Especialista em acessos: o que esperar taticamente de Marcelo Chamusca no Náutico

Por: Felipe Holanda

Credenciais. Vindo quatro acessos nos últimos anos, Marcelo Chamusca chega ao Náutico com a missão de levar o alvirrubro à Série A e apagar o fogo após a saída de Hélio dos Anjos. Seu último clube foi o Botafogo. Antes, levou o Cuiabá à elite do futebol nacional.

Nesta análise, o Pernambutático destrincha taticamente as principais características do treinador, com conceitos, modelos de jogo, informações exclusivas de ex-setoristas, pontos fortes e fracos, e tudo que se pode esperar da passagem de Chamusca pela Rosa e Silva.

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PASSAGEM PELA ESTRELA SOLITÁRIA

A movimentação no terço final do campo é o carro-chefe dos times de Marcelo Chamusca. Quando tenta dar intensidade no ataque, a tendência é formar um 4-3-3 tendo o apoio constantes dos laterais e um jogo de aproximações, enquanto a trinca ofensiva procura romper as linhas de marcação.

Posicionamento do Botafogo no ataque (Imagem: Premiere)

Assim como Hélio dos Anjos, Chamusca explora bem as subidas dos laterais, algo que deve se repetir com Hereda e Bryan na Rosa e Silva. Neste cenário, o Timbu daria mais apoio aos extremos, em especial Vinícius, que não vive boa fase.

Possível time para a estreia de Chamusca, diante do CSA (Feito no Tactical Pad)

No comando do Botafogo, seu último clube antes de assinar com o Náutico, Chamusca mostrou alternativas flexíveis para levar perigo, podendo explorar também um 4-2-4 em busca de transições rápidas, principalmente quando a defesa adversária bloqueia as principais opções de passe.

Alvinegros se impondo no ataque (Imagem: Premiere)

“O time era montado, 90% do tempo, no 4-2-3-1 clássico, com dois volantes e os dois jogadores da beirada ajudando o meia central. Esses dois atletas de lado eram a parte mais importante da equipe, pois eram acionados mais frequentemente”

Sérgio Santana, setorista do Botafogo no Lance!

No início da fase ofensiva, Chamusca gosta de valorizar a posse de bola desde lá de trás. Neste cenário, um dos volantes recua para fazer uma saída 3+3, ao mesmo tempo em que os laterais dão amplitude e profundidade pelas bordas.

Construção ofensiva do Fogão (Imagem: Premiere)

Na defesa, a principal aposta é se fechar com duas linhas de 4, geralmente no 4-4-2, tentando povoar bem o meio e bloquear os espaços pelas laterais. Chamusca gosta de muita compactação e linhas bem definidas, o que precisa de tempo de treino.

Posicionamento defensivo dos alvinegros diante do Remo (Imagem: Premiere)

“Marcando em blocos baixo/médios, o Botafogo apostava muito nas transições. Às vezes até subia a marcação para pressionar o adversário, já que tentava sempre atrair a seu próprio campo e ter pouco a posse de bola, tendo a velocidade como arma”

Sérgio Santana, setorista do Botafogo no Lance!

A depender do andamento da partida, a equipe pode adiantar seus blocos – costumeiramente médios -, para pressionar a saída de bola rival explorando um 4-2-4. A estratégia foi vista tanto dentro como fora do Rio de Janeiro.

Bota subindo as linhas (Imagem: Premiere)

SUCESSO E ACESSO NO CUIABÁ

A fama de “Rei do acesso” veio na última temporada, quando Marcelo Chamusca levou o Cuiabá à primeira divisão após um heroico quarto lugar na Série B, sendo fundamental na campanha pelo bom desempenho ao longo do campeonato. Explorando um jogo de imposição, formando um 4-2-3-1, a equipe tinha o ataque como ponto forte, sempre com as chegadas dos laterais.

Dourado povoava ao máximo campo adversário (Imagem: SporTV/Premiere)

“Chamusca sempre deu prioridade ao formato 4-2-3-1, com dois homens lado a lado no meio campo, um armador e três homens de frente. Geralmente utiliza meias atacantes que levam para dentro, canhoto na direita e destro na esquerda, como é o mais comum nessa formação”

Pedro Lima, repórter no Portal Olhar Esportivo

O modelo é bem semelhante ao de Hélio dos Anjos e essa transição de treinadores deve acontecer de forma natural. A tendência, por outro lado, é que o novo treinador mexa em algumas peças, dando sua cara ao time titular.

O primeiro desafio de Chamusca nos Aflitos será melhorar a saída alvirrubra, principalmente pelos lados, um erro recorrente com Hélio. Para isso, precisa de volantes e zagueiros que saibam trabalhar bem a bola, como no Cuiabá, tendo um dos cabeças de área recuando para fazer uma saída 3+4.

Saída do Dourado (Imagem: SporTV/Premiere)

Já em fase defensiva, o Cuiabá também explorava as tradicionais linhas de 4, quase sempre no 4-4-2. Dessa forma, bloqueava bem as opções de passe e não sofria muitos gols, com a defesa sendo um dos pilares da campanha do acesso.

Compactação alviverde (Imagem: SporTV/Premiere)

No Timbu, a grande missão será definir um substituto à altura de Camutanga, já que Carlão e Yago, que vêm sendo acionados, ainda não deram conta do recado. Nos últimos cinco jogos, foram expressivos 12 gols sofridos, culminando com a saída de Hélio.

TEMPOS DE FORTALEZA

Marcelo Chamusca tem, em suas entranhas, uma forte ligação com o futebol cearense, tendo conquistado o acesso com o Ceará para a Série A em 2017. Foi, entretanto, no Fortaleza que ele passou mais tempo. O trabalho autoral que trouxe resultados ao Leão do Pici.

Comandada por Chamusca, a equipe tricolor atacava em bloco, variando entre o 4-2-3-1 e o 4-2-4, mais uma vez com o apoio dos laterais na progressão de posse, tendo os atacantes e pontas aparecendo como opções de passe.

Fortaleza no 4-2-4 (Imagem: Premiere)

Já na defesa, Chamusca explorava também duas linhas de quatro, podendo se fechar no 4-1-4-1 – este um pouco mais frequente – ou no 4-4-2, sempre buscando a melhor compactação para aumentar as chances de recuperar a bola.

Postura defensiva do Leão (Imagem: Premiere)

Nos Aflitos, terá a missão de minimizar as fragilidades do Timbu em transições defensivas. Além disso, a tendência é que caras novas apareçam, já que o novo comandante deve indicar reforços.

Náutico no 4-1-4-1 (Feito no Tactical Pad)

Créditos da foto principal: Vítor Silva/Botafogo

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