A experiência de Hélio e a juventude de Bolívar: o que esperar de Náutico x Santa Cruz

Por: Felipe Holanda

De um lado, o experiente e longevo Hélio dos Anjos. Do outro, o jovem Bolívar, que promete conceitos inovadores. Os técnicos são dois dos protagonistas do Clássico das Emoções entre Náutico e Santa Cruz, marcado para este domingo (9), na Arena, valendo vaga na grande decisão do Campeonato Pernambucano.

Nesta análise, o Pernambutático destrincha o que esperar taticamente do confronto entre o Timbu e a Cobra Coral, com principais movimentações táticas, prováveis escalações, a opinião dos treinadores, números, e muito mais. O vencedor no tempo normal fica com a vaga. No caso de empate, o classificado será decidido nos pênaltis. Quem passar enfrenta o vencedor de Sport e Salgueiro na final, em sistema de ida e volta.

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Para o jogo mais importante da temporada, Hélio vai com a defesa renovada após derrota por 3 x 0 diante do Sport, no Clássico dos Clássicos. O contestado Ronaldo Alves dará lugar a Wagner Leonardo, que formará dupla com Camutanga, mantendo o esqueleto do 4-2-3-1 alvirrubro, com flertes rápidos ao 4-3-3.

Provável formação inicial dos alvirrubros (Feito no Tactical Pad)

Pelo lado coral, Bolívar também mantem a base que vem dando resultados, explorando um 4-3-3 de passes longos e médios. Uma novidade pode ser a entrada de Karl, que havia deixado o clube, mas foi reintegrado ao elenco e deu conta do recado contra o Afogados. No mais, o time é o mesmo que eliminou a Coruja, nos pênaltis, pelas quartas de final. Outra possibilidade é a utilização de três zagueiros, com a estreia de Breno Calixto.

Como os corais devem iniciar o clássico (Feito no Tactical Pad)

TAL COMO VINHO

Com mais de três décadas à beira do gramado, sendo três passagens pelo Náutico, Hélio é como vinho: envelheceu bem. Experiente, vem se modernizando de acordo com a atualidade, mas sem perder a essência. Nos Aflitos desde o ano passado, tem o time na mão, geralmente bem compactado na defesa e no ataque, formando um 4-2-3-1 como base.

Atacando, a principal característica do Timbu é velocidade na transição, explorando a trinca nas últimas linhas, formada por Erick, Jean Carlos e Vinícius – Kieza é a referência ofensiva. Além deles, Rhaldney, que vem jogando como segundo volante à frente de Djavan, participa diretamente da progressão de posse alvirrubra. Assim, a formação se assemelha mais a um 4-3-3, contando com as chegadas dos laterais.

Movimentação ofensiva do Timbu (Imagem: Globo)

“A vantagem é jogar em casa, mas, sem torcida não é vantagem, qualquer um joga em qualquer lugar. Temos que ser muito fortes e continuar com a confiança alta. Não podemos deixar de acreditar. Minha função, num momento como esse, é, sim, cobrar, mas, acima de tudo, enaltecer os feitos positivos deles e dar confiança para que a gente vá para essas decisões bem melhores do que acabamos o jogo (contra o Sport). E nós iremos. Pode ter certeza disso”

Hélio dos Anjos, técnico do Náutico

Já a defesa vem sendo o grande calo do Náutico em 2021. Na derrota para o Sport, o time mostrou fragilidades se defendendo no 4-2-3-1 – vale destacar que alguns titulares, como Camutanga, foram poupados e não enfrentaram o Leão. O setor que mais preocupa Hélio, todavia, é a lateral.

Timbu tentando se compactar na defesa (Imagem: Globo)

Há outro sinal de alerta nas bolas paradas. Somente nos dois últimos jogos, três gols surgiram dessa forma, sendo dois contra o Sport e um a favor do Afogados. Erros que Hélio precisa corrigir antes que seja tarde. O técnico já chegou a utilizar uma linha de cinco, mas não com tanta frequência.

“Nós tomamos dois gols de bola parada. O terceiro gol, na minha visão, é ridículo tomar um gol daquele. Em termos de posicionamento, em termos de movimentação. Então, erramos, pagamos caro. Só que nós vamos buscar os acertos. E essa é a minha responsabilidade sempre”

Hélio dos Anjos, técnico do Náutico

MODERNO E SONHADOR

Com apenas três anos de carreira e ainda em busca do primeiro título, Bolívar sonha em fazer história no Mais Querido. O cenário, a priori, é promissor. Desde sua chegada, a equipe coral passou ter mais organização ofensiva e objetividade com a bola nos pés, utilizando um 4-3-3 agudo.

