Da união de quatro letras mágicas: Kuki 50 anos

Por: Felipe Holanda

Kuki, Hexa, Bita, Bizu… A história do Náutico sempre esteve marcada pela união de quatro letras mágicas. Ídolo inquestionável na Rosa e Silva dentro e fora de campo, o baixinho é artilheiro do futebol pernambucano no Século e até hoje dá sua contribuição ao Timbu.

O Pernambutático ouviu o próprio Kuki, que completa aniversário de 50 anos nesta sexta-feira (30), para resgatar grandes momentos da sua gloriosa carreira. Relembre posicionamentos táticos, números, principais características, e muito mais sobre o goleador alvirrubro.

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“Ser uma bandeira de um clube como o Náutico é muito importante. A gente tem que semear coisas boas, porque empates, derrotas e vitórias é algo normal na vida de um jogador. Mas é importante fazer história. Tenho um carinho muito grande, amo o clube e sou torcedor há 20 anos. É aí que você vê que todo o seu esforço não foi em vão”

Kuki, em entrevista ao Pernambutático

2001 – PRIMEIROS PASSOS DO ARTILHEIRO ENFEZADO

Kuki é sinônimo de raça. Goleador nato, sabia o caminho das redes como poucos e não se intimidava diante de zagueiros rivais. No Timbu, está entre os quatros maiores artilheiros da história, tendo feito 179 gols, atrás apenas de Baiano (181), Fernando Carvalheira (185) e Bita (223).

Em 2001, ainda pouco conhecido, Kuki mostrou virtudes de um ídolo e caiu nas graças do torcedor alvirrubro em pouco tempo. Taticamente, ia bem nas três principais funções do 4-3-3 no ataque, seja na referência ou aberto por um dos lados. Além da velocidade, se posicionava bem entre os marcadores, abrindo espaços para a chegada dos companheiros, em especial Thiago Tubarão.

Trinca ofensiva do Timbu em 2001 (Imagem: Globo)

“Tive grandes companheiros aqui no Náutico e sempre que posso falo muito bem deles. Não só o Thiago, mas muitos outros. Fico muito feliz com isso e o Náutico é um clube muito importante na minha vida até hoje”

Kuki, em entrevista ao Pernambutático

Mas o prato principal era, de fato, o gol. Não a toa, Kuki foi artilheiro do Campeonato Pernambucano de 2001 com 14 bolas nas redes – empatado com Rodrigo Gral, do Sport. Aquele ataque impunha respeito, com peças como Edil, o “Highlander”, e Alberto, além dos supracitados Kuki e Thiago. Em algumas ocasiões, como diante do Vitória na véspera do aniversário de 100 anos, o Náutico apostava num esquema com três atacantes, tendo Marcelo Passos na criação.

2004 – O “CARROSSEL” ALVIRRUBRO

O goleador caía mais pela esquerda, mesmo quando atuava na referência. Roubando as atenções da zaga, geralmente deixava alguém desmarcado. A bola da vez em 2004, no título Pernambucano contra o Santa Cruz, foi Jorge Henrique. Kuki sequer precisou tocar na bola e o Timbu botava uma mão na taça com dois gols de vantagem – no fim, o gênio das quatro letras ainda fechou a conta, 3 x 0, e o caneco a caminho dos Aflitos.

Lance do segundo gol alvirrubro na final de 2004 (Imagem: Globo)

Comandado por Zé Teodoro, o carrossel alvirrubro formava um 4-2-3-1 como base tática, tendo Marco Antônio, o maestro, pensando em jogo e ditando o ritmo, além de volantes que davam liberdade para a artilharia pesada alvirrubra, que também contou com o prata da casa Almir Sergipe entre os titulares, na vaga do lesionado Gil Baiano. Os laterais, principalmente Marquinhos pela esquerda, também apoiavam bem.

