Guia tático do Campeonato Pernambucano 2022

Por: Felipe Holanda, Ivan Mota e Mateus Schuler

Cartas na mesa. A 108ª edição do Estadual mais charmoso do Brasil começa neste sábado (22) e o Pernamambutático preparou um guia especial dos dez participantes. Náutico, Sport e Santa Cruz tentam impor jogo, enquanto o Íbis dá as caras na elite após 22 anos e o Caruaru City faz sua estreia; conterrâneos Central e Porto estão fora.

O Pernambutático faz um guia tático de todos os clubes envolvidos, com principais posicionamentos de cada um, estilos de jogo, prováveis formações, números, jogadores para ficar de olho, e muito mais da epopeia para garantir a conquista do Pernambucano e tentar evitar o rebaixamento à Série A-2.

NÁUTICO: DEFESA DO TÍTULO E BOM RETROSPECTO COMO CAMPEÃO

Abrindo o Trio de Ferro, o Náutico chega para defender a taça conquistada em 2021 com unhas e dentes. Na atual temporada, o Timbu mantém boa parte do elenco que venceu o Sport na grande decisão, nos Aflitos, enquanto Hélio dos Anjos – em meio a idas e vindas – permanece no comando técnico.

Entre saídas e chegadas, Hélio ganhou boas peças para reforçar o elenco, fazendo do Alvirrubro um dos grandes favoritos a conquista do caneco. Desembarcaram na Rosa e Silva os atacantes Leandro Carvalho, Robinho e Ewandro, os zagueiros João Paulo e Wellington, o goleiro Lucas Perri, o volante Richard Franco e o meia Eduardo Teixeira, além da renovação com o lateral-esquerdo Júnior Tavares.

Time-base do Náutico para o Estadual (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

Com um esquema bem definido, o Náutico sobrou no Estadual passado, geralmente atacando num 4-3-3 de muita movimentação pelas bordas. Outras opções foram o 4-2-3-1 tradicional e o 4-2-4, este último quando a equipe precisava reverter algum resultado.

Posicionamento Timbu no clássico contra o Santa Cruz, ano passado (Imagem: Rede Globo)

COMO DEFENDE

Defensivamente, a tendência é que Hélio mantenha o esqueleto tático, apostando em se fechar com duas linhas de 4, geralmente no 4-4-2. Neste cenário, conta constantemente com o auxílio dos pontas e meias na recomposição, tentando sempre minimizar os espaços entrelinhas.

Náutico num 4-4-2 clássico (Imagem: Rede Globo)

Historicamente, os alvirrubros têm bons números defendendo a taça do Pernambucano, tendo conquistado o bi em quatro ocasiões: 50/51, 63/64, 84/85, e 01/02, na ordem. Dessas, somou um tricampeonato e o tão respeitado hexa, na década de 1960. Em contrapartida, na última oportunidade que teve, se sagrou campeão em 2018, mas amargou o vice no ano seguinte.

PARA FICAR DE OLHO

Camutanga (ZAG) – Xerife Timbu. Camutanga é quem comanda o sistema defensivo do Náutico, podendo atuar nas duas funções principais da defesa. Se destaca pelo bom posicionamento sem a bola e pelo scout positivo que tem nos desarmes. Além disso, pode ser perigoso na bola aérea ofensiva.

Rhaldney (VOL) – Prata da casa, Rhaldney segue firme como um dos grandes destaques do Timbu. Foi peça chave na conquista do Pernambucano 2021 e fez uma boa Série B, se valorizando ainda mais no mercado. Tem obrigações de cabeça área, mas também já mostrou qualidades ofensivas, sendo uma válvula de escape pela direita.

Jean Carlos (MEI) – O Mago dos Aflitos. Se outros jogadores importantes saíram, Jean segue sendo a principal referência técnica do time. É letal nas bolas paradas e esbanja ótima visão de jogo, além do chute sempre certeiro de perna esquerda. Tem tudo para ser um dos grandes nomes da competição. De novo.

SPORT: PARA VOLTAR A MANTER A HEGEMONIA

Após encerrar a última temporada com rebaixamento no Brasileirão, o Sport busca viver melhor momento na atual. Mesmo mantendo o técnico Gustavo Florentín e boa parte do time titular que fechou 2021, o Leão ainda não tem os 11 ideais para começar o ano, mas a tendência é o comandante continuar no 4-2-3-1.

Foram confirmados como reforços o lateral-direito Ezequiel, o zagueiro Fábio Alemão, os volantes Blas Cáceres, Nicolás Watson e Pedro Naressi, os meias Alanzinho e Denner, e os atacantes Jáderson e Ray Vanegas. Já nomes como Hernanes, Marcão, Paulinho Moccelin e Zé Welison não renovaram contrato e deram adeus.

