A final das finais: relembre taticamente grandes jogos entre Náutico x Sport no século

Por: Felipe Holanda

Finalistas do Campeonato Pernambucano, Náutico e Sport travam uma rivalidade que ultrapassa gerações de alvirrubros e rubro-negros. Só no século XXI, os arquirrivais protagonizaram duelos que marcaram época e dão um tempero a mais para o Clássico dos Clássicos que decide o título Estadual de 2021, com jogo de ida marcado para este domingo (16), na Arena de Pernambuco.

Em preparativos para a grande decisão, o Pernambutático resgata cinco confrontos marcantes entre o Timbu e Leão neste recorte. Relembre grandes emoções, com posicionamentos de cada time, formações táticas, estilos de jogo dos treinadores, e muito mais.

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Míssil teleguiado – Sport 1 x 2 Náutico 2001

O grande nome da vitória alvirrubra em 2001 foi o de Adilson. Comandado por Muricy Ramalho e formando algo bem próximo 4-2-2-2, o Timbu venceu por 2 x 1 com o “Bigode” fazendo o gol da vitória. Gol não, diga-se. Uma verdadeira pintura na Ilha do Retiro. O arremate certeiro em cobrança de falta vencia o goleiro Neneca e deixava o Timbu vivo na luta pelo título do Primeiro Turno, que foi concretizado dias depois.

Formações iniciais do Timbu e do Leão (Feito no Tactical Pad)

Outra faceta dos alvirrubros era formar um 4-3-3, com Thiago Gentil, Kuki e Alberto na frente. Saiu dos pés de Thiago, inclusive, o primeiro gol do jogo. A zaga rubro-negro deu muito espaço à esquerda e o ataque Timbu fuzilou Neneca de perna esquerda após passe açucarado de Wallace, que fazia a ligação entre o meio e o ataque, com Adilson e Marcelo Fernandes na contenção.

O Tubarão goleador (Imagem: Globo)

Já o Leão respondia no mesmo 4-2-2-2 que variava o tempo todo para o 4-3-3, com Eduardo Marques se aproximando dos homens de frente. Numa dessas aproximações, o meia serviu Rodrigo Gral, artilheiro do campeonato (empatado com Kuki), que pegou de primeira e deixou tudo igual. O Sport seguiu atacando e só não virou graças à ótima atuação do goleiro Gilberto, um dos destaques da campanha que culminaria com o título Estadual, no ano do centenário.

O gol de empate dos leoninos (Imagem: Globo)

O gol de Adilson, a cereja do bolo, é certamente o mais bonito da história do Náutico em cobranças de falta. O meio-campista acertou um chute raríssimo e de muito longe, no ângulo direito, acordando a coruja para selar o triunfo Timbu na partida que marcou a estreia de Muricy no comando.

O centenário do Clássico dos Clássicos – Sport 3 x 3 Náutico 2009

A tarde/noite em que o Clássico dos Clássico teve requintes de Clássico das Emoções. O Sport, comandado por Emerson Leão, e o Náutico, de Geninho, fizeram jogo eletrizante na Ilha do Retiro e ficaram no empate em 3 x 3. Enquanto Leão apostava num esquema com três zagueiros, Geninho explorava um 4-4-2 no ataque e 4-2-3-1 na defesa, com Carlinhos Bala mais adiantado.

As escalações do empate (Feito no Tactical Pad)

A tônica da equipe alvirrubra era transições rápidas para pegar a zaga leonina de surpresa. Foi o que aconteceu logo cedo, no primeiro gol. Postado no 4-4-2, o Timbu conseguiu o desarme com Johnny, que ergueu a cabeça e serviu Bala. O chute no canto direito de Magrão foi suficiente para abrir a contagem a favos dos visitantes.

Compactação sem a bola (Imagem: Premiere)

Já a tônica rubro-negra usar os lados do campo para atacar pelo alto. Após escanteio de Dutra, Fabiano venceu os marcadores e cabeceou para o fundo das redes de Glédson, deixando tudo igual na Praça da Bandeira, ainda no primeiro tempo.

A resposta Timbu foi na mesma moeda, as laterais. Galiardo recebeu na direita, lançou na área e o desempate nasceu outra vez dos pés de Bala, que foi derrubado na área. Na cobrança de pênalti, Gilmar bateu firme para fazer 2 x 1 e silenciar o torcedor leonino nas arquibancadas. Náutico na frente de novo.

Mas o perigo vinha do alto para os comandados de Geninho. Em duas bolas aéreas, uma com Durval e outra Guto, o Leão rugiu mais alto na Ilha e conseguiu virar o placar. No gol da virada, deixou um 3-4-3 claro, com os alas dando amplitude, principalmente Élder Granja na direita.

