Os obstáculos rumo ao acesso: análise do Grupo do Santa Cruz na Série C

Por: Felipe Holanda

Chega a hora da decisão para o Santa Cruz na Série C do Campeonato Brasileiro. Líder absoluto da primeira fase, o Tricolor entra com pompa de favorito no quadrangular final, mas precisa confirmar a boa cotação dentro de campo para conseguir o acesso à Segundona, já que não vence há três jogos.

Sinalizando alguns caminhos para o time de Marcelo Martelotte, separamos para a torcida do Mais Querido tudo sobre os três próximos adversários, com prováveis formações táticas, informações exclusivas dos setoristas de cada rival, jogadores para ficar de olho e muito mais.

BRUSQUE

O primeiro dos obstáculos da Cobra Coral vem em péssima fase. Há sete jogos sem vitória, com direito a um trucidante 8×1 sofrido para o Volta Redonda dentro de casa, por pouco não foi eliminado, aparecendo com a pior defesa dos que avançaram ao quadrangular, empatado com o Ypiranga-RS, com 26 gols sofridos, e saldo negativo de três; a classificação só aconteceu graças a boa atuação do Quadricolor nas primeiras rodadas, quando alcançou a liderança geral.

Taticamente, a equipe do técnico Jerson Testoni costuma se postar no 4-4-2 tradicional, em bloco médio, marcando por encaixes. O esquema, com a posse, vira um 4-2-3-1, tendo um tridente de meias preenchendo espaços no terço final do campo.

Formação base do Brusque (Feito no Tactical Pad)

“O time está com um problema geral. Por pouco não foi eliminado. Uma série de falhas. Um esquema tático engessado, o 4-2-1-3, com o segundo volante, o Zé Mateus, como uma espécie de meia, tendo o Thiago Alagoano, craque do time, e três atacantes”

Rodrigo Santos, da TV Brusque

COMO ATACA

Na construção ofensiva, os catarinenses utilizam um 4-2-3-1, povoando o meio de campo em prol de dificultar a marcação rival e abrir possíveis brechas; pelos lados, os laterais dão muita amplitude no momento da posse.

Postura diante do Boa Esporte (Imagem: DAZN)

Pela queda brusca de rendimento nos últimos jogos, vêm explorando muito os contra-ataques, nos quais costumam criar a maioria das chances de perigo. O time tende a atuar sem um centroavante de ofício, com meias e extremos mais adiantados.

Sem a referência lá na frente, a aposta é abusar de triangulações no terço final do campo, prendendo a atenção adverrsária, com Índio, o camisa 9, voltando para buscar a bola e dar mobilidade ofensiva.

Trângulo do Brusque em busca do gol (Imagem: DAZN)

COMO DEFENDE

Quando atacado, o Quadricolor preza por uma linha inicial de quatro homens, geralmente com um dos cabeças de área mais à frente, formando um 4-1-2-3, ou simplesmente 4-1-4-1. Parece bem postado, mas comete falhas de posicionamento e deixa espaços.

Time catarinense em posicionamento defensivo (Imagem: DAZN)

Outro ponto fraco é a recomposição lenta na transição defensiva. Costuma marcar por zona, entretanto, apresenta erros nos encaixes, que acabam ocasionando chances de gols dos rivais.

VILA NOVA

O adversário seguinte do Santa é osso duro de roer. Tem um dos melhores elencos da competição, bastante seguro na defesa sob o comando de Fabian Guedes, o famigerado Bolivar. O ex-zagueiro utiliza uma equipe reativa e compactada.

Dono da defesa menos vazada não por acaso, o Vila costuma marcar muito bem, sempre postado corretamente nas linhas iniciais, tendo o 4-4-2 com formação base, em bloco médio/alto, e muita movimentação do meio para frente.

