A seleção de Pernambuco no Brasileiro de 2020

Por: Anderson D’wirvelle, Felipe Holanda, Guilherme Batista e Mateus Schuler

“Eu carrego comigo: coragem, dinheiro e bala”. Desde os tempos de cangaço ao futebol, Pernambuco sempre soube driblar as adversidades. A seleção do Estado no Campeonato Brasileiro tem justamente este traço de Cabra da Peste, passando por três nomes especiais: o bravo Jair Ventura, do Sport, o rentável Maycon Cleiton, do Santa Cruz, e o decisivo Jean Carlos, do Náutico.

Listamos os principais destaques em um ano atípico, não só, diga-se de passagem, com peças do Trio de Ferro, considerando também os interioranos. Veja abaixo os 11 titulares, melhor treinador, a revelação, o craque, a grande decepção e menções honrosas, citando as principais características táticas de cada um.

O PRAGMATISMO VENTURISTA

Quando Jair Ventura chegou à Ilha do Retiro, todas as previsões indiciavam que o Leão seria rebaixado. Não era para menos. Jair assumiu o time na vice-lanterna da competição, mas chegou com pompa de salvador. O que poucos esperavam fica por conta de como tudo se desenrolou.

Antes reativo e veloz, o treinador se adaptou ao elenco – que foi se esfacelando – e fez o que pôde no Sport. Explorou muito mais a defesa, com um futebol pragmático, mas que deu resultado. Não se intimidou em usar uma linha de inicial de cinco ou até seis em alguma ocasiões, como no confronto com o lanterna Botafogo, que foi rebaixado, formando uma espécie de 6-3-1.

Ferrolho defensivo dos venturistas diante do Bota (Imagem: Premiere)

Tal qual um roteiro de faroeste, Jair conseguiu sacramentar a permanência do rubro-negro na elite com uma rodada de antecedência, mesmo após derrota por 3×2 para o Atlético-MG, na Ilha, em jogo eletrizante.

VALIO$O PARA OS COFRES CORAIS

Maycon Cleiton foi o principal destaque do Santa Cruz na Série C do Brasileiro, apesar dos corais não conseguirem o acesso. Teve atuações memoráveis, principalmente na primeira fase, e despertou o interesse de grandes clubes do Brasil. Não por acaso, foi negociado com o Bragantino, que pagou R$ 1 milhão por 80% de seus direitos econômicos.

Na temporada 2020, Maycon atuou em 91% dos jogos, sendo peça fundamental para o funcionamento do time e titular absoluto, seja sob o comando de Itamar Schülle ou Marcelo Martelotte. Consciente, mostrou ser um goleiro moderno, participando de uma saída de três ao lado dos defensores.

O “PISTOLEIRO” ALVIRRUBRO

Referência técnica e principal jogador do Náutico na Série B, ao lado de Kieza, Jean Carlos foi um dos maiores responsáveis pela permanência do Timbu na Segundona. O camisa 10 participou diretamente de 11 gols, sendo sete tentos e quatro assistências. Homem das bolas paradas, ficou de fora do time em apenas três partidas durante toda a competição.

Além da pontaria calibrada em chutes de média e longa distância, Jean era um dos pilares da progressão de posse de bola alvirrubra, geralmente trocando passes pela esquerda do ataque, como foi visto na vitória por 1 x 0 sobre o Brasil de Pelotas, na qual o meia marcou o único gol do jogo.

Jean Carlos centralizado na trinca Timbu (Imagem: Sportv/Premiere)

O TIME

A seleção de Pernambuco tem vários outros nomes de respeito fora os três destaques. Postamos a equipe num 4-3-3 ofensivo, com muita intensidade, amplitude, e rapidez nas transições. No total, são quatro jogadores do Santa Cruz, três do Náutico, dois do Sport e dois do Salgueiro (veja menções honrosas abaixo).

Um 4-3-3 fictício e variável ao 4-2-3-1 e até o 4-1-4-1 (Feito no Tactical Pad)

Maycon Cleiton (GOL)- Além de ser a revelação, Maycon foi o principal destaque entre os goleiros. Disputou com Luan Polli, do Santa, Anderson, do Náutico, e Tanaka, do Salgueiro, mas foi quem teve mais regularidade no nacional.

Patric (LD) – É um cara que não podia faltar nesta lista. Experiente, Patric capitaneou o Sport nos mares nervosos da luta pela permanência e chegou até a assumir uma função diferente, atuando mais adiantado, como uma espécie de ponta direita. Uma de suas maiores qualidades foram os ataques nas costas da marcação adversária.

