Salgueiro na Copa do Nordeste: como joga taticamente o Bahia

Por: Guilherme Batista

“Chegou a hora de recomeçar, ter cada coisa em seu lugar”*. O adversário do Salgueiro na estreia da Copa do Nordeste vai em busca de estabilidade. Após um 2020 turbulento, onde chegou nas quartas de final da Sul-Americana, mas ao mesmo tempo brigou até a penúltima rodada contra o rebaixamento na Série A, o Bahia mira um 2021 mais tranquilo. Embate acontece neste domingo (28), às 18h, no Cornélio de Barros.

Com uma temporada emendando na outra, sem tempo para descanso, o Esquadrão de Aço repete a estratégia dos últimos anos e coloca o time de transição para disputar algumas partidas. Como não haverá pré-temporada, o grupo principal será poupado na abertura do regional. Separamos para a torcida salgueirense tudo sobre o próximo adversário: prováveis formações táticas, números, jogadores para ficar de olho e muito mais do tricolor.

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Assim, o recomeço se dará com a equipe transitória, que já disputou duas partidas válidas pela temporada atual, ambas pelo Estadual. No saldo, uma vitória e uma derrota, porém com um plantel interessante e de nomes perigosos. Sob comando de Cláudio Prates, a tendência é os baianos irem a campo num 4-3-3.

Time de transição do Esquadrão deve figurar no 4-3-3 ofensivo (Feito no TacticalPad)

COMO ATACA

Se não surpreender, Cláudio Prates deve repetir o mesmo padrão tático que vimos nos dois jogos do campeonato estadual. Entrando num 4-3-3, o Bahia ataca liberando muito seus laterais, sobretudo Renan Guedes, que cai pela direita com muita velocidade e é habilidoso. Renan constantemente aparece quase como um ponta, pisando muito na área, seja para finalizar, seja para buscar alguém na entrada da área.

Para que esse avanço aconteça, o volante Raniele acaba ficando entre os zagueiros, como se fosse um líbero. Outro ponto importante, ainda no lado direito ofensivo são as triangulações existentes entre Renan Guedes, Daniel Penha e Caio Mello. Este último, inclusive, tem bastante liberdade para flutuar no setor, aparecendo em todos os lugares e desafogando o jogo quando a marcação adversária está muito fechada.

No entanto, se ainda assim o ataque não estiver fluindo como esperado, o Esquadrão esconde uma arma extremamente perigosa e que se mostrou bastante efetiva até aqui: as finalizações de média ou longa distância. Nas duas partidas que disputou, o Tricolor marcou três gols e não por acaso vieram em finalizações de fora da área.

Baianos atacam com trinca ofensiva e constante chegada dos meio-campistas (Imagem: TVE Bahia)

COMO DEFENDE

Na hora de se defender, os dois pontas acabam recuando para o meio e Raniele fica entre a defesa e o meio, formando-se assim um 4-1-4-1, podendo variar para um 5-4-1, com Ronaldo sendo o homem de referência no ataque. Assim, é bastante comum vermos o time de transição do Bahia jogar todo atrás da linha da bola.

“É um time que adota a postura mais reativa para tentar surpreender o adversário com contra-ataques rápidos. Ao contrário de Dado, Prates tem mais escape e velocidade, mas a ausência de recurso das peças tem deixado o torcedor um pouco chateado. A postura reativa tem sido até de forma exagerada”

Lucas Cezar, do Canal do LC

Apesar disso, Juazeirense e Doce Mel, adversários do Esquadrão no Estadual, encontraram liberdade para finalizações na entrada da área e tentaram fazer o Tricolor provar do próprio veneno. O goleiro Leandro passou muita insegurança à torcida baiana, falhando duas vezes contra a Juazeirense. Um desses erros, inclusive, gerou o gol da virada do Cancão de Fogo. Essa falta de segurança ficou tão evidente que Matheus Teixeira, antes integrado à equipe principal, voltou para o time de transição e será o titular no duelo contra o Carcará.

Tricolor de Aço alterna entre 5-4-1 e 4-1-4-1 ao defender com linhas médias-baixas (Imagem: TVE Bahia)

PARA FICAR DE OLHO

Renan Guedes (LD) – Aos 23 anos, o jogador chegou em janeiro desse ano após disputar o Catarinense e a Série D pelo Joinville. Bastante agudo, Guedes mostrou muita força ofensiva nos jogos que disputou. Seja fazendo o facão ou buscando a linha de fundo, pode gerar um lance de perigo a qualquer momento.

Raniele (VOL) – O jogo do Bahia passa, sobretudo, por Raniele. Seja ofensiva ou defensivamente, o jogador é peça-chave no esquema do professor Cláudio Prates. É ele quem inicia as jogadas ofensivas. Com qualidade no passe e boa marcação, o jogador tem bastante potencial; apesar disso, é dúvida para a partida após ter saído contra o Doce Mel sentindo dores no joelho.

Daniel Penha (ATA) – Com passagem pelo Corinthians e cedido pelo Atlético-MG, o camisa 11 é um atacante extremamente interessante. Pode tirar um drible da cartola a qualquer momento, além de ter se mostrado um exímio finalizador ao acertar um petardo de longa distância. Dizem que todo canhoto é bom de bola, pois bem, Daniel Penha não poderia ser diferente.

*“Chegou a hora de recomeçar, ter cada coisa em seu lugar” é uma referência à música “Não Sei Viver Sem Ter Você”, do CPM22.

Créditos da foto principal: Felipe Oliveira/EC Bahia

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