Neste esquema de Bolívar, além de marcar, os volantes são primordiais: enquanto um precisa defender bem, o outro distribui o jogo. A dupla que vem sendo utilizada e deve ser mantida conta com Derley e Elicarlos revezando de posições, mas deixando a desejar na construção ofensiva. Em algumas ocasiões, o treinador chega a forma uma linha de cinco para auxiliar na construção.

Investida do Santa após a entra de Karl (Imagem: Premiere)

“Acho que a classificação (contra o Afogados, nas quartas de final) foi merecida pela equipe que propôs o jogo o tempo todo. O Santa Cruz acabou iniciando a partida já buscando o gol e fez isso até o final. Acabamos evoluindo muito nessa questão, o que não aconteceu no último jogo. Estou muito feliz, a equipe desempenhou um bom papel”

Bolívar, técnico do Santa Cruz

O grande trunfo de Bolívar até aqui é a solidez que a defesa apresenta. Há dois jogos sem ser vazada, a equipe dá indícios de mais organização tática e linhas bem definidas. Quando atacado, a principal aposta é utilizar um 4-1-4-1 preenchendo o meio de campo, além de fechar o espaços pelas laterais. De quebra, ganha velocidade para um possível contra-ataque em caso de desarme.

Tricolor fechado na defesa (Imagem: Premiere)

Outro alternativa pode ser o 4-5-1, mais retraído, caso a Cobra tenha vantagem no placar. Ex-zagueiro, Bolívar costuma usar sua experiência, agora à beira do gramado, e vem colhendo bons frutos no Mais Querido, que é dono da terceira defesa menos vazada do Pernambucano, com nove gols.

“O Náutico tem uma equipe que fez um grande primeiro turno, com grande volume de gols. Mas o Santa, desde quando assumimos, não sofreu um gol ainda (em dois jogos). Geralmente as equipes onde eu trabalho são equipe que têm um sistema defensivo muito forte. Sei que essa solidez defensiva dá uma sustentação para que a gente possa ter uma equipe equilibrada. Vai ser um grande duelo entre uma equipe que marcou muitos gols com uma equipe com uma nova construção, com um grande sistema, para que a gente possa fazer um grande duelo”

Bolívar, técnico do Santa Cruz, sobre o Náutico

PARA FICAR DE OLHO – NÁUTICO

Camutanga (ZAG) – O xerife alvirrubro. Dono da posição na zaga, Camutanga faz um ano muito regular com a camisa do Náutico. Atuando como zagueiro pela direita, mostrou que que é um dos alicerces do sistema defensivo de Hélio, com bom aproveitamento nas coberturas e também nos desarmes.

Rhaldney (VOL/MEIA) – Rhaldney é quem dita o ritmo da posse Timbu. Jogando um pouco mais adiantando em 2021, como segundo volante, o prata da casa alvirrubro provou ser útil tanto na defesa como no ataque, ostentando um ótimo aproveitamento de passes certos.

Kieza (ATA) – Artilheiro do Pernambucano com sete gols, Kieza vive ótima temporada na Rosa e Silva. Geralmente atuando centralizado no ataque, é um perigo constante à marcação adversária, seja servindo os companheiros ou tentando a finalização. A equipe de Bolívar deve dar uma atenção especial ao goleador.

PARA FICAR DE OLHO – SANTA CRUZ

Jordan (GOL) – Herói da classificação sobre o Afogados, Jordan é o destaque do Santa na temporada. Com sobras, o mais regular do elenco. O goleiro sabe se posicionar bem e acumula defesas importantes, além de ser útil no início da construção de jogadas. Faz, em média, duas defesas importantes por jogo.

Eduardo (LAT) – A lateral-esquerda é o setor mais bem servido da Cobra. Alan Cardoso se lesionou e Eduardo pediu passagem para se tornar o artilheiro do time no Pernambucano, com três gols marcados. É forte no apoio, seja servindo os companheiros ou tentando o arremate de média/longa distância.

Chiquinho (MC) – O cérebro coral. Chiquinho pensa o jogo e sai dos pés dele a maioria das jogadas de ataque, seja com bolas longas, médias ou curtas. Caindo pela esquerda, costuma defender no 4-4-2. No ataque, leva perigo tendo a posse, com chutes precisos e nas bolas paradas, também sendo o garçom do time.

*Com informações de Anderson D’wirvelle

Créditos das fotos principais: Caio Falcão/Náutico e Rafael Melo/Santa Cruz

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