Camutanga se consolida como um dos maiores zagueiros do Náutico no Século 21

Por: Felipe Holanda e Ivan Mota

Perigo? Chama o “Camu”. Vivendo grande fase no Náutico, Camutanga se consolida na atual temporada como um maiores zagueiros do Timbu no Século 21, ao lado de nomes como Lima e Batata. Destes, é o maior detentor de títulos: três, sendo dois estaduais (2018 e 2021) e uma Série C (2019).

O Pernambutático faz nesta análise um recorte tático, destacando os motivos que levaram Camutanga a ser idolatrado pela torcida Timbu, com principais características, análises em vídeo, números, compliados, e muito mais.

O XERIFE DA MATA

Quando deu seus primeiros toques na bola, Cleidson Andrade de Souza Silva, o Camutanga, jamais imaginou que seria ídolo de um grande clube e representaria tão bem sua cidade natal. Hoje aos 28 anos, ele é o principal alicerce da defesa do Náutico na Série B, na qual os alvirrubros ainda sonham com o acesso – no início de 2021, se sagrou bicampeão estadual em final antológica diante do Sport.

Com ele, não tem bola perdida. Esbanjando raça, Camutanga costuma ser preciso nos desarmes, geralmente bem posicionado ou se recuperando na jogada para fazer o corte. O defensor faz a cobertura dos volantes e dos meias, pressionando o portador da bola.

Veja um compilado, em vídeo, das melhores ações de Camutanga pelo Náutico:

Camutanga também leva vantagem nas interceptações, se adiantando aos atacantes adversários. Na vitória contra o Goiás, mais uma vez tirou uma bola praticamente em cima da linha, além de fazer um dos gols no 3 x 2 alvirrubro. Pela Série B, tem média de duas bolas interceptadas por jogo.

Veja a análise, em vídeo, de interceptações de Camutanga nos últimos cinco jogos:

Outra faceta de Camutanga é a versatilidade. Na maioria das vezes, atua como zagueiro pela esquerda, mas pode fazer mais de uma posição na zaga, geralmente postada no 4-4-2, esquema mais utilizado por Hélio dos Anjos com o Timbu em fase defensiva.

Compactação alvirrubra sem a posse (Imagem: Sportv/Premiere)

Camutanga tem os duelos defensivos como ponto forte e costuma ter bom desempenho diante os atacantes rivais no 1×1, com números excelentes, acumula uma média de 3.2 bolas afastadas por partida. Por outro lado, já cometeu falhas importantes nesta Série B.

Veja a análise, em vídeo, dos duelos defensivos de Camutanga nos último cinco jogos:

SE AVENTURANDO NO ATAQUE

Elemento surpresa. Vigoroso na defesa, Camutanga também pode surpreender com chegadas ao ataque. Ao todo, assinalou cinco gols pelo Náutico, sendo o último deles no confronto com o Goiás. Destes, foram quatro de cabeça e um com os pés.

Veja todos os gols de Camutanga pelo Alvirrubro:

Outra alternativa para Camutanga é auxiliar no início da construção ofensiva do Timbu. Para isso, precisa ter um bom aproveitamento nos passes, quesito que evoluiu bastante nas últimas temporadas, se tornando um zagueiro mais completo.

Camutanga participando da troca de passes contra o Operário (Imagem: Sportv/Premiere)

O DEFENSOR DO SÉCULO

O ano de 2021 serviu para Camutanga se firmar de vez como um dos maiores zagueiros que já passaram pela Rosa e Silva no Século 21. Com as três conquistas pelo clube – dois Estaduais e uma Série C -, ele superou, em número de títulos, dois outros zagueiros históricos.

Wanderley Gonçalves Barbosa, mais conhecido como Batata, jogou pelo Timbu de 2004 até 2006, conquistando o Pernambucano de 2004, o último antes da “Era Camutanga”. Antes de chegar ao Recife, Batata já era um nome consolidado no futebol nacional, atuando pelo Corinthians de 1998 até 2002, onde viveu uma das grandes fases do alvinegro, se sagrando campeão Brasileiro, em 1998 e 1999, do Mundial de Clubes de 2000, e da Copa do Brasil de 2002.

Batata marcou um dos gols na final contra o Santa Cruz, vencida por 3 x 1 (Ricardo Fernandes/Acervo/DP)

Outro nome de destaque foi justamente a sua dupla no título de 2004. Lima já havia jogado pelo Náutico em 2001 – ano da conquista do Centenário – e 2002, antes de rumar para o futebol português, mas retornou para ser uma das peças do título. Antes, passou por clubes como Fluminense, onde foi campeão carioca em 1995, derrotando o Flamengo de Romário (tetracampeão pela Seleção no ano anterior), Atlético-MG e Coritiba.

HEROI IMPROVÁVEL

O município de Camutanga, fundado em 1963, tem o zagueiro como seu filho mais ilustre, levando o nome da cidade pelo Brasil afora. Fugindo do caminho tradicional da grande maioria dos jogadores, após ser rejeitado em testes na própria cidade, só aos 19 anos teve sua primeira real oportunidade, após chamar atenção do Auto Esporte Clube-PB, de João Pessoa. Nessa época, disputou apenas uma partida, mas mesmo assim foi indicado pelo seu treinador ao Sport.

Na Ilha, Camutanga teve sua primeira experiência no futebol de base, chegando a ter uma boa sequência pela equipe sub-20, mas sofreu uma grave lesão no ligamento cruzado do joelho direito, ficando seis meses fora de combate e perdendo espaço, resultando no retorno ao clube paraibano, onde a lesão voltou a se repetir. Ao todo foram apenas dez partidas, todas pelo campeonato estadual.

Em 2016, retornou para seu estado de origem para disputar o Campeonato Pernambucano pelo Pesqueira. A campanha da Águia do Agreste na competição foi péssima. Ficando na lanterna, tanto do Grupo B quanto do Hexagonal do rebaixamento, sem ter enfrentado nenhum dos times do Trio de Ferro da capital.

Antes de chegar ao Náutico, ainda teve passagens por Santa Rita-AL e Bangu-RJ. Foi no clube carioca que sua carreira começaria a mudar. Por lá, foi treinado por Roberto Fernandes. Mesmo disputando apenas seis jogos pela Série D de 2017, conseguiu chamar a atenção do comandante, que no ano seguinte, quando já treinava o Timbu, indicou a contratação do zagueiro.

Créditos da foto principal: Tiago Caldas/CNC

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