ficando distante para ajudar seus companheiros de setor ofensivo.

Laterais chegavam para ajudar no ataque na ausência do armador (Imagem: SporTV)

Com essa base praticamente padronizada, cabia ao articulador ajudar mais o centroavante na transição defensiva, enquanto os jogadores das beiradas ficavam na faixa central. Assim, aconteceu de Hélio fechar o time no 4-4-2, o que Gilson Kleina chegou a implementar no Timbu, porém sem muito êxito.

Linhas defensivas do Goiás eram espaçadas e, por vezes, desordenadas (Imagem: Premiere)

Paysandu 2019-20

Formação do Papão em 2019 (Feito no Tactical Pad)

No Paysandu, chegou durante a Série C e terminou invicto, mas sem alcançar o principal objetivo: o acesso à Série B. Apresentando variações semelhantes ao Goiás, o Papão teve mais problemas ao construir e, principalmente, com a conclusão de jogadas; por vezes, apostou em um 4-2-4 com os laterais caindo como pontas e os meio-campistas agudos na armação.

Papão tentou ser mais ofensivo na ida das quartas de 2019 (Imagem: DAZN)

Defensivamente, a equipe de Hélio dos Anjos se postava no 4-2-3-1, porém as faixas centrais eram distantes e ajudavam os adversários a povoarem o setor. Na ida das quartas de 2019, frente ao Náutico, buscou se fechar com essa postura para tentar anular o ataque alvirrubro e até obteve sucesso, no entanto não foi eficaz nos contra-ataques.

Bicolor se fechou no 4-2-3-1 para anular poder ofensivo dos pernambucanos (Imagem: DAZN)

Em 2020, deixou o Bicolor de maneira conturbada, acumulando duas vitórias, um empate e três derrotas em seis compromissos pela Série C. O único jogo que não ganhou, mas também não perdeu, foi na estreia diante do Santa Cruz; na oportunidade, usou o mesmo 4-2-3-1 de outrora, só que dessa vez ao atacar e sem utilizar os laterais.

Hélio tentou o 4-2-3-1 ao atacar, com Nicolas isolado na referência, mas não teve sucesso (Imagem: DAZN)

Já contra o Treze, em um dos triunfos, optou por uma postura mais cautelosa e viu a alternativa vingar. No 4-3-2-1, que Kleina chegou a implementar, teve mais proteção nas jogadas de velocidade dos paraibanos e fechou melhor a defesa, além de contra-atacar com mais dinâmica e confundir o adversário na transição ofensiva.

Papão não conseguiu mostrar regularidade com Hélio na Série C (Imagem: DAZN)

Náutico 2020

Ciente da necessidade de corrigir erros em todos os setores, Hélio pode já promover mudança no gol. Apesar de Halls ter começado os últimos dois jogos, Jefferson foi seu algoz na temporada passada e esse conhecimento é um ponto positivo ao goleiro alvirrubro.

Nas laterais, Bryan deve ser mantido pela direita, pois Hereda vem sendo alvo de críticas e Yago Rocha sofreu lesão no ombro, sendo desfalque até o final da Segundona; na esquerda, Wilian Simões tem mostrado mais regularidade que Kevyn, mesmo criticado. Na zaga, Camutanga e Ronaldo Alves deverão seguir juntos, mas Rafael Ribeiro e Carlão correm por fora para atuar junto a Ronaldo.

No meio-campo, a única certeza espera-se que seja a permanência de Rhaldney na cabeça de área. Um dos destaques do Timbu na competição, o prata da casa ainda não tem companheiro definido, já que Jhonnatan – que vinha bem – perdeu vaga para Bustamante estrear; o boliviano até rendeu bem, entretanto o antigo titular deve retornar.

Possível time do Náutico com Hélio (Feito no Tactical Pad)

Na armação, Jean Carlos é um velho conhecido do comandante, uma vez que trabalharam juntos no Goiás, em 2017. Jorge Henrique, Dudu e Ruy ficam na disputa pela outra vaga, cabendo a este último marcar o gol de honra na partida contra o Sampaio Corrêa; Jorge é quem vinha atuando no setor, mas não tem presença confirmada.

O ataque, curiosamente, é o único a não sofrer alterações em relação aos 11 do último duelo. Kieza, que vinha sendo cobrado por não balançar as redes ao longo do ano, vem se consolidando entre os iniciais por marcar os gols; já Vinícius, contratado por indicação do último técnico, chegou há menos tempo, todavia tem atuações regulares.

Referências:

Quem é Hélio dos Anjos? Análise do novo treinador do Paysandu: https://torotatico.blogspot.com/2019/05/quem-e-helio-dos-anjos-analise-sobre-o.html


Oito sobreviventes e um mesmo sonho: o acesso à Série B: https://mwfutebol.com.br/2019/08/31/oito-sobreviventes-e-um-mesmo-sonho-o-acesso-a-serie-b-previa-mata-mata-serie-c

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