O anjo e o espírito santo: o que esperar taticamente de Náutico e Sport na final

Por: Felipe Holanda e Mateus Schuler

A fé não costuma falhar. No entanto, apenas um será contemplado com o título do Campeonato Pernambucano. O Náutico de Hélio dos Anjos tem a vantagem de decidir dentro de seus domínios, enquanto o Sport de Umberto Louzer, nascido em Vila Velha, no Espírito Santo, quer erguer a taça na casa do arquirrival. A grande decisão acontece às 16h deste domingo (23), nos Aflitos.

Nesta análise, o Pernambutático destrincha o que esperar do confronto entre o Timbu e o Leão, com principais movimentações táticas, prováveis escalações, a opinião dos treinadores, números, e muito mais. O vencedor no tempo normal fica com o caneco e, em caso de um novo empate, o campeão será decidido nos pênaltis.

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ESCALAÇÃO DA FINAL – NÁUTICO

Satisfeito com o desempenho do time e sem desfalques imediatos, Hélio deve manter a escalação das últimas partidas, com Bryan improvisado na lateral esquerda. O zagueiro Wagner Leonardo, autor do gol alvirrubro no jogo de ida, tem presença garantida na defesa, formando dupla com Camutanga, explorando o 4-2-3-1 como tática base.

Provável formação do Náutico (Feito no Tactical Pad)

ESCALAÇÃO DA FINAL – SPORT

Do outro lado, Louzer não deu nenhuma pista em relação aos titulares. A grande incógnita fica por conta da referência ofensiva: Mikael e Tréllez disputam a vaga. O prata da casa leonino ficou de fora da primeira partida e o colombiano, que não deu conta do recado, deve ser sacado. Já no meio, Thiago Neves e Thiago Lopes brigam pela titularidade no 4-2-3-1 rubro-negro.

Possível equipe do Sport, com a dúvida na criação de jogadas (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA O TIMBU

Intensidade é a palavra-chave do ataque do Náutico em 2021. A equipe costuma valorizar a posse de bola, sem dar chutão e explorando passes curtos e médios, tendo a participação dos homens de meio campo, dos pontas e dos laterais. Com a posse, varia entre o 4-2-3-1 e o 4-3-3, podendo formar um 4-2-4 para segurar os laterais adversários lá atrás.

Postura ofensiva dos alvirrubros (Imagem: Globo)

O time tende a construir seu jogo pelos lados, com as subidas de Erick e Vinícius – Kieza, a referência ofensiva, também abre em algumas situações para “alargar” o campo a favor dos alvirrubros. Além de armar o jogo, os extremos também têm qualidade para tentar o arremate de média distância, principalmente Erick, que quase marcou na ida, mas Maílson defendeu.

“O Náutico está muito feliz em chegar nessa final e chegamos bem. Trabalhamos forte durante a semana e estamos preparados. Vamos respeitar o adversário porque o adversário (Sport) merece esse respeito. Mas acima de tudo, estamos com um trabalho consistente e vamos chegar forte na final”

Hélio dos Anjos, técnico do Náutico

Com 27 gols marcados, o Timbu é dono do melhor ataque do Estadual com sobras. Já mostrou que não precisa de muitos toques na bola para chegar à zona de arremate, variando de finalizador, mas sempre mantendo a rigidez ofensiva; na ida, saiu atrás no placar, mas chegou ao empate e quase virou, tendo um gol anulado pelo árbitro de vídeo e pelo menos duas boas chances perdidas.

COMO ATACA O LEÃO

Assim como o arquirrival, o Sport é intenso ao atacar, porém tem passado por oscilação num recorte recente. Se em alguns jogos no Estadual mostrou letalidade, noutros deixou a desejar, pecando pela falta de criatividade e na pontaria. Para tentar dificultar a vida de Hélio, Louzer faz mistério no ataque.

“Quem vai jogar já sabe. O atleta que irá jogar já sabe, tem treinado conosco. Eu por costume tenho passado isso até para que o atleta possa se preparar melhor e levar a campo aquilo que a gente espera dele. E aquilo que ele tem de potencial”

Umberto Louzer, técnico do Sport, sobre utilizar Mikael ou Tréllez

O 4-2-3-1 de base é visto no setor ofensivo, principalmente com Júnior Tavares recuando para dar amplitude pelos extremos. Outra opção, inclusive usada mais frequentemente, é o 4-1-2-3, que faz Tavares cair como armador e os jogadores da beirada viram pontas, sendo apoiados pelos laterais; em algumas ocasiões, pode variar para o 4-2-4.

Investida leonina na semifinal diante do Salgueiro (Imagem: Premiere)

Uma alternativa ainda é jogar de maneira mais reativa. Como apenas a vitória no tempo normal dá o título ao Leão, Louzer pode formar até um 4-4-2 quando tiver a posse, tentando confundir a marcação alvirrubra ao alternar na criação, seja abrindo pelos lados ou tentando infiltração dos meio-campistas.

