O profeta alvirrubro: análise do resgate de Hélio dos Anjos no Náutico

Por: Felipe Holanda

Um anjo que apareceu no caminho do Náutico. Em sua terceira passagem pelo clube da Rosa e Silva, Hélio dos Anjos resgatou o brio do elenco e saiu da 17ª posição para garantir a permanência na Série B do Campeonato Brasileiro com uma rodada de antecedência. Ao ser anunciado como técnico, Hélio “profetizou” que o Timbu não seria rebaixado.

Nesta análise, o Pernambutático destaca os principais momentos que levaram o alvirrubro a fincar estadia na Segundona, com principais movimentações táticas, estilos de jogo, números e muito mais sobre Hélio.

“Quando fomos contratados, o primeiro pensamento era de acreditar no objetivo. Eu citei na primeiro entrevista que o Náutico não cairia. Estávamos oito pontos atrás do primeiro time fora. Batemos na tecla e fizemos com que o grupo sonhasse o sonho”

Hélio dos Anjos, treinador

INÍCIO CONTURBADO

No momento em que chegou ao Recife, o time estava em um alvoroço após a saída de Gilson Kleina e uma parte da torcida já havia jogado a toalha na luta contra a queda. A missão, fatalmente, não era das mais fáceis. E o próprio Hélio sabia disso quando aceitou convite da direção para timonar o Timbu no restante da Série B.

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A partida de estreia, para atenuar o desespero, não foi nem um pouco animadora. Em mais uma fraca atuação, os alvirrubros amargaram nova derrota, dessa vez para o CRB no Rei Pelé, em Maceió, pela 22ª rodada. Na ocasião, o técnico tentou impor seu estilo de jogo, prezando mais por 4-1-4-1, mas não obteve resultado.

Disposição inicial dos pernambucanos contra o Galo (Feito no Tactcial Pad)

O segundo compromisso já foi satisfatório, porém faltou sorte aos comandados de Hélio, que acabaram ficando no empate sem gols contra o Vitória. Diante dos baianos, Hélio optou por um sistema um pouco diferente, algo mais próximo do 4-2-2-2.

Nos acréscimos, Wilian Simões surgiu com liberdade e deixou rolando para o meio da área. Lá estava Dadá que, sozinho na marca do pênalti, finalizou tirando do alcance de Ronaldo e da barra, acertando a trave e mantendo o marcador inalterado.

Os erros crassos da arbitragem no confronto com o Juventude serviram para mostrar que o time, de fato, tinha evoluído com a chegada do novo comandante. Mesmo praticando um bom futebol, perdeu por 1 x 0, com direito a um gol legal anulado e um pênalti claro não marcado a favor dos pernambucanos.

Frente aos gaúchos, a equipe de Hélio utilizou bastante a marcação com duas linhas de quatro homens bem compactados, algo que se tornaria característico nos jogos subsequentes.

Posicionamento defensivo contra o Ju (Imagem: Premiere)

INDÍCIOS DE REAÇÃO

A primeira atuação impactante do Náutico de Hélio dos Anjos foi diante do Guarani, que vinha em ascensão na Série B. Explorando o 4-2-3-1, os pernambucanos criaram a maioria das chances de perigo e abriram o placar ainda no primeiro tempo após boa jogada de Bryan, que finalizou tirando do arqueiro do Bugre.

Lance do tento assinado por Bryan (Imagem: Premiere)

Para carimbar o triunfo com chave de ouro, Kieza marcou um verdadeiro golaço no Eládio de Barros Carvalho. Arrancou do campo de defesa, não tomou conhecimento dos marcadores e ainda driblou o goleiro antes de empurrar para as redes.

Em seguida, veio literalmente o balde de água fria. Fraca atuação diante do Figueirense no gramado encharcado do Orlando Scarpelli e derrota doída por 2 x 0, na qual o Timbu não mostrou poder de reação e apresentou falhas defensivas.

