Sob nova direção: o que esperar taticamente de João Brigatti no Santa Cruz

Por: Anderson Santa e Felipe Holanda

A área técnica do Santa Cruz tem um novo comandante: João Brigatti. O substituto de Marcelo Martelotte chega ao Arruda com todo o aval da direção tricolor e a missão de iniciar caminhada para tirar o Mais Querido do inferno da Série C. Por outro lado, terá um um elenco que passa por grande reformulação.

Nesta análise, o Pernambutático disseca as principais características do treinador, com posicionamentos táticos, pontos fortes e fracos, números na carreira, as primeiras palavras de Brigatti e como ele pode armar o Santa para a temporada.

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PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Ex-goleiro com passagens pela própria Cobra Coral, em 1995, João Brigatti tem 56 anos e assume seu quarto clube na carreira. Do ano passado até o início de 2021, defendeu as cores do Paysandu, onde teve sua segunda passagem. Lá, mostrou um jogo direto e com lançamentos longos.

“No Pará, Brigatti utilizou muito esse jogo mais direto, até com passes médios, vamos dizer assim. Com lançamentos mais rápidos e à meia altura, nem tanto por cima como era o Matheus Costa (antecessor). Também é um treinador que explora muito bem a velocidade”

Mathaus Pauxis, do Toró Tático

Outra característica importante do novo técnico tricolor é a marcação alta no campo de ataque, geralmente utilizando um 4-3-3 para roubar a bola e ter chances claras de gol. Pelo Bicolor, Brigatti brigou pelo acesso até a última rodada, assim como o Santa, mas acabou batendo na trave após derrota para o Ypiranga-RS, que também ficou na Série C.

Papão pressiona a saída de bola do adversário e desarma (Imagem: DAZN)

“Pegou o Paysandu em dois momentos, um tentando evitar o rebaixamento – sem sucesso – à Série C, em 2018, e no quase acesso de 2020/21. Na última passagem, apostou bastante na ligação direta com passes médios, mas em velocidade ao atacar. Ele usa também linhas muito baixas ao defender, inclusive fez um 5-3-2 contra o Londrina; não valoriza a posse de bola, porém os lances velozes são uma arma de mais uso. O 4-2-3-1 tinha alternância ao 4-2-4, deixando o meia mais próximo ao centroavante e com os pontas sendo destacados”

Mathaus Pauxis, do Toró Tático

Por outro lado, já utilizou várias vezes um esquema com três zagueiros e até uma linha inicial de cinco, muitas vezes dando espaço demais para os finalizadores adversários, algo que também ficou evidenciado em sua passagem pela Curuzu.

Vacilo defensivo dos paraenses que custou caro (Imagem: DAZN)

No Papão, teve uma arrancada memorável que culminou com a classificação ao quadrangular final, mas acabou tropeçando quando menos podia. Teve seis vitórias, três empates e três derrotas, com 44,5% de aproveitamento.

E NO ARRUDA?

A tática mais utilizada por Brigatti é o 4-2-3-1, esquema bem semelhante aos de Itamar Schülle e Marcelo Martelotte e deve manter a base. Em contrapartida, terá um elenco bem mais fragilizado, seja em números de opções ou tecnicamente. É o primeiro grande desafio do novo comandante coral.

Um possível time para a estreia de Brigatti pela Cobra (Feito no Tactical Pad)

Uma outra possibilidade é acionar um 4-3-3, tendo a supracitada velocidade pelas bordas do campo e apoio constante dos laterais, com Leonan e Augusto Potiguar pela esquerda e direita, respectivamente. Serviria para dar mais mobilidade à transição ofensiva tricolor.

Caso Brigatti escolha uma postura mais ofensiva, a depender do resultado (Feito no Tactical Pad)

ÍDOLO EM CAMPINAS

Brigatti é um dos grandes ídolos da Ponte Preta, clube que defendeu por mais de uma década como goleiro, passou por auxiliar técnico, e interino até comandar a Macaca em duas ocasiões. A primeira passagem, contudo não durou muito tempo.

Na últimas delas, chegou à Ponte com a responsabilidade de evitar o rebaixamento no Estadual, mas foi além e terminou como um dos semifinalistas. Foram 24 jogos, com 11 vitórias, quatro empates e nove derrotas, o que gerou 48,6% dos pontos.

ACESSO NO PAIO

Pelo Sampaio Corrêa, entre 2019 e 2020, levou o time à Segundona – foi vice-campeão diante do Náutico – e conquistou o Maranhense na última temporada, somando 63% da pontuação. No Arruda, busca mais uma vez o acesso na Série C.

Quero dizer, do meu orgulho e da minha felicidade, poder ter sido contratado para dirigir essa equipe maravilhosa que é o Santa Cruz. Hoje, extremamente motivado, tenho certeza que com o apoio de todos, diretoria, comissão técnica, atletas e, principalmente dessa torcida maravilhosa, vamos juntos conquistar nossos objetivos. E o maior deles é, sim, o acesso para o Campeonato Brasileiro da Série B de 2022.

João Brigatti, em vídeo divulgado pela assessoria do Santa Cruz

Créditos da foto principal: Jorge Luiz Totti/Paysandu

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