Bolívar versus China: o que esperar taticamente de Santa Cruz e Afogados

Por: Felipe Holanda

Vários “idiomas” e um mesmo objetivo: as semifinais do Campeonato Pernambucano. Enquanto Bolívar busca sua primeira vitória no Santa Cruz, Sérgio China quer consolidar trabalho e levar o Afogados ao Top 4. Confronto acontece nesta quarta-feira, (5) às 21h, no Arruda, em jogo único, pelas quartas de final.

Nesta análise, o Pernambutático destrincha o que esperar taticamente do confronto entre a Cobra Coral e a Coruja, com principais movimentações táticas, prováveis escalações, números, e muito mais. Quem se classificar no duelo encara o Náutico em uma das semifinais, na Arena de Pernambuco.

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Na escalação tricolor, Bolívar deve promover novidades. O lateral-direito Digão e o atacante Héctor Bustamante farão suas estreias como titulares. Com eles, o técnico coral mantém o 4-3-3 como base tática, explorando o apoio dos laterais para apostar em transições rápidas e um sistema defensivo sólido.

Provável formação inicial tricolor, com Diego e Bustamante no time (Feito no Tactical Pad)

Já Sérgio China, ex-jogador do Arruda, tem força máxima na Coruja. Conta, inclusive, com os retornos dos atacantes Piauí (lesão) e Bravo (suspensão) diante da Cobra. O primeiro deles deve ser titular no 4-3-3 com flertes rápidos ao 4-2-3-1 de China, com toques médios e curtos.

Como os sertanejos devem iniciar o jogo (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA A COBRA

Ainda é cedo para falar, mas o Santa se mostra um pouco mais incisivo no ataque após a chegada de Bolívar. Explorando um 4-3-3 munido de muita amplitude, os corais vêm conseguindo encontrar espaços, como aconteceu diante do Retrô, com vitória por 3 x 2 som o comando interino de Roberto de Jesus.

Investida tricolor no ataque (Imagem: Sportv/Premiere)

“O Afogados é uma equipe que fecha muito a parte central do campo, tivemos dificuldade para achar esse passe por dentro. Quando tivemos a calma para trabalhar, criamos algumas situações. Fomos um time organizado quando tínhamos essa transição. Faltou um pouco mais de calma no último passe para termos uma condição melhor e prepararmos essa jogada, servindo o companheiro”,

Bolívar, treinador do Santa Cruz

Flutuando entrelinhas e trocando constantemente de posição, Chiquinho é o coração do meio de campo do Mais Querido. Costuma criar a maioria das jogadas, mas também tem potencial para um arremate de média e longa distância, geralmente acertando o alvo com sua canhota calibrada.

Com 12 gols marcados em nove jogos, a Cobra tem o quarto ataque mais positivo do Pernambucano, atrás de Retrô (15), Sport (16) e Náutico (24) e empatado com o Vera Cruz. O artilheiro do time no certame é o lateral-esquerdo Eduardo, que foi às redes em três ocasiões. Chiquinho e Léo Gaúcho, com dois tentos cada, vêm logo atrás.

COMO ATACA A CORUJA

Movimentação é a palavra-chave do ataque afogadense. Variando entre o 4-2-3-1 e o 4-3-3 com a posse, a equipe de Sérgio China não precisa de muitos toques na bola para agredir o adversário, tendo o apoio intenso e constante dos laterais na progressão.

Afogados em investida pela direita (Imagem: Premiere)

“Acho que o segredo das boas atuações não foi só para as equipes grandes, mas sim um planejamento que a gente tinha para essa competição. Conseguimos organizar e formar uma equipe. Temos um sistema defensivo forte e aos poucos vou ajustando o ataque que tem tudo pra evoluir”

Sérgio China, treinador do Afogados

A construção ofensiva da Coruja passa diretamente por dois nomes em especial: Fauver Frank e Vinícius Vargas. A dupla, atuando aberta pelos lados, vem sendo fundamental. Enquanto Frank é mais perigoso nas finalizações em gol, Vargas contribui bem na condução de bola, geralmente deixando os companheiros em boas condições para o arremate.

