Sete vezes mágicas: Náutico vence Sport na final e quebra jejum cinquentenário

Por: Felipe Holanda

A sétima conquista do Náutico sobre o Sport certamente será uma das mais importantes nos 120 anos de história do clube da Rosa e Silva. Vitória imponente para coroar o trabalho de Hélio de Anjos e quebrar um tabu de mais de 50 anos. O Timbu, enfim, voltou a se enfezar no Campeonato Pernambucano e fez o 23º carnaval do torcedor alvirrubro no Estadual.

Nesta análise, o Pernambutático resgata grandes momentos do título, com posicionamentos táticos, formações mais utilizadas, números, e muito mais sobre o quarto Pernambucano conquistado por Hélio dos Anjos – antes, o treinador havia sido tricampeão, justamente pelo Sport.

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NÁUTICO 5 X 0 CENTRAL

Início avassalador. O Náutico começou sem dar brecha para o azar e aplicou uma sonora goleada no Central, no jogo de estreia, nos Aflitos. O grande nome alvirrubro foi o do atacante Kieza, que marcou quatro gols no 5 x 0. O detalhe é que todos os tentos foram marcados ainda na primeira etapa, freando qualquer esboço de reação da Patativa.

Taticamente, o Timbu mostrou a tônica do que seria seu modelo de jogo do Estadual, explorando transições rápidas e costumeiramente letais, tendo os apoio dos extremos e dos laterais pelos lados, além de concentrar boa parte de suas jogadas pelo meio, geralmente no 4-2-3-1 de Hélio dos Anjos.

Timbus no ataque na estreia (Imagem: Globo)

Além da tarde inspirada de Kieza, Erick também brilhou, fazendo inclusive um dos gols sobre os centralinos. Com Erick na direita e Vinícius na esquerda, a equipe já dava indícios de que seria profunda e agressiva, precisando de poucos toques na bola para chegar à zona de arremate.

SETE DE SETEMBRO 0 X 1 NÁUTICO

No aniversário de Hélio, o Náutico teve seu primeiro jogo oscilante no Estadual. Pouco inspirado, Timbu não conseguiu ditar o ritmo e só venceu graças a um gol solitário de Kieza, que fazia seu quinto tento no Pernambucano. Do outro lado, os setembrinos se fechavam bem, com uma primeira linha de cinco que dificultava a construção alvirrubra.

Vendo a dificuldade para penetrar na zaga alviverde, o time da Rosa e Silva resolveu apostar nas bolas paradas, tendo resultado. Jean Carlos cobrou falta, Vinícius cabeceou e Kieza completou no rebote para garantir mais três pontos e deixando um feliz aniversário para o treinador Timbu.

Táticas de Náutico e Sete de Setembro (Feito no Tactical Pad)

NÁUTICO 3 X 1 VERA CRUZ

O 4-2-3-1 de Hélio ficou mais nítido no duelo com o Vera Cruz, seja com ou sem a bola. Por vezes, na posse, o 4-3-3 era visto com clareza, tendo a trinca ofensiva dando amplitude e preenchendo o meio. O primeiro gol saiu dos pés de Erick, após aproveitar o rebote para abrir o placar nos Aflitos.

Foi um jogo em que os comandados de Hélio sofreram com a falta de criatividade do meio, com Rhaldney pouco operante e Jean Carlos bem marcado. O Vera, inclusive, reagiu com um golaço de Everton Bala, mas o Timbu foi atrás e fez mais dois, com Giovanny e Bryan, selando o resultado a favor dos anfitriões.

NÁUTICO 4 X 1 VITÓRIA

Mais líder do que nunca. Em atuação quase irretocável, o time de Hélio goleou o Vitória, de novo nos Aflitos, mantendo os 100% de aproveitamento no Estadual. Cirúrgico nas transições ofensivas, o Timbu amassou o Taboquito, variando entre o 4-2-3-1 – este com mais frequência – e o 4-2-4 no ataque, sempre tomando a iniciativa e as rédeas do jogo.

Timbu em construção ofensiva contra o Taboquito (Imagem: Premire)

Vinícius abriu o placar após sobre na grande área, enquanto Jean aproveitou o vacilo do goleiro para fazer o segundo. Ainda no primeiro tempo, Erick fez um belo gol após se desvencilhar da marcação de Danilo Quipapá e fuzilar Preto. Ainda houve tempo para o quarto, mais uma vez com Vinícius, tirando do goleiro.

Com o jogo dominado, o Náutico voltou para a etapa final em marcha lenta e viu o Tricolor das Tabocas esboçar uma reação com gol de Quipapá. Hélio até pediu mais ímpeto ofensivo, mas o 4 x 1 foi mais do que suficiente para a manutenção alvirrubra no topo.

SALGUEIRO 2 X 3 NÁUTICO

No dia do aniversário de 120 anos, o Náutico deu três pontos de presente ao torcedor. Mas se engana quem pensa foi fácil, já que o Salgueiro vendeu cara a derrota. Com dois tempos distintos, o Timbu sobrou na etapa inicial e construiu os degraus da vitória, abrindo 2 x 0 com dois gols de Erick, em noite das mais inspiradas, no Cornélio de Barros.

Timbu aproveita brecha na defesa salgueirense (Imagem: Premiere)

Após uma espécie de apagão alvirrubro, o Carcará chegou ao empate, com Tarcísio e Felipe Baiano, deixando o time de Hélio em alerta, afinal, foi o primeiro jogo que a equipe sofreu dois gols, sendo um “em cima” do outro. O suspiro de alívio, porém, veio quando Kieza garantiu a vitória, selando o 3 x 2.

