Uma joia que merece ser bem lapidada pelo Náutico: análise de Juninho Carpina

Por: Felipe Holanda

Da Floresta dos Leões* para erguer a taça da Copa do Nordeste Sub-20. Eleito o craque da competição na conquista inédita dos alvirrubros, Juninho Carpina mostrou que é um joia que merece ser bem lapidada pelo Náutico. Sobrou na tática e na técnica, galgando uma chance nos profissionais.

Nesta análise, o Pernambutático disseca as maiores virtudes de Juninho, com posicionamentos táticos, números, principais características de jogo, a expectativa do atleta em relação ao time de cima e muito mais.

O MAESTRO ALVIRRUBRO

Meia clássico e com ótima visão de jogo, Carpina é uma raridade aos moldes atuais do futebol, quando os atletas passam cada vez menos tempo com a bola. Costuma atuar mais por dentro, ditando o ritmo do jogo alvirrubro e deixando os companheiros em boas condições para marcar. Também é participativo acionando os laterais, dando progressão à posse.

Camisa 10 aciona companheiro na direita (Imagem: Live FC)

Com o Náutico no 4-3-3, mostrou que explora bem as investidas dos extremos, alargando o campo e tentando abrir espaços na marcação adversária. Júlio e Wallison Bahia foram os principais alvos de passe do meio-campista.

Jovem Timbu sendo a cabeça pensante no 4-3-3 de Levi Gomes (Imagem: Live FC)

Não por acaso, Juninho foi o maestro do time e líder de assistências, com três passes para gol na caminhada rumo ao título inédito do Timbu na Lampions.

AGUDO PARA PISAR NA ÁREA

Além da essência para a criação de jogadas, Carpina chega muito bem no ataque e prende a atenção dos marcadores. Já provou, ainda, que tem um grande potencial nos arremates em gol, mesmo de longe.

Juninho se prepara o chute (Imagem: Live FC)

Mas também tem talento de sobra para pisar na área e confundir a marcação rival. Na final diante do Fortaleza, quando o Timbuzinho goleou por 5 x 1, até teve duas oportunidades de ir às redes, mas acabou desperdiçando.

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ABSOLUTO NAS BOLAS PARADAS

A joia da base do Náutico mantém o bom desempenho nas bolas paradas. Foi o principal jogador da equipe neste quesito, sempre procurando os companheiros na grande área rival, como aconteceu na semifinal diante do CRB, quando deu uma assistência.

Além de servir, coloca para dentro. No mesmo confronto com o Galo Pajuçara, Juninho abriu a contagem numa bela cobrança de falta, sem dar quaisquer chances de defesa para o goleiro alagoano, que nem na bola foi.

Carpina em cobrança de falta precisa (Imagem: Live FC)

CONSCIÊNCIA TÁTICA

Na marcação, o atleta também mostrou importância para o funcionamento do time treinado por Levi. Defendendo no 4-4-1-1, Juninho marcava a saída do adversário, por trás do centroavante Edgo, como visto na final.

Postura defensiva do carpinense (Imagem: Live FC)

Já que Carlão não jogou a decisão, sendo relacionado para o duelo com o Cuiabá pelos profissionais, coube a Carpina a incumbência de erguer a taça de campeão, fincando de vez seu nome da história do clube. E o melhor, deixando ótimas expectativas para um futuro próximo.

CHANCE NOS PROFISSIONAIS

A performance de gala de Juninho em 2020 faz a torcida clamar para que ele receba uma oportunidade de atuar no time de cima. No elenco atual, contudo, Hélio dos Anjos tem Jean Carlos e Ruy para o setor, bem mais experientes e com características semelhantes.

Mas Carpina admite que aguarda a chance de mostrar a Hélio o que pode oferecer ao Náutico, desta vez dentro de campo. Alimenta o sonho, porém sabe que tudo acontece quando tem que acontecer.

“Venho trabalhando muito forte, porque sei que as oportunidades vão aparecer e eu preciso estar bem preparado. Tenho certeza que vou aproveitar da melhor forma e ajudar o clube que eu torço. Todo mundo sabe que eu sou torcedor, sou alvirrubro. Então é um orgulho para mim, defender o time da minha família. Estou bem focado para dar seguimento à minha carreira aqui no Náutico”

Juninho Carpina, em entrevista à TV Timba

A única vez que atuou pelos profissionais foi no empate 1 x 1 com o Afogados, nos Aflitos, em fevereiro, quando Gilmar Dal Pozzo era o treinador. Na ocasião, inclusive, marcou o gol alvirrubro, enquanto Candinho descontou para os sertanejos.

Graças ao jovem de apenas 20 anos, o município de Carpina, localizado a 55 quilômetros da capital Recife, nunca foi tão bem representado no futebol pernambucano em seus mais de 100 de fundação. O garoto está fazendo história. E parece querer muito mais.

Arte: João Rodrigues
Fotos: Caio Falcão e Marlon Costa/Náutico

*Floresta dos Leões é o nome dado a Carpina após a emancipação política, graças a Francisco José Chateaubriand Bandeira de Melo. Antes, o município era apelidado de “Chã do Carpina“.

3 comentários em “Uma joia que merece ser bem lapidada pelo Náutico: análise de Juninho Carpina

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