Betinho dá passe milimétrico e Patric estufa as redes do Grêmio (Imagem: Sportv/Premiere)

Iago Maidana (ZAG) – Ao lado de Adryelson, outro que se destacou bem na Série A, Maidana foi o xerife rubro-negro na defesa, com 1.7 interceptação por jogo, 0.7 desarmes, 4.8 cortes, e 3.8 de aproveitamento em disputas de bola. De quebra, marcou seis gols e foi um dos artilheiros do Leão no certame.

Danny Morais (ZAG) – Um dos zagueiros mais seguros da Série C, Danny Morais figurou entre os pilares do Santa Cruz na temporada. Com forte poder de marcação, o capitão coral foi responsável também por boa parte da solidez da equipe.

Daniel (LE) – Na quarta passagem pelo Carcará, se destacou com a polivalência. Aliando boa leitura de jogo, vigor físico e velocidade, o jogador acabou sendo um coringa, mostrando força ofensiva na ponta e defensiva ao fixar na primeira linha.

Rhaldney (VOL) – Ponto de sustentação do Náutico na Série B, foi um dos destaques do alvirrubro na maioria dos jogos. Disputou 32 partidas, 2.546 minutos, recorrente nas seleções da rodada tanto do Sofascore, quanto do perfil oficial do campeonato. Atuou boa parte da temporada como primeiro volante, mas depois da chegada de Hélio passou a ter mais liberdade pra avançar.

Paulinho (VOL/MEIA) – Principal nome do Mais Querido em 2020/21, o volante foi destaque em todas as competições. Dono do meio-campo, ficou encarregado de ser o maestro, fazendo com perfeição a transição da defesa ao ataque, além de ser importante na bola parada. Na seleção, daria muita qualidade à troca de passes com o camisa 10, Jean Carlos, que atua por trás do centroavante.

Paulinho serve Chiquinho, que marca contra o Ituano (Imagem: DAZN)

Jean Carlos (MEIA) – Principal nome da seleção, Jean é o cérebro do time, condicionando a troca de passes à sua maneira. Além disso, chega bem para “pisar” na área e levar perigo à meta adversária com seu arremate de canhota.

Renato (PD) – Artilheiro do Salgueiro na temporada, com 11 gols em 29 jogos, Renato Henrique foi o principal nome salgueirense em 2020. Flutuando bastante no campo, o meia-atacante aparecia em diversas posições no decorrer das partidas. Essa versatilidade de Renato acabou contribuindo bastante para o esquema de Daniel Neri, isso porque o jogador ora aparecia como meia, ora como um ponta e as vezes até fazia a função de segundo atacante. Na seleção, cobre a ponta direita.

Chiquinho (PE) – No lado oposto, Chiquinho tem motivos de sobra para estar entre os melhores do Estado. Atuando pelo meio ou pelo ataque dos corais, foi artilheiro do time no calvário na Série C, com oito gols em 14 jogos. Chegou até a ser cobiçado por outros clubes, mas permaneceu na Cobra Coral para 2021.

Kieza (ATA) – Artilheiro do alvirrubro na Série B, assim como Jean Carlos, foi um dos motivos para o Timbu não ter caído à Terceirona. Com oito gols e duas assistências, Kieza foi quem mais levou perigo às redes adversárias. Já era o melhor jogador do Náutico mesmo na fase ruim, ainda sob o comando Gilson Kleina, mas se encontrou de verdade depois da chegada de Hélio dos Anjos.

MENÇÕES HONROSAS

A lista de menções honrosas não é tão extensa, mas com nomes que, se tivessem entre os destaques, não causariam estranheza. O primeiro deles é o lateral-direito Toty, um dos pontos fortes do Santa Cruz na Série C e boa arma ofensiva. Também na defesa, o zagueiro Adryelson concorreu com Iago Maidana, seu companheiro de zaga, sendo um dos jogadores Sub-23 de melhor desempenho no Brasileirão.

No ataque, dois representes do interior: Ciel, que tentou ajudar o Carcará a conquistar o acesso na Série D, mas não obteve êxito, e Leandro Costa, artilheiro centralino com quatro gols na Quarta Divisão. Além deles, o técnico Hélio dos Anjos, que evitou o rebaixamento do Náutico na Segundona de maneira heroica, não poderia deixar de ser mencionado.

A DECEPÇÃO

A principal frustração dos times pernambucanos no nacional de 2020 foi Thiago. Depois de grande temporada na Rosa e Silva, o prata da casa alvirrubro foi negociado com o Flamengo. Por lá, teve passagem apagadíssima e voltou aos Aflitos, mas não conseguiu se firmar. Pelo contrário, caindo cada vez mais em descrença com a torcida alvirrubra.

*Eu carrego comigo: coragem dinheiro e bala é uma referência à música “Banditismo por uma questão de classe”, de Chico Science e Nação Zumbi.

Arte: Victor Rodrigues

2 comentários em “A seleção de Pernambuco no Brasileiro de 2020

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: