Um novo recomeço: o que esperar taticamente de Marciel no Náutico

Por: Anderson D’wirvelle e Felipe Holanda

Chegada com cara de recomeço. Após início de carreira dos mais promissores, Marciel vem ao Náutico para reencontrar o seu melhor futebol. Com a qualidade que já mostrou em tempos áureos no Corinthians, somada ao desejo de mostrar serviço outra vez em um grande clube, o reforço pode ser uma boa opção para o esquema de Hélio dos Anjos no Timbu.

Nesta análise, o Pernambutático disseca taticamente o perfil de Marciel, com posicionamentos táticos, números, estilos de jogo, pontos fortes e fracos, e como ele pode se encaixar no esquema adotado por Hélio no time da Rosa e Silva.

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PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Desde os tempos de Fragata-RS (clube do ex-volante Emerson, da seleção brasileira), Marciel mostrou ser um meio-campista que recompõe bem, dotado de um passe refinado e boa visão de jogo. Após passagem na base da Roma, foi contratado pelo Corinthians, que comprou 50% de seus direitos econômicos, em 2015.

Ainda naquele ano, apareceu bem já na Copa São Paulo de Futebol Júnior, atuando ao lado de nomes como o do lateral-esquerdo Guilherme Arana e do volante Maycon, sendo campeão sob o comando de Osmar Loss. Fazendo dobradinha com Arana pela esquerda, Marciel era peça fundamental na progressão de posse, geralmente explorando passes longos e rasteiros.

Assistência para o gol de Gustavo Tocantins (Imagem: Sportv)

Segundo volante com características bem ofensivas, advindas bastante da escola corintiana de segundos volantes (Paulinho, Elias, Jucilei, Maycon), Marciel é um jogador que pode agregar muita qualidade pelo lado esquerdo de ataque do Náutico, principalmente nas tabelas com o lateral, Kevyn, e o meia, Jean Carlos.

Possível formação alvirrubra com Marciel de segundo volante (Feito no Tactical Pad)

Também costuma chegar ao ataque por aquele lado, infiltrando sem bola. Outra característica marcante de Marciel são os dribles curtos. Costuma tentar bastante e, até por isso, tem um alto número de perda de posse durante o jogo; só na última Série B foram 201 bolas perdidas, uma média de 10,4 por partida.

Na fase defensiva, contudo, não é um jogador que costuma se destacar nos desarmes. Também na última Segundona, teve uma média de 6,2 a cada 90 minutos, totalizando apenas 122 recuperações na competição, ficando atrás de Rhaldney, Jhonnatan e Djavan em números totais neste quesito.

Cabeça de área com boa técnica, possui características ofensivas interessantes e que não existem no elenco alvirrubro, chegando para finalizar e armar como se fora um meia. Pode atuar como segundo homem do meio ou terceiro, caso Hélio opte por escalar três volantes.

Outra opção para Hélio escalar Marcial no Timbu (Feito no Tactical Pad)

Todavia, para jogar ao lado de Rhaldney vai ter que melhorar sua intensidade defensiva e ser mais útil ao time sem bola do que foi quando atuou no Juventude. Pelo clube de Caxias, inclusive, não era titular e por isso foi negociado.

DE PROMESSA À REALIDADE

O início da caminhada de Marciel no Corinthians foi de glórias, a começar pela Copinha, quando foi eleito o craque do certame. A bela performance despertou o interesse do técnico Tite, então comandante alvinegro e hoje na seleção brasileira, que o promoveu ao profissional. Sob a batuta de Adenor, fez seu primeiro jogo pelo time principal contra o Figueirense, pela Série A de 2015, já mostrando algumas de suas características: desarmes precisos e verticalidade na transição ofensiva.

No 4-3-3 de Tite, Marciel desarma e lança os homens de ataque, com Love e Danilo mais à frente (Imagem: Premiere)

FIRMAMENTO

Aos poucos, o jovem ia conquistando seu espaço no time do Parque São Jorge. Ainda naquela temporada, Marciel fez um dos gols alvinegros na vitória por 2 x 0 sobre o Fluminense, em setembro de 2015. No lance, esbanjou habilidade ao cortar para a perna direita, que não é a boa, e estufar as redes de Diego Cavalieri.

Após rápida passagem pelo Cruzeiro, Marciel voltou a ser aproveitado em 2017, sob o comando de Fábio Carille. Na época, atuou em nove jogos, somando Paulistão, Brasileirão, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana.

DA ASCENÇÃO À QUEDA

Depois de se envolver em polêmicas, foi emprestado para a Ponte Preta, onde teve certo destaque, mas aquém do que produziu no Corinthians. No clube campineiro, mostrou que pode ser útil ao Náutico também em arremates de longa distância, geralmente com a pontaria calibrada. Na macaca, foram dois gols marcados em 28 jogos.

Tentativa de longe do novo contratado do Timbu (Imagem: Premiere)

Entre 2018 e 2019, Marciel defendeu as cores do Oeste, ainda sem repetir o brilho de outrora. Foram apenas dois tentos assinalados pelo Rubrão. A passagem pelo Vitória, na sequência, foi ainda pior: sete partidas e nenhuma bola nas redes.

RECOMEÇO

Atuando no Juventude, Marciel voltou a ter atuações frustrantes, mais uma vez não se firmando como titular. Disputou 40 jogos pela equipe gaúcha, a maioria entrando no segundo tempo, e não conseguiu ir às redes.

No Náutico, o atleta tenta se reerguer na carreira, recomeçando praticamente do zero. Pode ser uma boa nova para Hélio dos Anjos, mas precisa voltar a ter confiança e personalidade para fazer o que já mostrou ser capaz. Abaixo, veja um resumo, em vídeo, das características de Marciel.

Créditos da foto principal: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

2 comentários em “Um novo recomeço: o que esperar taticamente de Marciel no Náutico

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