A recuperação não tardou. Logo no jogo seguinte, fez o dever de casa e venceu o Brasil pelo placar mínimo, com gol marcado por Jean Calos após cobrança de falta e cochilo da defesa Xavante. Àquela altura, o time já havia adotado o 4-2-3-1 como tática base, variando para o 4-4-2 em momentos sem a bola.

Disposição dos pernambucanos frente aos gaúchos (Feito no Tactical Pad)

Chegava a hora de um confronto direto com o Botafogo-SP em Ribeirão Preto. Prezando pela marcação e saindo para os contra-ataques, o alvirrubro segurou o ímpeto dos donos da casa e somou um ponto importante na caminhada: 1 x 1.

Na sequência, veio uma pedreira na rota de Hélio: a Chapecoense, então líder do certame. Mais uma vez se protegendo bem na defesa, ficou no empate. O aproveitamento ofensivo, no entanto, foi aquém do esperado.

RESSURGIMENTO ALVIRRUBRO

O jogo símbolo da reação alvirrubra foi diante do Sampaio Correa, nos Aflitos. Com muito movimentação na penúltima linha, os comandados de Hélio encurralaram o rival e pressionaram durante boa parte do jogo, trilhando os caminhos da vitória.

Náutico pressionando o Paio no campo de ataque (Imagem: Sportv/Premiere)

A bola que decidiu a partida, entretanto, saiu da cabeça do zagueiro Camutanga. Jean Carlos cobrou escanteio na área, o defensor desviou levemente na bola para selar o triunfo alvirrubro, que estava mais vivo do nunca. Na época, ficou a apenas um ponto de deixar a zona de degola.

Alívio ainda maior veio na sequência, quando o Timbu venceu bem o Cuiabá, também no Recife, e deixou provisoriamente o Z-4. Contra os auriverdes, Rafael Ribeiro e Jean Carlos marcaram os gols alvirrubros.

Sem o comando de Hélio, isolado por Covid-19, o Náutico teve dois tropeços que poderiam ter custado caro. Com Marcelo Rocha à beira do gramado, foram duas derrotas por 2 x 0, pela ordem, para Confiança e Ponte Preta, ambas fora de casa.

AO ENCONTRO DA LUZ

Com o retorno de Hélio, o Náutico, enfim, encontrou o caminho da luz. Após empate com o América-MG de Lisca, veio vitória acachapante sobre o Oeste, que já entrou em campo rebaixado. Um dos grandes nomes da peleja e autor do primeiro gol foi o lateral-direito Hereda, que recebeu lindo passe de Erick antes de estufar as redes do Rubrão.

Lance do primeiro tento alvirrubro contra o Oeste (Imagem: Premiere)

Sem tirar o pé do acelerador, o Timbu colocou mais três bolas nas redes adversárias, com Jean Carlos, Kieza e o próprio Erick, outro que fez uma partidaça. A vitória deu ao Timbu a chance de depender apenas de si para garantir o rebaixamento.

A conquista veio ainda antes da rodada derradeira no empate sem gols contra o Cruzeiro, no Independência, em Belo Horizonte. Como os adversários diretos tropeçaram, os pernambucanos chegaram a 43 pontos e não podem mais ser alcançados pelo Figueirense, time que abre o Z-4, com 39.

NA MINHA CASA QUEM MANDA SOU EU

O resgate que Hélio deu ao Náutico passa diretamente pelas atuações do time dentro dos Aflitos. Em sete jogos, foram cinco vitórias e dois empates, somando um incrível aproveitamento de 80%, com 17 pontos conquistados de 21 possíveis.

Antes de sua chegada, o alvirrubro tinha mais de 80% de chances de rebaixamento segundo sites especializados. Contrariando as estatísticas, o comandante escreveu de vez seu nome na história do clube da Rosa e Silva.

Créditos da foto principal: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

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