Formação base dos goianos (Feito no Tactical Pad)

“Eu acredito que é um grupo bastante complicado, porque o Santa é o melhor time da competição, com os números dizendo isso. Também acho os times do interior de São Paulo sempre complicados, por isso o Vila não vai ter vida fácil”

Paulo Massad, da Rádio Sagres

COMO ATACA

No ataque, o Tigre tem as garras afiadas. Precisa de poucos passes para chegar na linha de arremate, geralmente posicionado no 4-2-3-1, atacando em bloco; à medida que o time sobe, desce, no conceito de Bolivar.

Na tentativa de empurrar o rival contra as cordas, abusa da amplitude quando tem a bola nos pés, abrindo brechas na defesa oponente e dando espaços para os volantes e meias finalizarem em gol.

Disposição agressiva do Vila (Imagem: DAZN)

COMO DEFENDE

Na defesa, a tendência é utilizar o mesmo 4-2-3-1, protegendo bem o “funil”, o que muitas vezes força um chute de longe do adversário, facilitando a intervenção do goleiro na maioria das ocasiões.

Compactação defensiva do Vila (Imagem: DAZN)

Bolivar também utiliza uma linha inicial de cinco em situações de emergência. Bem fechado, já mostrou que sofre pouco gols, apenas onze em todo o campeonato, e é um dos mais cotados para o acesso.

ITUANO

Destoando dos demais, o Galo de Itu começou mal no campeonato e só se classificou graças a um segundo turno quase perfeito. Saiu da luta contra a queda ao G-4, somando 19 pontos de 27 possíveis. Chega ao quadrangular – literalmente – embalado.

Na prancheta de Vinicius Bergantin, a principal alternativa é o 4-2-2-2, que se torna móvel porque o time acaba cobrindo brechas atrás e tem uma saída rápida, com os quatro homens do meio influenciando diretamente na troca de passes.

Formação base do Ituano (Feito no Tactical Pad)

“Taticamente, o Vinícius (Bergantin) conseguiu ajustar o time, que iniciou mal a temporada, evoluindo depois da pandemia. Alguns jogadores saíram e ele foi obrigado a mexer, deixando a equipe mais leve e jovem. O sistema defensivo vem melhorando, mas acredito que Santa Cruz e Vila Nova, pelas torcidas que têm, são os favoritos”

Renato Alves, da Cidade Itu

COMO ATACA

Nos últimos nove jogos pela Série C, a equipe fez 16 gols e tem o ataque como ponto forte. Utiliza três homens mais avançados lá na frente, à espreita para se criar nos espaços deixados pelos laterais adversários.

Todos os jogadores costumam participar da construção ofensiva, que passa muito pelo meio campo, com Fillipe Soutto, ex-Náutico, sendo o homem que dá progressão à posse paulista em momentos cruciais.

COMO DEFENDE

Sem a bola, o Galo se compacta bem, priorizando a marcação posicional, explorando na maioria das vezes duas linhas de quatro, posto no 4-4-1-1 variável para o 4-4-2 clássico. Por outro lado, pressiona a posse em bloco médio/baixo, favorecendo infiltrações do adversário.

Ituano na defesa (Imagem: DAZN)

FIQUE DE OLHO

Thiago Alagoano (Brusque) – Meia ofensivo insinuante, o camisa 10 é o grande destaque dos catarinenses, autor de 19 gols na temporada, sendo o artilheiro do time também na Série C, com sete. Thiago costuma cair pela esquerda, mas flutua bem entrelinhas e é um perigo constante.

Henan (Vila Nova) – Extremo dos mais agudos que tem boa presença no terço final do campo, sendo um dos mais acionados do Tigre no ataque, com seis tentos assinalados na primeira fase. Henan se movimenta bem e tem qualidade no arremate.

Kadu Barone (Ituano) – Seguindo na toada dos destaques ofensivos, Barone é um dos goleadores do rubro-negro na competição, atrás apenas do atacante Luiz Paulo, que foi às redes quatro vezes e – curiosamente – é reserva.

Arte: João Rodrigues

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