Escalação da final de 2004 sem Gil Baiano (Feito no Tactical Pad)

“Em 2004, eu tinha 33 anos e aprendi muito com o Marco Antônio, que tinha apenas 18. Acho que é muito importante você escutar conselhos e buscar sempre o melhor. Ele (Marco) veio de São Paulo e me ensinou muita coisa importante, como melhorar a batida na bola, ter o momento certo de dar arrancadas. Essa troca de informações é muito importante para todo mundo”

Kuki, em entrevista ao Pernambutático

2006 – A VOLTA À ELITE

Já com feitos marcantes pelo Náutico, Kuki entrou para história mais uma vez 2006, o ano do acesso. Depois de um 2005 pungente graças à fatídica derrota para o Grêmio na Batalha dos Aflitos, o baixinho foi símbolo da retomada alvirrubra que culminou com vitória sobre o Ituano e a volta à elite do futebol nacional.

Escalação inicial dos alvirrubros diante do Galo (Feito no Tactical Pad)

Formando um 4-2-3-1, com Kuki e Felipe mais à frente, os alvirrubros tinham um ataque de impor respeito e que sobrou na Série B. Na época, o goleador foi comandado por Hélio dos Anjos, que hoje vive grande fase no comando do Timbu. Hélio foi um dos muitos treinadores icônicos com quem o baixinho trabalhou na Rosa e Silva.

Náutico marcando adiantado no começo do jogo contra o Ituano (Imagem: Globo)

“Foram grandes treinadores com quem trabalhei no Náutico. Cada um teve sua parcela de contribuição, com uma palavra, uma correção, para que eu evoluísse. Já trabalhei com o Hélio (dos Anjos, atual comandante) e ele é muito competente. Teve também o Espinosa (Júlio) que me trouxe, o Muricy (Ramalho) e eu tenho muito a agradecê-los”

Kuki, em entrevista ao Pernambutático

2007 a 2009 – PENDURANDO AS CHUTEIRAS

Depois de rápida passagem pelo Santa Cruz, sem muito sucesso, Kuki voltou ao Náutico para encerrar sua gloriosa carreira dentro das quatro linhas. Já sem o mesmo pique de outrora, o atacante foi perdendo espaço nos titulares, mas mostrou seu valor. Entre 2007 e 2009, marcou seis gols pelo alvirrubro, se despedindo como um ídolo inquestionável das duas cores.

2010 até o presente – KUKI NA COMISSÃO TÉCNICA

Pendurou as chuteiras apenas em jogos oficiais. Desde que anunciou sua aposentadoria, Kuki seguiu treinando os jogadores do elenco, deixando sua marca no ataque, agora como membro da comissão técnica do Náutico.

O baixinho ocupa o cargo até hoje e vem sendo elogiado pela atual boa fase do ataque alvirrubro, com Kieza, Erick e Vinícius sobrando no Estadual. Enquanto o primeiro é artilheiro do Pernambucano, os dois últimos vivem as fases mais goleadora de suas respectivas carreiras. É o selo Kuki de qualidade seguindo vivo até hoje.

“O mais importante é a aceitação do atleta. Ele tem que entender que a gente não está falando isso ou aquilo para diminuir, e sim para melhorar. Fico contente de ver os atacantes indo bem, como o Vinícius. Ele é um cara sensacional e merece tudo que vem conquistando aqui no Náutico”

Kuki, em entrevista ao Pernambutático

Com Kieza, Vinícius, Erick e Jean Carlos, além do apoio constante dos laterais, o atual Náutico aposta num 4-2-3-1 de muita movimentação nas últimas linhas. Não por acaso, o Timbu tem o ataque mais positivo do Pernambucano 2021, com 24 gols em oito jogos.

Compactação ofensiva do Timba em 2021 (Imagem: Globo)

Referências:

Reis do futebol em Pernambuco: goleadores  / Carlos Celso Cordeiro, Lucídio José de Oliveira e Roberto Vieira. Olinda: Livro rápido, 2014.

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