Anjos e demônios: o que esperar taticamente do Náutico na final do Pernambucano

Por: Felipe Holanda

Comandado por Hélio dos Anjos, o Náutico terá que exorcizar seus próprios demônios para ficar com o título do Campeonato Pernambucano. Dono da melhor campanha geral, o Timbu vê na final contra o Sport a chance de quebrar um jejum que já dura mais de 50 anos sem vencer o arquirrival em decisões – a última vez foi na época do Hexa, em 1968, quando os alvirrubros triunfaram por 1 x 0.

O Pernambutático destrincha nesta análise o que esperar dos comandados de Hélio no Clássico dos Clássicos, com movimentações táticas, estilo de jogo, números, jogadores para ficar de olho, e muito mais da equipe da Rosa e Silva, que busca o 23º título do Estadual.

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Para a decisão, com ida marcada para este domingo (16), na Arena, Hélio fez questão de deixar o mistério no ar em relação aos titulares, mas deve manter a base que venceu o Santa Cruz na semifinal, com Bryan na lateral esquerda, explorando um 4-3-3 na posse e 4-2-3-1 sem ela. Na zaga, há também a manutenção de Wagner Leonardo formando dupla com Camutanga.

Provável formação inicial dos alvirrubros (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

Com 25 gols em dez jogos – média de 2,5 a cada 90 minutos – o ataque é o carro-chefe do Náutico de Hélio de Anjos. O time costuma ser ágil no terço final do campo, com movimentações, toques rápidos e dribles que quebram as linhas adversárias, em especial com os extremos: Erick na direita e Vinícius na esquerda.

Os pontas, além da profundidade, ajudam bem na recomposição, muitas vezes recuando para trocar passes com os laterais, tendo também as chegadas de Rhaldney para utilizar um jogo apoiado em busca de espaços na marcação rival, explorando um 4-3-3 com flertes rápidos ao 4-2-4.

Os laterais, por sua vez, são primordiais na progressão de posse, principalmente Hereda pela direita, já que Bryan deve ser improvisado na esquerda mais uma vez. O lateral-direito costuma apoiar bem e deu passe para Kieza num dos gols da vitória sobre o Santa Cruz, na Arena, por 2 x 1.

Construção ofensiva do Timbu com apoio de Hereda (Imagem: Premiere)

“Futebol não tem passado, futebol é momento. Nós sabemos daquilo que temos que fazer. Por coincidência é o Sport (na final) e se a gente ganhar podemos dar um fim a esse tipo de coisa, que se cria lá fora. Aqui dentro (time) não se discute isso. Não trazemos essa pressão pra isso”

Hélio dos Anjos, técnico do Náutico

O cara do ataque, inclusive, é Kieza. Com nove gols marcados, o K-9 é sempre um perigo constante e vem com o faro de gol apurado. Joga na referência, mas também tem capacidade para abrir pelos lados e servir – ou abrir espaço para – os companheiros, seja Vinícius, Erick, Jean Carlos e até Rhaldney.

COMO DEFENDE

A defesa é o calo do Náutico de Hélio. Com 12 gols sofridos, a equipe geralmente aposta em duas linhas de quatro, variando entre o 4-4-2 e o 4-2-3-1. Por outro lado, após a entrada de Wagner Leonardo, o sistema defensivo ficou mais sólido, deixando claro a estratégia de perde/pressiona.

O 4-2-3-1 é mais nítido quando o Timbu está em vantagem. Recompondo com amplitude e o mesmo tempo fechando o “funil”, o objetivo é dificultar ao máximo possível a troca de passes do rival e ter escape para saídas no contra-ataque, com Erick e Vinícius pelos lados.

Compactação defensiva dos Timbus (Imagem: Premiere)

“No futebol se fala muito de surpresa. Mas o que interfere mesmo é qualidade e inteligência, a capacidade de transferir o que é feito nos treinos para os jogos. Meu trabalho é gerir esse sonho dos atletas de ser um grupo vencedor pelo Náutico”

Hélio dos Anjos, técnico do Náutico

PARA FICAR DE OLHO

Hereda (LD) – Hereda voltou a se firmar entre os titulares por mérito. Teve atuação de destaque diante do Santa Cruz na semifinal, seja auxiliando na progressão de posse ou guardando posição para conter as investidas rivais. É o melhor lateral-direito do campeonato, se levar em conta a regularidade.

Rhaldney (VOL/MEIA) – O coração pulsante do time. Por vezes, o cérebro. Rhaldney vem atuando como segundo volante e liga as transições alvirrubras com maestria, sendo um dos mais acionados do jogo de posse alvirrubro, além de ser preciso nos desarmes.

Kieza (ATA) – O artilheiro nunca morre. Com uma ótima média de gols no Estadual, o K-9 é o destaque ofensivo da equipe de Hélio e não costuma desperdiçar muitas chances de ir às redes. Merece uma atenção especial de Umberto Louzer.

Créditos da foto principal: Tiago Caldas/CNC

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