Resgate, deslanchada e glória: Hélio dos Anjos vai de “bombeiro” a campeão no Náutico

Por: Felipe Holanda

A história da terceira passagem de Hélio dos Anjos pelo Náutico pode ser dividida em três atos: resgate, deslanchada e glória. O comandante pegou o time em maus lençóis na Série B, conseguiu se manter na Segundona, e iniciou a temporada de 2021 com o pé direito, culminando com o título do Campeonato Pernambucano após vitória sobre o arquirrival Sport nas finais.

O Pernambutático destrincha nesta análise a trajetória exitosa de Hélio no Timbu, com principais movimentações táticas utilizadas, estilo de jogo, a palavra do treinador, e muito mais.

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“O título é o que me dá vida. Vou falar uma coisa com toda sinceridade e todo respeito ao trabalho que o Sport faz: na minha visão, nos dois jogos nós atropelamos. Infelizmente tivemos que ir para os pênaltis e, todo respeito ao trabalho do grande Sport, do Umberto…”

Hélio dos Anjos, em entrevista após a final

O GÁS QUE FALTAVA

Quando Hélio chegou, o Náutico estava em apuros após a passagem medíocre de Gilson Kleina. Com o time da zona de rebaixamento e 80% de chances de rebaixamento, a missão não era das mais fáceis. E o jogo de estreia, contra o CRB, não foi nada animador. Derrota por 2 x 1, tendo a equipe explorando um 4-1-4-1 e escancarando suas fragilidades defensivas.

Escalação e formação alvirrubras na estreia de Hélio (Feito no Tactical Pad)

O segundo compromisso já foi satisfatório, porém faltou sorte aos comandados de Hélio, que acabaram ficando no empate sem gols contra o Vitória. Diante dos baianos, o comandante optou por um sistema um pouco diferente, algo mais próximo do 4-2-2-2.

A primeira boa atuação foi diante do Juventude, quando o Timbu foi derrotado, mas mostrou certa evolução com o técnico. Teve um gol mal anulado e um pênalti claro não marcado pela arbitragem, o que acabou interferindo e muito no placar. Contra os gaúchos, o time utilizou uma marcação com duas linhas de quatro bem compactadas, algo que se tornaria característico nos jogos subsequentes.

Compactação defensiva frente o Juventude (Imagem: Premiere)

ATO I – O RESGATE

A primeira vitória com Hélio foi emblemática. Em atuação convincente, o Náutico bateu o Guarani por 2 x 0, nos Aflitos, e reacendeu a esperança do torcedor alvirrubro na permanência. Bryan, no primeiro tempo, fez boa jogada e finalizou tirando do goleiro do Bugre para abrir o placar, após o time utilizar um jogo apoiado pela esquerda.

Movimentação pela esquerda no primeiro gol (Imagem: Premiere)

A cereja do bolo, porém, foi no segundo gol. Kieza marcou tento antológico depois de arrancar do campo de defesa, se desvencilhar da marcação e ainda driblar o lateral Cristovam e o goleiro Gabriel Mesquita antes de empurrar para o fundo das redes, selando o triunfo Timbu.

Na sequência, o pesadelo voltou. Fraca atuação e derrota sem apelos para o Figueirense por 2 x 0, no gramado encharcado do Orlando Scarpelli. No confronto, os alvirrubros não demonstraram organização ofensiva e religaram o sinal de alerta.

Mas a recuperação veio logo depois. No jogo seguinte, o Timbu fez o dever de casa e venceu o Brasil pelo placar mínimo, com gol marcado por Jean Carlos após cobrança de falta e cochilo da defesa Xavante. Àquela altura, o time já havia adotado o 4-2-3-1 como tática base, variando para o 4-4-2 em momentos sem a bola. Daquela equipe até hoje, apenas Anderson e Ronaldo Alves não foram titulares na final, substituídos por Alex Alves e Wagner Leonardo, respectivamente.

Formação alvirrubro contra os gaúchos (Feito no Tactical Pad)

Ainda pressionada pelo rebaixamento, a equipe da Rosa e Silva empatou os dois jogos seguintes: 1 x 1 diante de Botafogo-SP e Chapecoense. A partida que marcou o resgate, entretanto, foi contra o Sampaio Corrêa. Com muito movimentação no terço final do campo, explorando um claro 4-2-3-1, o Timbu venceu por 1 x 0; gol solo do zagueiro Camutanga.

