Promete fazer chover: o que esperar taticamente de Jonas Toró no Sport

Por: Mateus Schuler

“O sabiá no sertão quando canta me comove. Passa três meses cantando, e sem cantar passa nove. Porque tem a obrigação de só cantar quando chove.” Pernambucano de Belém de São Francisco, Jonas Toró chega ao Sport prometendo fazer chover. Vindo por empréstimo do São Paulo até o final da temporada, ele pode solucionar as lacunas do sistema ofensivo do Leão, mas precisa ter mais regularidade.

O Pernambutático destrincha nesta análise as principais características de Toró, com movimentações táticas, estilo de jogo, números na carreira, e como o novo contratado pode ser útil ao esquema utilizado por Jair Ventura na Ilha do Retiro.

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PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Apesar de pouco aproveitado em 2020, sob comando de Fernando Diniz, Toró se torna mais uma opção para a extrema esquerda rubro-negra. Revelado com Cuca no Tricolor, tem como maiores armas a velocidade e o bom poder de finalização em média distância. Tende a jogar mais por dentro do campo, mas também pode atuar aberto.

Atuando mais interno, Toró se destaca em chutes de média distância (Imagem: FPF TV)

Na equipe paulista, chegou a entrar na referência do ataque, mas com muita movimentação, sem fixar como um centroavante de fato. Dessa maneira, no entanto, foi pouco explorado, sendo mais acionado caindo pelas beiradas do campo, seja pela direita ou esquerda; a canhota, entretanto, foi onde ganhou maior minutagem.

Pelo time principal, disputou 44 jogos desde 2019, quando surgiu, marcando quatro gols e dando duas assistências. Coincidentemente, serviu os companheiros ao jogar mais distante da pequena área, ambas em bolas levantadas. Ao balançar as redes, por outro lado, estava próximo, mesmo finalizando da intermediária.

Ao jogar mais aberto, o novo reforço do Leão teve a assistência como arma (Imagem: Fox Sports)

No Sport, Toró pode protagonizar dupla “invernal” com Thiago Neves e deve fazer a função que o consagrou. Sem Marquinhos nesse início de temporada, Jair Ventura tem promovido as entradas de Gustavo e Luciano Juba no setor. Assim, a tendência é de que o 4-2-3-1 deva ser a base tática, fazendo Toró completar a trinca no meio junto a Ewerthon e o próprio Thiago.

Possível escalação leonina com a entrada de Toró (Feito no TacticalPad)

TORÓ NA RECOMPOSIÇÃO

Defensivamente, ainda precisa evoluir, mas demonstrou bons números ao ser o nono com mais desarmes, atingindo 26 no total durante o Brasileirão 2019 nos 17 jogos que disputou. Geralmente, ao recompor, Toró ocupa uma posição pelo lado do campo quando são formadas duas linhas, ficando responsável pela cobertura do lateral.

Ainda assim, tem falhado ao ceder espaços para infiltrações dos adversários no seu setor. Com transição mais lenta, permite aos meio-campistas rivais a brecha para criação de jogadas, comprometendo todo o sistema defensivo, seja pelas laterais ou cabeça de área, quebrando o bloco de marcação.

Extremo rubro-negro apresenta falhas na recomposição defensiva (Imagem: TV Globo)

O “SENHOR” DO DESTINO

A pacata Belém de São Francisco ficou conhecida por ser a cidade natal da personagem Maria do Carmo, interpretada por Suzana Vieira, protagonista da novela “Senhora do Destino”. A trama conta a história de uma mulher que deixou o Sertão de Pernambuco rumando ao Rio de Janeiro para encontrar um futuro melhor e estabilidade.

Roteiro que se encaixa bem na trajetória de Jonas Gabriel da Silva Nunes, o Toró. Aos 17, ele deixou sua terra em um caminhão, o famoso “Pau de Arara”, com o objetivo e o sonho de ser jogador de futebol. Depois de passar por maus bocados, mostrou que não era “só mais um Silva” e foi contratado pelo São Paulo.

Foi num dos maiores clubes do Brasil que Toró começou a se destacar. Em Cotia, conquistou cinco títulos: Copa Ouro da APF Sub-20 (2017), Copa RS Sub-20 (2017), Future Cup Sub-20 (2017), Copa do Brasil Sub-20 (2018) e Supercopa do Brasil Sub-20 (2018).

Após integrar o elenco da Seleção Brasileira Sub-20 no Sul-Americano da categoria, disputado em 2019, no Chile, Toró foi integrado ao elenco principal do Tricolor Paulista. Teve um início positivo, mas acabou perdendo espaço com a chegada de Fernando Diniz ao Morumbi. Agora, ele busca reencontrar os melhores dias no Sport.

*”O sabiá no sertão quando canta me comove. Passa três meses cantando, e sem cantar passa nove. Porque tem a obrigação de só cantar quando chove” é uma referência à música “Chover (ou Invocação para um Dia Líquido)” da banda Cordel do Fogo Encantado.

Créditos da foto principal: Rubens Chiri/saopaulofc.net

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