Um novo idioma: o que esperar taticamente de Gustavo Florentín no Sport

Por: Pernambutático

“Sportunhol”. Gustavo Florentín desembarca na Ilha do Retiro para ser o novo gringo no comando técnico do Leão e estrear com o pé direito em sua primeira passagem pelo futebol brasileiro. Aos 43 anos, o treinador paraguaio defendeu clubes como Cerro Porteño, de seu país natal, Huachipato, do Chile, e The Strongest, da Bolívia – é o primeiro estrangeiro desde 1989, quando o uruguaio Pedro Rocha passou pela Praça da Bandeira.

Nesta análise, o Pernambutático destrincha taticamente as principais características do treinador, com conceitos, modelos de jogo, pontos fortes e fracos, e tudo que se pode esperar da passagem de Florentín pela Ilha do Retiro.

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HUACHIPATO 2019-20

Apesar de não ter o melhor aproveitamento, Florentín teve no Huachipato seu trabalho mais longevo, à frente do Guaraní-PAR – 41×40 – por um jogo. Nesses dois clubes foi onde mostrou sua faceta, fazendo algo aproximado ao que o Sport vem desempenhando no Brasileirão quando estava sendo comandado por Umberto Louzer, seja ofensiva ou defensivamente, inclusive ao modificar o sistema tático, mesmo somando 15 vitórias, 11 empates e 15 derrotas em 41 partidas.

Em fase ofensiva, o time chileno performou no 4-2-3-1, com os blocos médios e usando a aproximação da cabeça de área junto à linha de 3, tentando ser o mais incisivo possível pelas laterais. Além de usar muita inversão, buscou ter a constante presença e a velocidade dos extremos, bem como infiltração na pequena área adversária.

Chilenos jogavam com amplitude dos extremos para abrir os espaços (Imagem: Canal del Fútbol)

Outra alternativa dos negroazulinos era fazer uma triangulação e aproximar as peças no corredor, tendo zagueiro ou lateral + um dos volantes por dentro + meia ou ponta para buscar profundidade. Assim, formou um 4-1-3-2, tendo o losango destacado no meio, com os blocos muito distanciados e a criação alternando entre lados e faixa central.

Triangulações dos Siderúrgicos eram móveis e velozes (Imagem: Canal del Fútbol)

Defensivamente, por outro lado, o leque de opções era um pouco maior, tendo a ampla possibilidade de confundir o adversário. O mais comum, porém, era a formação de duas linhas de 4, principalmente ao ficar no 4-1-4-1 em blocos médio/baixos por encaixes, ocupando mais o próprio campo; assim, fechou os espaços tanto pelos lados, como no meio, porém dava a entrelinha para infiltrações.

Apesar de bem compactado, o Huachipato cedeu brechas (Imagem: Canal del Fútbol)

Para fechar melhor e ficar mais compacto na fase defensiva, subia suas linhas de marcação e povoava o campo adversário, formando assim um 4-2-3-1. Ainda assim, induziu o jogo às laterais, cabendo aos volantes serem muito fortes fisicamente ao marcar, pois bloqueavam e combatiam intensamente os meio-campistas, além dos atacantes.

Blocos eram mais altos para pressionar saída adversária (Imagem: Canal del Fútbol)

THE STRONGEST

Seu último clube foi o The Strongest, após alegar ter problemas extracampo, e lá demonstrou ainda opções a serem usadas, seja no ataque ou defesa. O sistema-base mais frequente foi o 3-5-2, que resultaram em incríveis 70% de aproveitamento, vencendo sete de dez duelos, sendo derrotado em somente três e sem empatar um sequer.

O Tigre balançou as redes por 28 oportunidades, iniciando a construção ofensiva no jogo apoiado e do seu próprio campo. Assim, o desenho mais frequente foi o 3-5-2, com os volantes ajudando na criação e os alas, alem de darem amplitude, terem o corredor livre para avançarem em direção à defesa adversária.

Laterais abrem espaços pelos lados para ajudar na transição ofensiva (Imagem: Conmebol)

Defensivamente, principalmente nos duelos válidos pela Copa Libertadores da América, os bolivianos buscaram fechar melhor o cadeado. Com uma linha de 5 forte e linhas médio/baixas, o time buscou ter o máximo de compactação possível, pois ficava mais retraído e tentava ter o contra-ataque em velocidade, fechando as brechas para infiltrações, seja pelos lados ou no meio.

Aurinegros apostavam em compactação para dar solidez defensiva (Imagem: Conmebol)

QUEM É GUSTAVO FLORENTÍN?

Como jogador, não obteve tanto êxito na carreira, contudo disputou a Copa do Mundo Sub-20 em 1997, na Malásia. Sua trajetória como técnico começou em 2009, tendo a oportunidade de trabalhar na categoria de base do Cerro Porteño. Foi nos paraguaios que assumiu como auxiliar-técnico na equipe profissional, em 2013, enquanto em 2015 foi como interino e em 2016 entrou definitivamente.

Depois de vencer 19 das 39 partidas disputadas no Cerro, assumiu Deportivo Capiatá e Sportivo Luqueño, contudo teve seu único título no Guaraní, com a conquista da Copa do Paraguai em 2018 sobre o Olimpia. Agora, entra no rol de estrangeiros com passagem pelo Leão, sendo o décimo gringo a ficar à frente da equipe principal.

E NO SPORT?

No Sport, a tendência é que Florentín repita o esquema utilizado nos últimos compromissos por Louzer. Assim, o 4-2-3-1 que os rubro-negros vêm usando deve ser mantido, porém com modificação baseada no modelo proposto pelo paraguaio; no meio-campo, Marcão deve ser sacado, pois não está bem na saída de bola, com Zé Welison podendo fazer a cabeça de área junto a Hernanes e Gustavo ficar na armação, além de Moccelin e Everaldo nas extremas, já que Leandro Barcia ainda se recupera da cirurgia no joelho e está na transição; a dúvida na referência segue mantida.

Provável escalação leonina sob o novo comando (Feito no Tactical Pad)

Outra alternativa ao comandante é dar manutenção à formação que vinha usando no The Strongest. Assim, o 3-5-2, já utilizado em outras ocasiões pelo ex-treinador dos pernambucanos, fica como um possível segundo plano. Caso opte por essa opção, Chico entraria na vaga de Everaldo, o que daria liberdade aos laterais de povoarem mais o campo adversário, principalmente Hayner, por ter características ofensivas.

Formatação com três zagueiros é uma opção (Feito no Tactical Pad)

Créditos da foto principal: Vizzor Image/Getty Images

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