Organização ofensiva do Timbu frente ao Paio (Imagem: Sportv/Premiere)

Alívio ainda maior veio na sequência, quando venceu bem o Cuiabá, também no Recife, e deixou provisoriamente o Z-4. Contra os auriverdes, Rafael Ribeiro e Jean Carlos marcaram os gols alvirrubros, mantendo o modelo de jogo de Hélio de transições quase imediatas e apoio dos laterais.

Sem o comando de Hélio, isolado por Covid-19, o Náutico teve dois tropeços que poderiam ter custado caro. Com Marcelo Rocha à beira do gramado, foram duas derrotas por 2 x 0, pela ordem, para Confiança e Ponte Preta, ambas fora de casa.

ATO II – A DESLANCHADA

Hélio chegou aos Aflitos garantindo que o Náutico não seria rebaixado e a profecia se fez como previsto. Após empate com o América-MG de Lisca, veio vitória acachapante sobre o Oeste, que já entrou em campo rebaixado. Um dos grandes nomes da peleja e autor do primeiro gol foi o lateral-direito Hereda, que recebeu lindo passe de Erick antes de estufar as redes do Rubrão, formando um 4-3-3.

Posicionamento defensivo do Timbu (Imagem: Premiere)

Sem tirar o pé do acelerador, o Timbu colocou mais três bolas nas redes adversárias, com Jean Carlos, Kieza e o próprio Erick, outro que fez uma partidaça. A vitória deu aos alvirrubros a chance de depender apenas de si para evitar o rebaixamento.

A conquista veio ainda antes da rodada derradeira no empate sem gols contra o Cruzeiro, no Independência, em Belo Horizonte. Como os adversários diretos tropeçaram, os pernambucanos chegaram a 43 pontos e não podem mais ser alcançados pelo Figueirense, time que abria o Z-4, com 39.

ATO FINAL – A GLÓRIA

Os primeiros passos rumo ao título começaram no início de 2021. Com apenas o Pernambucano à disposição, Hélio fechou o time focado em conquistar a taça. A primeira fase foi absoluta, com atuações imponentes explorando um 4-2-3-1 de transições sempre fluídas, tendo também o meio de campo povoado; primeira partida, inclusive, foi um massacre: 5 x 0 no Central com cinco gols no primeiro tempo, sendo quatro do artilheiro do campeonato, Kieza.

Outra partida convincente foi o 4 x 1 sobre o Retrô, quando o Timbu não deixou a peteca cair a nenhum momento. Não tomou conhecimento das linhas rápidas da Fênix e decidiu o jogo – como de costume – na etapa inicial. Foi o jogo onde o 4-2-3-1 de amplitude ficou claro, com os auriazulinos respondendo no 4-3-3.

Investida ofensiva dos Timbus (Imagem: Globo)

Com sete vitórias, um empate e uma derrota, o time da Rosa e Silva avançou para a semifinal como favorito à taça. Não era para menos, com um ataque avassalador formado por Erick, Kieza e Vinícius. Dos pés deles, por exemplo, saíram 20 gols, sendo dez do K-9, em todo o Estadual.

Flutuando entre o 4-3-3 e 4-2-4, o tridente náutico foi absolutamente letal. Com destaque para a atuação na grande final, diante do Sport. Erick e Vinícius não foram às redes, mas Kieza deixou o dele, no que podia ser o gol do título – o Leão empatou nos minutos finais, com triunfo alvirrubro nos pênaltis.

Posicionamento no primeiro jogo da final (Imagem: Globo)

“Fizemos 180 minutos de jogo contra o Sport e eu vi nos dois jogos nossa equipe bem superior tecnicamente, com imposição. Sofremos um gol que não tive tempo de controlar a jogada, pois a bola não saía e ainda tinha duas substituições para isso. Fomos fortes nos pênaltis e o goleiro deles (Maílson) acertou todos os lados, mas a nossa técnica foi muito positiva; conquistamos um belíssimo resultado, que é o campeonato”

Hélio dos Anjos, em entrevista após a final

Créditos da foto principal: Tiago Caldas/CNC

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