O segundo gol dos mandantes (Imagem: Premiere)

Quando tudo se encaminhava para um triunfo dos anfitriões, Magrão falhou e foi Bala “pra tudo que é lado”. Sem titubear, o capitão do Timba cabeceou para o fundo das redes e deu números finais ao clássico. Não faltou emoção e sobrou coração. Três pra lá, três pra cá.

Duelo tático e Leão campeão – Sport 1 x 0 Náutico 2010

A final do Campeonato Pernambucano de 2010 foi marcada pelas táticas. De um lado, Givanildo Oliveira, que abdicou do sistema com três zagueiros para agredir mais. Do outro, Alexandre Gallo, que jogou praticamente com quatro atacantes, esboçando um 4-2-4 com muitas movimentações.

Como Givanildo e Gallo escalaram seus times (Feito no Tactical Pad)

Com dois atacantes, Ciro e Leandrão, formando um 4-4-2, o Leão foi superior nos minutos iniciais e abriu o placar no primeiro tempo. Ciro bateu cruzado, Glédson espalmou e Leandrão completou para o fundo das redes: 1 x 0, resultado que dava o título aos rubro-negros de Givanildo.

Na segunda etapa, o Timbu tentou agredir mais, deixando o 4-2-4 ainda mais claro. Tinha mais posse de bola e só conseguia ser parado com falta – o Sport teve Daniel Paulista e Zé Antônio expulsos, tornando os minutos finais dramáticos.

Timbu buscou empate, mas em vão (Imagem: Globo)

Apesar do ímpeto alvirrubro, quem sorriu por último foi a equipe de Givanildo graças ao gol único de Leandrão. Até Glédson foi para a área no final, mas nem assim o Náutico conseguiu empatar o jogo e ficar com o caneco após vitória por 3 x 2, nos Aflitos, em jogo eletrizante.

Festejo rubro-negro na Rosa e Silva – Náutico 1 x 2 Sport

A Era Mazola Júnior no Sport. Formando um 4-3-3 em fase ofensiva e 4-4-2 sem a posse, a equipe chegou perto do título, mas ficou no quase. Na semifinal diante do Náutico, venceu com autoridade nos Aflitos por 2 x 1, no jogo de estreia de Alexandre Gallo.

Disposições iniciais no clássico (Feito no Tactical Pad)

Com Marcelinho Paraíba flutuando entre as últimas linhas, o 4-3-3 era ainda mais nítido no time de Mazola, tendo o camisa 10 ditando o ritmo da posse leonina. Paraíba, inclusive, abriu o placar após passe de Jheimy, ainda no primeiro tempo, enquanto o Timbu se fechou num 4-4-1-1 de linhas tortas.

Trinca ofensiva do Leão (Imagem: Globo)

O empate veio logo depois. Souza, o homem das bolas paradas, cruzou na cabeça de Ronaldo Alves, que testou para o gol: 1 x 1. Logo na seguida, pênalti para o Leão, que Gideão defendeu com o pé direito após arremate de Marcelinho.

Mas o dia era rubro-negro e, em mais uma cobrança de pênalti, Marcelinho não desperdiçou fazendo 2 x 1 e selando a classificação à final do Pernambucano de 2012 – na decisão, o Santa levou a melhor sobre o rival com triunfo por 3 x 2.

Ah! É Lisca doido – Sport 0 x 1 Náutico

Da beira do gramado aos alambrados da Ilha do Retiro. Lisca entrou para as grandes figuras do futebol pernambucano, mas de doido não tem nada. Basta ver o Náutico de 2014. Bem postado taticamente, o Timbu venceu por 1 x 0 pela Copa do Nordeste graças ao gol solo de Zé Mário, ainda no primeiro tempo.

Como o Timbu e o Leão foram para o jogo (Feito no Tactical Pad)

Lisca apostou num 4-1-2-3 com variações para o 4-3-3, marcando por pressão, além das saídas rápidas e costumeiramente letais no contra-ataque. Com João Ananias na lateral direita, saiu o gol do jogo; em passe do prata da casa, Zé Mário completou para o fundo das redes de Magrão.

O lance do gol da vitória (Imagem: Esporte Interativo)

Comandado por Geninho, que “passeou” pelos rivais, o Sport deu muito trabalho, principalmente com as investidas de Patric pela direita e Aílton distribuindo o jogo. Para sorte dos alvirrubros, Neto Baiano não estava em noite inspirada e os três pontos ficaram na Rosa e Silva para o delírio de Lisca.

*Os jogos estão listados em ordem cronológica e não por relevância

Produção: Mateus Schuler

Créditos das fotos principais: Aldo Carneiro/Pernambuco Press e Antônio Carneiro/Gazeta Press

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