Emoções distintas: o que esperar taticamente de Náutico x Santa Cruz

Por: Anderson D’wirvelle e Felipe Holanda

Enquanto o Náutico busca mais uma vez consolidar o trabalho de Hélio dos Anjos, o Santa Cruz quer largar com o pé direito na estreia de Alexandre Gallo à beira do gramado. Clássico de emoções distintas acontece neste domingo (18) às 16h, nos Aflitos, pela sexta rodada do Campeonato Pernambucano.

O Pernambutático destrincha o que esperar taticamente do confronto, com principais posicionamentos táticos, estilos de jogo, jogadores para ficar de olho de ambos os lados, pontos fortes e fracos, e muito mais do duelo entre o Timbu e a Cobra Coral.

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Segue o líder. Com 100% de aproveitamento no Estadual, 20 gols feitos e cinco sofridos, time da Rosa e Silva é franco favorito. Dentro de casa, Hélio deve mandar a campo seu tradicional 4-2-3-1 com quase força máxima, tendo o retorno do zagueiro Camutanga ao lado de Ronaldo Alves na zaga. Na lateral-direita, Hereda é dúvida e Bryan pode aparece nos titulares.

Como os alvirrubros devem ir a campo (Feito no Tactical Pad)

Já a Cobra Coral, na terceira posição, mira a primeira vitória em clássicos. O recém-chegado Gallo, logo de cara, vai promover mudanças no time. Chiquinho pode ser barrado, dando lugar a Marcel, e Derley pode ser improvisado na lateral direita. Independente das peças, a base tática deve ser mantida, explorando um 4-3-3 de transições rápidas e fluidez na troca de passes.

Provável escalação inicial do Mais Querido (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA O TIMBU

Avassalador. É o adjetivo mais próximo para definir o ataque do Náutico neste início de temporada. Desde a chegada de Hélio, o Náutico se porta num 4-2-3-1 na fase ofensiva, tendo dois pontas invertidos pelos lados. E são eles as principais peças na construção ofensiva atualmente: Erick e Vinícius. A dupla é o escape na hora da velocidade, mas também têm articulado o time e ajudado com gols, sendo três de Vinícius e cinco de Erick.

Além dos extremos dando amplitude, tem o apoio dos laterais e o passe refinado de Jean Carlos. Dessa forma, o alvirrubro vem conseguindo envolver o adversário e criar chances de perigo. Não costuma precisar de muito espaço no terço final do campo, tendo um time profundo e costumeiramente veloz.

Náutico postado no 4-2-3-1 na goleada sobre o Retrô (Imagem: Rede Globo)

Pelo centro, Rhaldney dá dinâmica e chegada, já que ao lado de Djavan ele tem muito mais liberdade. Tem formado um trio interessante pela direita com Erick e Hereda. O lateral, por sua vez, reencontrou o bom futebol com Hélio dos Anjos, mas sentiu um desconforto e não tem presença garantida ante os corais.

COMO ATACA A COBRA

Se o Náutico tem profundidade, o Santa Cruz peca justamente neste quesito. Em seu primeiro jogo à beira do gramado, o novo comandante busca implantar um estilo de jogo de agilidade, mas não terá tempo hábil para o clássico diante do ex-clube – Gallo já defendeu o Náutico em três ocasiões: a primeira em 2010, a segunda entre 2012 e 2013, e a última em 2016.

Tendo a bola, Gallo deve apostar em amplitude e velocidade, explorando um 4-3-3. Com Brigatti, a trinca ofensiva foi bem perceptível e é uma herança que deve ser mantida. A tentativa de dar mais velocidade justifica a possível entrada de Marciel no lugar de Chiquinho, por exemplo.

Corais no 4-3-3 em das poucas vitórias tranquilas na temporada, sobre o Ypiranga-AP (Imagem: Sportv/Premiere)

Apesar das semelhanças, Gallo tem seu próprio estilo. E tende a ser mais reativo que Brigatti, que preferia ter a posse e iniciar a construção lá de trás. A estratégia pode ocasionar em mais ligações diretas, já que o Náutico costuma controlar o jogo e deve ter a maior porcentagem de posse.