COMO DEFENDE O TIMBU

Por valorizar a posse, o Náutico já encontrou alguns problemas defensivos neste Pernambucano – foi vazado em nove dos 11 jogos que disputou, passando em branco apenas contra Central e Sete de Setembro, na primeira e segunda rodada, respectivamente. No total, foram 13 bolas nas redes de Alex Alves, um dos mais questionados pelo torcedor alvirrubro.

Sem a bola, o Timbu de Hélio aposta em uma marcação adiantada tendo o 4-2-3-1 como base. Enquanto Vinícius e Erick preenchem as bordas, Kieza e Jean Carlos fecham o “funil” na tentativa de dificultar a construção de passes do rival. Geralmente consegue, tendo os volantes, Rhaldney e Djavan, vivendo grande fase.

Marcação alta dos alvirrubros (Imagem: Globo)

“Foi uma semana cheia já que na última (semana) tivemos as fortes chuvas. Fizemos o trabalho com muito empenho e dedicação para acertar alguns detalhes. Mostrei um vídeo de 40 minutos aos atletas sobre coisas que deixamos de fazer no jogo passado. Nós temos o nosso modelo de jogo, mas eu tenho que dar estímulo para o melhor dos atletas”

Hélio dos Anjos, técnico do Náutico

COMO DEFENDE O LEÃO

Melhor defesa do campeonato. É com essa pompa que o Sport chega para tentar garantir mais um título diante do Timbu. A insegurança apresentada na ida foi reconhecida pelo técnico rubro-negro, que já pensou em como fazer para corrigir os erros cometidos.

“Se pegar o contexto geral, jogamos abaixo do nosso potencial no momento da organização defensiva. Jogamos muito espaçado, então você fica vulnerável principalmente na hora de marcar. O adversário consegue envolver um pouco melhor e gerar um desequilíbrio defensivo”

Umberto Louzer, técnico do Sport, após a ida

Postado geralmente com duas linhas de marcação, o time leonino tem variação no encaixe. Ora é por zona, ora individual, dependendo muito de como ocorra a transição ofensiva alvirrubra, principalmente pela intensidade.

Leão quase inteiro no campo de defesa (Imagem: Globo)

Desse modo, os comandados de Louzer podem performar de duas maneiras, mas sempre em blocos médio-baixos e alternando entre 4-4-2 e 4-2-3-1. As alternâncias, no entanto, não mudam a pressão na saída de bola adversária, que é feita pelas peças mais adiantadas.

PARA FICAR DE OLHO – NÁUTICO

Bryan (LD*/LE) – Atuando improvisado na lateral esquerda, Bryan conseguiu dar mais solidez em relação a Rafinha, titular da posição. Tem um bom senso de recomposição e qualidade nos desarmes, além de boas arrancadas para construir o jogo no terço final do campo. Foi um dos destaques do Náutico no último clássico (veja vídeo abaixo).

Wagner Leonardo (ZAG) – Chegou e assumiu a titularidade com méritos. Zagueiro canhoto, contem bem as investidas do ataque adversário, auxiliando o próprio Bryan na esquerda. Além disso, chega bem lá na frente, marcando o gol de empate na Arena após Kieza escorar para a pequena área. A torcida Timbu não sente nenhuma saudade de Ronaldo Alves após a chegada de Wagner.

Vinícius (PE) – O atacante que mais marca do time. Vinícius é fundamental no mesmo lado esquerdo, seja recompondo ou infiltrando nas brechas deixadas pelo rival. Veloz, costuma cortar para dentro para tentar a finalização, tendo marcado cinco gols neste Estadual, além de três assistências. Olho nele!

PARA FICAR DE OLHO – SPORT

Maílson (GOL) – Após um 2020 inconstante, o goleiro revelado na base rubro-negra conseguiu se firmar entre os titulares. Assumiu o posto e “matou no peito” a oportunidade, sendo um dos melhores em campo no empate em 1 x 1, na ida (veja vídeo abaixo). Debaixo das traves é preciso, mas peca um pouco com a bola nos pés.

Iago Maidana (ZAG) – Um dos mais eficientes do sistema defensivo de Louzer. Maidana forma dupla consistente com Adryelson e ostenta um bom aproveitamento nos desarmes, seja pelo chão ou pelo alto. Além disso, é impecável nas cobranças de pênalti, também aparecendo bem completando escanteios.

Everaldo (PD/PE) – Fez seu primeiro jogo como titular na ida e marcou logo na estreia. Caindo bem pelos lados do campo, Everaldo deixa a marcação alvirrubra sempre em alerta, sendo eficiente na amplitude e também cortando para dentro. Merece, mais uma vez, uma atenção especial de Hélio

Créditos das foto principais: Tiago Caldas/CNC e Anderson Stevens/Sport.

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