Com nove gols feitos em nove jogos, média de um a cada 90 minutos, o Afogados tem o ataque menos positivo entre os classificados para o mata-mata. Desses, quatro foi assinalados por Frank, artilheiro do time no Pernambucano. Vargas, Jordan, Índio, Gabriel e Piauí têm um tento cada.

COMO DEFENDE A COBRA

A primeira grande missão de Bolívar no Arruda é dar mais solidez ao sistema defensivo coral. Marcando no 4-3-3 com três volantes na segunda linha, Augusto César, Elicarlos e Derley, a equipe mostrou certa evolução no empate com o próprio Afogados, quando não foi vazada pela terceira vez no Estadual – antes, não tinha sofrido gols contra Vitória e Salgueiro.

Santa se compactando na defesa (Imagem: Premiere)

Se organizando defensivamente, os extremos são primordiais na recomposição, principalmente Madson pela esquerda. Ele tem uma boa cobertura e consegue segurar as subidas de Eduardo pelo setor, enquanto Augusto César dá suporte a Pillegi na direita. Assim, a equipe pode performar um 4-5-1 para conter as investidas rivais.

Acumulando nove gols sofridos em nove jogos, o Santa é dono da quarta defesa menos vazada, atrás de Afogados (sete) e Sport (quatro) e empatado com o Salgueiro. Os corais apresentaram falhas na dupla de zaga, lacuna que parece ter sido resolvida após o prata da casa Júnior Sergipano se firmar como titular.

COMO DEFENDE A CORUJA

Defesa padronizada. Com um modelo definido, o Afogados costuma se defender formando duas linhas de quatro, com os homens de frente pressionando os volantes rivais com marcação em bloco médio/alto na tentativa de recuperar a posse de bola.

Outra alternativa, a depender do resultado do jogo, é se fechar no 4-5-1 para preencher o meio de campo e tentar fechar as brechas pelas laterais. Dessa forma, Frank e Vargas auxiliam na recomposição, com apenas o centroavante ficando mais adiantado.

Compactação afogadense na defesa (Imagem: Premiere)

Com apenas sete gols sofridos no Estadual, a Coruja ostenta a segunda defesa menos vazada do certame, sendo superando só pelo Sport, que sofreu quatro. Para se ter uma ideia, o Náutico, time de melhor campanha na primeira fase, foi vazado 11 vezes.

DESTAQUES INDIVIDUAIS DO SANTA CRUZ

Jordan (GOL) – O mais regular do time nesta temporada conturbada. Vindo de atuação impecável no Vianão diante do próprio Afogados, Jordan dá segurança ao sistema defensivo e se sai muito bem debaixo das traves. Não é muito efetivo na construção ofensiva, mas compensa com algumas ligações diretas.

Chiquinho (MC) – O garçom coral. Com sete assistências na temporada, Chiquinho é quem dita o ritmo do jogo e costuma deixar os companheiros na cara do gol. Além dos passes, também tem quatro tentos marcados, sendo o homem das bolas paradas. Se desmarcado, pode desequilibrar a favor do Mais Querido.

DESTAQUES INDIVIDUAIS DO AFOGADOS

Vargas (PD/MC) – O motorzinho do time sertanejo. Com habilidade e senso de bola, Vinícius Vargas é fundamental na progressão de posse e tem um passe calibrado com a perna esquerda. Tende a cair mais pela direita, além de fechar para dentro. Tem um gol marcado neste Campeonato Pernambucano.

Frank (PE/CF) – Apesar de não jogar sempre centralizando, cobrindo a esquerda, Frank é o artilheiro da equipe no Estadual com quatro gols. O atacante não costuma perder chances claras e tem um bom aproveitamento nas finalizações, além de levar vantagem contra a marcação no 1 x 1.

Créditos das fotos principais: Rafael Mello/Santa Cruz e Reprodução/TV Coruja

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