COMO DEFENDE O TIMBU

Se o ataque alvirrubro vai bem, o sistema defensivo também vem dando conta do recado. O modelo de jogo do Náutico na defesa é bem definido. O Timbu se organiza defensivamente com duas linhas com quatro, tendo Jean e Kieza fazendo sombra nos volantes adversários.

Timbu com duas linhas de quatro no início da temporada (Imagem: TV Timba)

Ronaldo Alves e Rafinha têm sido um ponto fraco pelo lado esquerdo da defesa. O lateral ataca bastante, tem liberdade com Hélio, mas está pecando na recomposição, por isso é um ponto fraco da defesa. Também tem sido, porque o seu “cobertor” não tem funcionado na função, justamente Ronaldo Alves.

COMO DEFENDE A COBRA

No quesito defesa, a estrutura é a mesma. Gallo deve manter a proteção defensiva, se defendendo com variação para o 4-4-2 e o 4-5-1, a depender do ensejo. Formando uma linha de quatro e outra de cinco, Caetano recuaria para auxiliar na recomposição, ficando entrelinhas.

Ferrolho defensivo do Santa diante do Fortaleza (Imagem: Fox Sports)

Os volantes, inclusive, são primordiais no posicionamento defensivo, seja cobrindo os lados ou por dentro. A compactação tende a ser ainda mais clara com a improvisação de Derley na lateral-direita, algo que Gallo já utilizou com frequência em seus tempos de Náutico.

Fechadinho lá atrás, o Mais Querido falha muito em transições, geralmente deixando espaços, e por isso vem “cambaleando” na temporada até aqui. Além disso, já se mostrou frágil quando surpreendido pelo adversário em contra-ataques. É um ponto negativo.

PARA FICAR DE OLHO: NÁUTICO

Rhaldney (VOL/MEIA): Principal volante do elenco, é a base alvirrubra. Se ele vai bem, é meio caminho andado pro time funcionar. Rhaldney já mostrou que tem qualidade em passes e desarmes, além de um bom senso de posicionamento nas transições.

Erick (MEIA/ATA): Com cinco gols e uma assistência em seis jogos, Erick também inicia bem a temporada. Dribles da direita pra dentro são a principal característica do jovem atacante, além de um bom desempenho nas finalizações.

PARA FICAR DE OLHO: SANTA CRUZ

Jordan (GOL): A única unanimidade no Arruda neste início de temporada. Acumulando grandes atuações, Jordan não vem se intimidade – pelo contrário – com a titularidade e o destaque técnico com sobras. Também tem boa uma saída para o jogo.

Madson (MEIA/ATA): Entrou bem nos últimos jogos e é uma boa válvula de escape pelos lados. Madson costuma levar vantagem no 1 x 1 e já mostrou ser útil ao time, apesar de ainda não ter balançado as redes com a camisa coral.

HISTÓRICO DAS EMOÇÕES

Rivais de longa data. Separados por pouco mais de dois quilômetros (a distância exata dos Aflitos para o Arruda é de 2,4km), Náutico e Santa se conhecem há séculos. Em 529 jogos, vantagem para a Cobra Coral, com 203 vitórias contra 169 dos alvirrubros, além de 156 empates. Um jogo tem resultado desconhecido.

O primeiro capítulo da rivalidade aconteceu em junho de 1917, quando os tricolores venceram por 3 x 0. Já as maiores goleadas do clássico contam com um 5 x 0 para cada lado. O Timbu fez sua festa em 1944 e a Cobra Coral pagou na mesma moeda 47 anos depois, em 1991, ambas nos Aflitos.

Créditos das foto principais: Caio Falcão/Náutico e Rafael Melo/Santa Cruz

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