O voo versus o rastejo: o que esperar taticamente de Salgueiro x Santa Cruz

Por: Felipe Holanda e Guilherme Batista

Entre voos e rastejos. O primeiro confronto dos pernambucanos na Copa do Nordeste já tem caráter decisivo. Ainda sem pontuar, Salgueiro e Santa Cruz se enfrentam nesta quinta-feira (11), às 18h, no Estádio Cornélio de Barros, pela terceira rodada, precisando deixar respectivas lanternas e não se desgarrar de vez do pelotão de cima no Regional.

Nesta análise, o Pernambutático destrincha para as duas torcidas tudo sobre o duelo entre o Carcará e a Cobra Coral, com principais formações táticas, números, destaques individuais de ambos os lados, e muito mais.

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O Salgueiro, que vem de quatro gols sofridos em dois jogos, deve priorizar a defesa, postado no 3-4-3 imposto por Daniel Neri. A grande dor de cabeça do treinador português vem sendo a dificuldade para solucionar o lado esquerdo defensivo desde a lesão de Evandro. Tarcísio deve ser a opção mais uma vez.

Já o Mais Querido, ainda sem ir às redes na Lampions, pode ter novidades. A maior interrogação é se João Brigatti (o time vai ser comandado pelo auxiliar Basílio Amaral) mantém o esquema com três zagueiros. Caso abra mão do 3-5-2, a principal alternativa é o 4-2-3-1; na lateral esquerda, Alan Cardoso fará sua estreia.

Prováveis formações do Carcará e da Cobra (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACAM

Se os corais vivem seca de gols no Nordestão, o Salgueiro já marcou duas vezes, ambas na derrota para o Bahia na primeira rodada. Com a bola, o Carcará tende a utilizar um tripé ofensivo próximo à grande área do adversário para buscar espaços. Porém, não é constante.

Postura ofensiva do Carcará diante do Tricolor de Aço (Imagem: Nordeste FC)

Postado no 3-4-3, naturalmente os alas costumam ter mais liberdade para atacar. No entanto, na partida passada, diante do 4 de Julho, Daniel Neri surpreendeu ao dar mais liberdade para Bruno Sena e revezar as subidas dos alas, ora Dadinha, ora Tarcísio.

Apesar da movimentação, o Salgueiro tem esbarrado na falta de criação contra defesas mais fechadas. Foi assim contra o Afogados no Estadual e contra o 4 de Julho pela Copa do Nordeste. A solução encontrada tem sido a tentativa de jogadas individuais ou triangulações pelo lado direito do ataque, quase sempre acionando Cássio Ortega.

Para o Santa Cruz, o grande problema até aqui vem sendo a falta de verticalidade na hora de agredir o oponente. Roda muito a bola, mas não consegue chegar com frequência à zona de arremate. Algo que foi atenuado por conta dos inícios de temporada apagados de Didira e Chiquinho.

O ponto alto são as triangulações envolvendo os homens de frente para confundir a marcação rival. Explorando um 3-4-1-2, os corais vêm levando perigo, mas precisam caprichar um pouco mais nas finalizações, como visto na derrota diante do ABC no último fim de semana.

Um dos poucos lampejos de ataque contra o ABC (Imagem: FoxSports)

Os tricolores também já mostraram dificuldades para quebrar ferrolhos defensivos. A estratégia mais utilizada foi a entrada de Vinícius Balotelli para dar mais mobilidade no terço final do campo. Balotelli, contudo, ainda não rendeu, até porque vem atuando mais como um ala esquerdo e não não tem características de cobertura.

COMO DEFENDEM

Se fechando num 4-1-4-1 com Bruno Sena entre as duas linhas de quatro, o Salgueiro tenta sempre impedir a progressão pelo chão dos adversários. Povoando bastante o meio, o Carcará busca forçar o rival a utilizar bolas longas. Assim, tem mais chances de conseguir um desarme.

Sertanejos postados na defesa (Imagem: Nordeste FC)

Uma lacuna deixada com a lesão do lateral-esquerdo Evandro pode ser perigosa. Sem reserva, Neri optou por improvisar Tarcísio como um ala pela esquerda, mas até aqui não tem obtido êxito. Pelo contrário, tem sido um lado fragilizado da defesa sertaneja, quase sempre sendo explorada pelos oponentes.

Utilizando um 3-5-2 quando atacado, o Santa também preenche o meio de campo e marca com muita amplitude, dificultando as investidas adversárias pelas laterais. Além disso, se posiciona para sair bem no contra-ataque caso recupere a bola.

Mais Querido tentando se defender (Imagem: Fox Sports)

O esquema com três zagueiros vem sendo muito criticado por parte da torcida tricolor. Ante os salgueirenses, existe a possibilidade que Willian Alves e Danny Morais formem a dupla de zaga, com Célio Silva sendo sacado do time. Mas Basílio Amaral, que estará à beira do gramado, já que Brigatti cumpre protocolo de isolamento pela Covid, não deve fazer muitas mudanças.

DESTAQUES INDIVIDUAIS DO SALGUEIRO

Moreilândia (MC) – Unindo experiência com vitalidade, Moreilândia comanda o meio do Carcará. Além de ser uma peça-chave na fase defensiva, o camisa 8 pode ser um elemento surpresa na hora de atacar, principalmente com os chutes de média-longa distância.

Cássio Ortega (PD) – Camisa 10 e referência técnica do time, Cássio é velho conhecido do torcedor sertanejo e também pernambucano. Chegou sem ritmo de jogo, mas com o andar da temporada já ganhou a titularidade e é o homem mais perigoso do Salgueiro. Com boa finalização e bom passe, pode criar lances de perigo num piscar de olhos.

DESTAQUES INDIVIDUAIS DO SANTA

Paulinho (MC) – Apesar de não viver sua melhor fase, é destaque técnico da Cobra Coral e o time rende bem mais com ele. Sendo fundamental para a progressão de posse tricolor, Paulinho já acumula uma assistência na temporada, quando cruzou com maestria para Pipico marcar sobre o Vitória, na estreia do Pernambucano.

Pipico (CA) – Outro que não está nos dias de glória, mas tem números expressivos defendendo as três cores. Se estiver em atuação inspirada, Pipico pode causar sérios estragos ao sistema defensivo sertanejo. Não seria a primeira vez, inclusive.

NÚMEROS DO CONFRONTO

Este será o 41º confronto entre Salgueiro e Santa Cruz na história. O último deles foi justamente o mais importante, quando o Carcará empatou no tempo normal e venceu a Cobra Coral nas penalidades para se tornar o primeiro time do interior a erguer o troféu do Campeonato Pernambucano, em pleno Recife.

Nos outros 40 encontros, são 13 vitórias para o Tricolor do Arruda contra 11 dos sertanejos, além de 13 empates. Foram 47 gols marcados pelo Mais Querido e 39 dos salgueirenses.

Crédito da foto principal: Rodrigo Avelar/Salgueiro e Rafael Melo/Santa Cruz

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