Última cartada: o que esperar taticamente de Roberto Fernandes no Santa Cruz

Por: Felipe Holanda

Roberto Fernandes é a última cartada do Santa Cruz para evitar o rebaixamento à Série D do Campeonato Brasileiro. Com o clube vivendo fase obscura, Roberto será o quarto técnico efetivo na temporada e terá a missão de resgatar o espírito de luta coral. Além dele, chegam ao Arruda Fernando Alves, auxiliar técnico, e Rogério Juidicce, preparador físico.

Nesta análise, o Pernambutático destrincha taticamente as principais características do treinador, com conceitos, modelos de jogo, informações exclusivas de um setorista, pontos fortes e fracos, e tudo que se pode esperar da segunda passagem de Roberto pelo Mais Querido.

VIBRAÇÃO DEFENSIVA

O pernambucano Roberto Fernandes tem 50 anos e acumula bons trabalhos na maioria dos clubes que comandou. É um treinador vibrante, que sempre tenta extrair o máximo de seus atletas, seja na fase defensiva ou ofensiva. Assim, a tendência é que o Santa Cruz apresente um time mais aguerrido, algo que pode ofuscar os déficits técnicos e táticos do elenco.

Na defesa, a estratégia mais utilizada por Roberto é marcar por zona, se fechando com duas linhas de quatro, variando entre o 4-4-2 – este mais frequente – e o 4-1-4-1. Outra postura, como no CRB, seu último clube, é explorar um 4-3-2-1 quando o adversário tenta construir suas jogadas por dentro para congestionar o meio.

Compactação defensiva dos alagoanos (Imagem: Nordeste FC)

O modelo deve se repetir no Santa Cruz, que já utilizou duas linhas de quatro sob o comando de Bolívar. Uma possibilidade é utilizar dois atacantes de ofício, casos de Wallace Pernambucano e Lucas Batatinha, para bloquear as investidas rivais e ter velocidade nos homens de frente; Pipico, em má fase, corre por fora.

Possível formação da Cobra Coral na defesa (Feito no Tactical Pad)

Quando pressionado e atrás no placar, o Galo Praiano costumava se fechar com uma linha inicial de cinco, formando uma espécie de 5-3-2. Com os atletas bem espaçados em campo, a aposta era engatar um contra-ataque rápido caso conseguisse recuperar a posse de bola, utilizando bolas longas.

CRB com linha defensiva de cinco (Imagem: Nordeste FC)

“No sistema defensivo, há alternância de laterais em relação ao ataque. As linhas de marcação podem variar a depender do esquema tático. No 4-3-3, podem ser formadas duas sequências com quatro jogadores ou uma com cinco, apenas com o centroavante adiantado para iniciar contragolpe. Debaixo do 4-4-2, as linhas com quatro marcadores são formadas e os dois atacantes atuam mais abertos”

Taynã Melo, setorista do CRB

O grande calo de Roberto no Galo foi a lentidão nas transições, com desorganização na primeira linha e espaços dados ao rival, muitas vezes sendo vazado – contra o Bahia, pelo Nordestão, foi goleado por 4 x 0.

VIÉS OFENSIVO

No ataque, Roberto Fernandes explora investidas em bloco, geralmente formando um 4-2-3-1 de transições rápidas e sem precisar de muitos toques na bola para chegar à zona de arremate. Nesta estratégia, os laterais são primordiais no apoio, sempre dando profundidade.

CRB em fase ofensiva (Imagem: Nordeste FC)

O sistema tático será reeditado no Arruda, tendo o meio de campo preenchido e a supracitada movimentação pelas bordas. Assim, a equipe deve utilizar dois meias de criação, um atacante/ponta e um centroavante na referência.

Provável escalação inicial com Roberto no comando (Feito no Tactical Pad)

“No CRB, Roberto Fernandes preferiu não realizar grandes modificações na formação tática e seguiu o básico 4-3-3. Surge a necessidade dos atacantes de lado terem muita velocidade com Wallace Pernambucano, Lucas Batatinha ou Pipico na área. Além disso, é fundamental ter uma cabeça pensante, um meia que atue como camisa 10”

Taynã Melo, setorista do CRB

Além da organização ofensiva, o novo técnico tricolor deve apostar em um jogo apoiado no terço final do campo, utilizando os meias, laterais, atacantes e extremos para progredir a posse de bola. É justamente o que o Santa precisa, de mais movimentação.

Investida ofensiva pela direita (Imagem: Nordeste FC)

Recém-chegado, Roberto Fernandes já comandou o primeiro treino visando o confronto com a Jauipense na próxima segunda-feira (21), no Arruda, pela quarta rodada da Série C.

REENCONTRO

A primeira vez que os caminhos de Roberto Fernandes e do Santa Cruz se cruzaram foi em 2018. Pela Série C daquele ano, o treinador acumulou seis vitórias, quatro empates e quatro derrotas nos 14 jogos que comandou o Mais Querido. Não conseguiu acesso à Segundona e acertou com o CRB.

Antes, Roberto surgiu para o futebol no comando do Náutico. Pelo clube da Rosa e Silva, passou quatro vezes, sendo campeão Pernambucano em 2018 e deixando seu legado técnico.

Créditos da foto principal: Rafael Melo/Santa Cruz

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