RETRÔ 1 X 4 NÁUTICO

Embalado pela ótima campanha, o Náutico teve um adversário badalado pela frente: o Retrô, que dias antes havia jogada de igual para igual contra o Corinthians pela Copa do Brasil (foi eliminado nos pênaltis). Sem titubear, o Timbu tratou logo de construir a vitória na Arena de Pernambuco.

Explorando o tradicional 4-2-3-1 com a posse, os alvirrubros dominaram as ações e não demoraram para abrir o placar. No primeiro tempo, inclusive, já decidiu a parada com um gol de cada integrante do trio de ataque: Kieza, Erick e Vinícius. A Fênix conseguiu diminuir na etapa final, mas o gol de Bryan já no apagar as luzes selou o 4 x 1 a favor dos campeões.

Timbu compactado rumo ao ataque (Imagem: Globo)

NÁUTICO 2 X 1 SANTA CRUZ

O primeiro clássico do Timbu no Pernambucano foi marcado por mais uma vitória. No jogo de estreia de Alexandre Gallo no Santa Cruz, o Náutico foi superior, principalmente no primeiro tempo, e faturou os três pontos. Com o placar de 2 x 1, os alvirrubros carimbaram vaga direta para as semifinais.

O primeiro gol foi fruto de uma boa troca de passes da equipe de Hélio dos Anjos. Kieza abriu na esquerda e rolou para Vinícius, que teve apenas o trabalho de empurrar para o fundo das redes. Na sequência, o 4-3-3 alvirrubro deu lugar para a chegada de Rhaldney. O prata da casa finalizou de peixinho e ampliou a vantagem dos anfitriões nos Aflitos. Os corais ainda conseguiram diminuir com Léo Gaúcho, mas não passou daí.

Timbu e corais no primeiro confronto (Feito no Tactical Pad)

NÁUTICO 2 X 2 AFOGADOS

Já garantido na liderança, o Náutico teve seu primeiro tropeço no Pernambucano ao empatar em 2 x 2 com o valente time do Afogados, nos Aflitos. A partida serviu para que Hélio testasse algumas situações de jogo, o que acabou prejudicando a participação ofensiva do Timbu. Em dois cruzamentos de Rafinha, saíram os dois gols alvirrubros, um com Vinícius e outro com Wagner Leonardo.

Timbu jogou no 4-3-3 pela ausência de Jean Carlos (Imagem: Premiere)

A Coruja não estava para brincadeira e conseguiu buscar o empate com Jordan e Garbriel Gonçalves, ainda na primeira etapa. No segundo tempo, o Timbu tentou manter os 100% de aproveitamento, mas amargou o empate. Dos males, o menor.

SPORT 3 X 0 NÁUTICO

A primeira e única derrota do Timbu no Estadual. Atuando com um time misto e poupando peças importantes, a equipe não se encontrou em campo e viu o Sport dominar o jogo logo no primeiro tempo. Neílton e Ronaldo Alves (contra) abriram a vantagem leonina, enquanto os alvirrubros não conseguiram explorar as transições rápidas que lhe davam resultado.

Chegando a formar um 4-2-4, o Náutico foi inoperante ofensivamente, exceto por uma finalização de Marciel, ainda no primeiro tempo, na qual Maílson se esticou todo para fazer uma bela defesa. Na segunda etapa, Adryelson ainda fez o terceiro e garantiu o triunfo rubro-negro na Ilha do Retiro.

NÁUTICO 2 X 1 SANTA CRUZ (SEMIFINAL)

Já com o time titular, o Náutico não tomou conhecimento do Santa Cruz do recém-chegado Bolívar, tomando as rédeas do jogo e abrindo 2 x 0 na semifinal. No primeiro tempo, Kieza completou cruzamento de Hereda e abriu o placar; no segundo, o mesmo K-9 cobrou pênalti com precisão para fazer seu nono gol no Pernambucano, se isolando ainda mais na artilharia.

Intenso, o Timbu continuou agredindo, mas não conseguiu ampliar. Quando o placar já parecia definido, Paiva marcou contra o próprio patrimônio e deu números finais ao placar, mesmo com o Santa buscando o empate até o fim.

Timbus na defesa com o 2 x 0 de vantagem (Imagem: Globo)

SPORT 1 X 1 NÁUTICO (FINAL – IDA)

A final das finais. Náutico e Sport chegaram à decisão do Estadual com as duas melhores campanhas e travaram um novo capítulo da rivalidade. Mesmo com mais posse de bola, o Timbu viu o Leão abrir o placar no fim do primeiro tempo, com Everaldo, após tabela envolvente com Neílton.

Enquanto o rubro-negro formava seu 4-2-3-1 de Umberto Louzer, Hélio respondia na mesma moeda e chegou ao empate no início do segundo tempo. Bola levantada na área, Kieza escorou e Wagner Leonardo completou para o fundo das redes. Embalados, os alvirrubros foram em busca da virada e por muito pouco não conseguiram – a arbitragem anulou um gol de Kieza com o auxílio do árbitro de vídeo.

Marcação adiantada dos alvirrubros (Imagem: Globo)

NÁUTICO X SPORT (FINAL – VOLTA)

O Náutico se manteve superior na finalíssima. Construiu mais o jogo com imposição nas últimas linhas, variando entre o 4-3-3 e o 4-2-4. Sem a bola, marcava alto e induzia o Leão a forçar bolas longas. Num dos erros de passe, porém curto, Kieza fez seu 10º gol e abriu o placar.

Imposição ofensiva dos timbus (Imagem: Globo)

Mikael ainda empatou no tempo normal, mas o K-9 voltou a aparecer, fazendo o gol decisivo nos pênaltis. Título selado, história escrita e tabu cancelado. Festa vermelha e branca.

Arte: João Rodrigues

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