Cabeça de área leonina passou por reformulação para 2022 (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

Sem o treinador paraguaio, a fase ofensiva rubro-negra era desastrosa, sem ter bom desempenho e um padrão definido. Desde sua chegada, no entanto, tudo mudou; o meio passou a ter mais fluidez, os atletas das beiradas deram maior velocidade e o time passou a ganhar estilo próprio, alternando entre o 4-2-3-1 de base e o 4-3-3, podendo performar até no 4-2-4 quando ocupou a área adversária.

Rubro-negros devem seguir com trinca atrás do centroavante Mikael (Imagem: Premiere)

Com as saídas de Zé Welison e Marcão, Pedro Naressi e Watson agora devem ocupar o setor, respectivamente, mantendo as características da cabeça de área. Hernanes saiu, então Gustavo é esperado para ser a peça da armação, tendo Everton Felipe e mais um como extremos, enquanto Mikael e a primeira linha são mantidos.

COMO DEFENDE

Sem a bola, Florentín conseguiu dar maior equilíbrio, com os leoninos ficando entre as melhores defesas da última Série A mesmo rebaixado. Muito se deve pelas alternâncias propostas pelo técnico, já que as duas linhas de 4 eram a principal característica desde antes de comandar os leoninos, indo do 4-4-2 ao 4-1-4-1 frequentemente.

Florentín deve permanecer com duas linhas de 4 sem a bola (Imagem: SporTV/Premiere)

A tendência é que mantenha o 4-4-2, tendo uma das peças da trinca junto a Mikael e as demais auxiliando os volantes. Dessa maneira, pode variar ainda o posicionamento dos blocos entre médio e médio/altos, dependendo muito de qual seja a intensidade apresentada pelos adversários quando tiverem a posse.

PARA FICAR DE OLHO

Sabino (ZAG) – Pilar defensivo. Se os números da defesa rubro-negra foram positivos apesar do rebaixamento, muito se deve à boa postura do zagueiro. Bem na marcação, seja por baixo ou – principalmente – pelo alto, o defensor é o responsável pela solidez do setor; forte na bola aérea, ajuda tanto no seu campo como quando ataca.

Gustavo (MEI) – Cérebro da equipe. Um dos principais destaques do Leão no Brasileirão, o camisa 10 até teve propostas para sair, mas nenhuma agradou a diretoria. Por isso, deve continuar sendo o responsável por criar as jogadas e arriscar em finalizações de média distância, pois já mostrou ter qualidade com a bola no pé.

Mikael (ATA) – Letal. Artilheiro leonino na última temporada, o centroavante foi o nome mais destacável do time na Série A e também ficou próximo de ir embora, porém as negociações não evoluíram. Com bom posicionamento e calibrado nos chutes de curta distância, espera-se que o “tanque da Ilha” se mantenha em boa fase.

SANTA CRUZ: PELA HONRA, PELA GLÓRIA…

… Pela reconstrução. Após uma péssima temporada em 2021, o Tricolor do Arruda quer voltar a dar alegria ao seu torcedor, mas o ano tende a ser bastante complicado. Mais uma vez disputando a Série D do Brasileiro e sem vaga nas Copas, do Nordeste e do Brasil, o Santa Cruz terá o Estadual como única competição do primeiro trimestre. O foco total pode ser aliado dos comandados de Leston Júnior, que têm a missão de retomar a confiança e garantir um 2022 de sucesso.

Time base do Santa no Estadual (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

A atual temporada do Santa Cruz, tecnicamente, já começou. O jogo aconteceu em 2021, mas era válido pela Pré-Copa do Nordeste 2022. E o treinador já era Leston. Essa partida pode ser um caminho para encontrarmos como o Tricolor pode atuar ofensivamente. Apesar da desclassificação, o setor de ataque funcionou bem, criando muitas chances e balançando as redes três vezes.

Postura coral com Leston (Imagem: TV Jornal/SBT)

Dentro do gramado serão outros atletas, já que o clube passou por uma imensa reformulação, mas as táticas devem se repetir. Atuando inicialmente no tradicional 4-2-3-1, a equipe variou bastante, chegando a se postar num 2-4-3-1, contando com um forte avanço dos laterais e dos homens de meio campo.

Na referência, o atacante Walter, que terá a difícil missão de substituir Pipico, poderá se aproveitar desse esquema, já que a bola chega muitas vezes dentro da grande área adversária após cruzamentos ou jogadas de infiltração.

COMO DEFENDE

Se o ataque funcionou, a defesa demonstrou muitas falhas e precisará de ajustes. Em relação ao último jogo, todo o setor foi alterado, do goleiro aos homens mais defensivos do meio de campo. Um remanescente do elenco, o jovem zagueiro Jr. Sergipano, deve ter mais chances no time titular, formando dupla com Lucão. Eles, juntamente com os laterais, terão a missão de não dar tantos espaços para infiltrações adversárias, um problema que ficou claro na partida contra o Floresta.

