A mística da letra “M” no Sport: Maílson entra para o hall de grandes goleiros

Por: Felipe Holanda, Ivan Mota e Mateus Schuler

Inspirado em Magrão, Maílson se consolida como um dos grandes goleiros que já passaram pelo Sport e tem em comum a letra “M”, casos de Miltão e Manga, entre outros. O camisa 1 do Leão é um dos melhores da posição na Série A do Campeonato Brasileiro, sendo cogitado, inclusive, na seleção brasileira.

Destacando a importância da preparação, o Pernambutático ouviu Jorcey Anísio para destrinchar as principais características de Maílson, com posicionamentos táticos, fundamentos, a evolução nos últimos anos, e muito mais do arqueiro rubro-negro.

BEM TRABALHADO

Constante evolução. Maílson desponta nesta temporada como um dos principais nomes da campanha do Sport no Brasileirão, ao lado dos – também pratas da casa – Gustavo e Mikael. Em 2021, o goleiro cresceu em quesitos primordiais, principalmente na saída de bola, apresentando números invejáveis. O trabalho passa diretamente pelo preparador de goleiros do Leão, Jorcey Anísio.

Veja análise, em vídeo, de Maílson em bolas longas

Utilizando os dois pés com a mesma precisão, Maílson consegue organizar o início das construção ofensiva rubro-negra, podendo formar uma saída de 3 entre os zagueiros. Explorando um 3-2, os laterais e extremos dão amplitude, surgindo como opções de passe entrelinhas, enquanto os volantes vêm buscar um pouco mais o jogo.

Maílson, com a bola, na saída leonina (Imagem: Brasileirão Play)

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Tudo isso fruto de muito treino. A função de Jorcey é justamente extrair o máximo da qualidade de seus atletas por baixo. O elenco leonino conta, atualmente, também com Carlos Eduardo, Saulo e Denival, além de Maílson. Os dois últimos, além de irmão, são da base.

As qualidades na transição ofensiva também são latentes quando Maílson tem a bola em mãos. Com o rubro-negro formando o 4-2-3-1 característico, o camisa 1 enxerga bem o espaçamento das peças em campo para dar agilidade e mobilidade na saída, geralmente acionando um dos extremos.

Maílson aciona o contragolpe leonino (Imagem: Brasileirão Play)

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A MURALHA DO PONCIANO

Natural de Girau do Ponciano, no Agreste de Alagoas, Maílson tem a performance debaixo das traves como grande trunfo e 2021 vem sendo o ano mais glorioso de sua carreira. Além de retomar a titularidade, se tornou um dos melhores do Brasil. E seus números provam isso. Ele é considerado pelo site SofaScore como o melhor jogador da posição até o momento entre todos da Série A, com uma nota média de 7,22. O atleta também é o arqueiro com mais jogos sem sofrer gols, os famosos Clean Sheets, 12 no total, ao lado de Fernando Miguel, do Atlético-GO e Éverson, do Atlético-MG.

Veja em vídeo um compilado de defesas e distribuições de Maílson

Números de Maílson na temporada (Arte de Felipe Holanda)

Cirúrgico nas defesas, o arqueiro também sabe como organizar o sistema defensivo. Tendo o Leão se fechando no 4-5-1 com flertes frequentes para o 5-4-1, Maílson alerta para possíveis espaços deixados por sua defesa quando o adversário tem a posse de bola. Mais um ponto positivo.

Postura do Sport frente ao Atlético-GO (Imagem: Brasileirão Play)

Maílson chegou ao Sport em 2014 para fazer parte das categorias de base do clube aos 17 anos. Sempre tratado como uma grande promessa, o gigante de 1,98m fez sua estreia profissional em 2017, no empate em 2 x 2 contra o Salgueiro, pelo Campeonato Pernambucano.

Mas foi no ano seguinte que sua estrela começou a brilhar. Ele fez seu primeiro jogo no Brasileirão no empate em 1 x 1 diante do Botafogo, no dia 24 de abril. Na ocasião, substituiu Magrão, titular e maior ídolo da história do clube, que se lesionou. O reserva imediato na época, Agenor, não era unanimidade entre os torcedores e a responsabilidade caiu nas mãos do jovem.

Maílson aproveitou. No total, foram 13 jogos pela Série A daquele ano, com apenas dez gols sofridos. Apesar de não ter conseguido evitar o rebaixamento, Maílson se destacou fazendo grandes partidas e foi considerado o melhor goleiro em diversas rodadas. Talvez seu melhor jogo tenha sido contra o São Paulo, pela penúltima rodada. O Sport conseguiu segurar empate sem gols no Morumbi, resultado que ainda manteve suas chances de sobrevivência. Além de realizar diversas defesas difíceis, o camisa 1 ainda pegou um pênalti cobrado por Nenê.

Em 2019, mesmo com Magrão recuperado, iniciou a temporada como titular e foi um dos heróis na conquista do Campeonato Pernambucano. Apelidado como “Filho de Magrão”, fez duas defesas na disputa de pênaltis, que decidiu o troféu diante do Náutico. Também foi essencial na campanha da Série B, que acabou resultando no acesso. Ele só não atuou como titular em todos os jogos por conta de uma grave lesão sofrida em outubro, que o deixou fora de combate pelo restante da temporada. Seu substituto foi Luan Polli, que também se destacou e acabou ganhando mais espaço no ano seguinte.

A SOMBRA POR TRÁS DE MAÍLSON

Se o camisa 1 leonino está entre os principais nomes do campeonato, parte dos méritos vai a seu preparador. Segundo Jorcey Anísio, ao Pernambutático, a metodologia de trabalho foi aceita pelos atletas e o nível de exigência colheu bons frutos.

Parceria entre goleiro e preparador tem dado resultado positivo (Foto: Anderson Stevens/Sport)

“Hoje, temos quatro goleiros: Maílson, Carlos Eduardo, Saulo e Denival. O ambiente é muito bom, há uma interação muito boa entre eles, uma grande dedicação aos trabalhos no dia a dia. Eu tenho a minha linha e metodologia de trabalho. Eles acreditaram na metodologia, e a partir do momento que observaram que está dando resultado nos treinos e nos jogos, foi ficando mais fácil de implementar o trabalho. Sou muito exigente, cobro muito a eles no dia a dia. Acredito que o goleiro vai sempre evoluir através de muito trabalho, então o que fazemos é trabalhar muito”, afirmou, destacando ainda a dedicação do arqueiro no dia a dia.

“Acho que é uma questão de confiança. Ele observou que as cobranças diárias que faço vêm dando resultado, isso é o mais importante. É o que sempre falo pra ele, goleiro tem que ser regular, não pode ir muito bem e depois ir mal. O importante e mais difícil é manter essa regularidade, e ele vem conseguindo isso”, completou.

Maílson chegou ao profissional com a missão de substituir Magrão, ídolo entre 2007 e 2018 pelas inúmeras grandes atuações. Apesar de um 2019 positivo, o prata da casa rubro-negro não teve a mesma segurança em 2020, porém retornou ao time na temporada atual e não largou mais: “A evolução dele tem sido muito boa. Maílson tem um grande potencial e digo que meu trabalho é desenvolver, estimular e lapidar esse potencial”, encerrou.

Créditos da foto principal: Anderson Stevens/Sport

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