Linha de 5 também é possibilidade no Mais Querido (Imagem: Nordeste FC)

Podendo se fechar no 4-3-3, o Santa precisará de mais compactação entrelinhas. Marcos Martins deve ser peça chave nesse posicionamento, que também deve contar com o auxilio de um atleta com características mais ofensivas. Nesse caso, Lelê, que atuou como o camisa 10 do time, apareceu para recompor no sistema defensivo. Essa missão deve cair no colo de algum dos homens dos homens da linha de 3 no meio, Esquerdinha, João Henrique ou Mateus Anderson.

PARA FICAR DE OLHO

Jefferson (GOL) – Com história defendendo o rival, Náutico, Jefferson tenta reencontrar sua melhor forma no Arruda. Já se mostrou capaz em defesas com bola rolando ou parada – principalmente nos pênaltis – e deve ser o camisa 1 de Leston Júnior neste início de Estadual.

Marcos Martins (LD) – Velho conhecido. Em sua segunda passagem pelo Arruda, o lateral-direito chega como um dos pilares do elenco. Apesar de ter sido anunciado ainda em 2021, pouco antes da Pré-Copa do Nordeste, o jogador fará sua reestreia apenas na atual temporada. Após boas atuações em 2019 pela Série C, Marcos Martins buscará repetir o sucesso em 2022 e deve ser um dos principais jogadores de Leston.

Walter (ATA) – A maior contratação do time até o momento. Com uma carreira de altos e baixos, o atacante Walter chega a sua terra natal para, pela primeira vez, defender um clube pernambucano. Depois de excelente passagem pelo Goiás em 2013, o jogador acumula temporadas fracas e dificuldade de manter a forma física. No Tricolor, terá mais uma oportunidade de retomar seus bons momentos e tem tudo para ser um dos principais personagens do Pernambucano.

AFOGADOS: O ATAQUE DA CORUJA

*Com informações do repórter Marcony Pereira, da Pajeú FM

Embalado. Depois de boa participação no ano passado, quanto atingiu a segunda fase, o Afogados chega em alta para o Estadual 2022. Para isso, manteve o comando do treinador Sérgio China, que busca mais uma vez deixar seu nome marcado na história do clube. O ponto forte de Coruja de China é o ataque.

Time-base dos sertanejos para o torneio (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

Tendo a bola nos pés, os sertanejos costumam contar com o apoio dos laterais, principalmente Állefe na direita. Em cenário ofensivo, eles dialogam com os homens de frente para confundir a marcação adversária e facilitar a busca por espaços.

À frente, geralmente um trio se encarrega de atormentar a defesa rival, flertando com o 4-3-3. A tática foi bastante utilizada por China em 2021, revelando nomes como Vinícius Vargas e Fauver Frank, que posteriormente se transferiram para Náutico e Santa Cruz, respectivamente.

O tridente ofensivo da equipe afogadense (Imagem: MyCujoo)

COMO DEFENDE

Já na defesa, China vem fazendo alguns testes para escalar a dupla ideal. A grande probabilidade, a priori, é que a equipe se feche com apenas um atacante à frente, seja no 4-5-1 e até 5-4-1, modelos mais nítidos quando a Coruja está em vantagem no placar.

PARAR FICAR DE OLHO

Állefe (LD) – O grande destaque do Afogados neste início de temporada. Apoiador nato, Állefe dá profundidade pela direita, seja caindo por dentro ou chegando até a linha de fundo. Também finaliza bem de média e longa distância, tendo marcado um dos gols na goleada por 5 x 0 em jogo-treino contra o Galo de Ouro.

Lucas Silva (VOL) – Quem distribui o jogo na Coruja. Boa visão de jogo e cabeça erguida são as grandes virtudes de Lucas Silva, que comanda o meio de campo. Praticamente toda ação ofensiva passa pelos seus pés, além de sua importância na defesa. Cerebral.

Breninho (MEI) – Flecha. Veloz e ágil, Breninho é o mais virtuoso do time, de quem se espera um lance diferenciado. O meia também brilhou diante do Galo de Ouro, indo às redes duas vezes. Teoricamente, é o substituto de Candinho, que deixou o clube.

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CARUARU CITY: PRIMEIRA VEZ DE UM SONHO

Estreante. Campeão da Série A-2 no ano de estreia, o Caruaru chega para o primeiro ano na Série A-1 embalado pelo título e pelos resultados obtidos na pré-temporada. Foram quatro jogos-treino disputados no decorrer de toda a preparação, vencendo times amadores como Zitrone e Borussia de Ameixas por 2×0 e 2×1, sendo derrotado pelo Vera Cruz por 1×0 e empatando frente ao Campinense em 1×1 na última partida.

Time-base dos caruaruenses para a disputa da competição (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

Intenso. Dono do melhor ataque da A-2 com 19 gols marcados, o Leopardo já visa a manutenção da intensidade também na A-1. Durante a preparação, os caruaruenses demonstraram variações semelhantes às da Segundona. Com a bola no pé, o time figurou constantemente no próprio 4-2-3-1 de base, mas o mais comum foi o 4-3-3, tendo Candinho próximo aos volantes para fazer a criação de jogadas.

Time busca sair ao ataque no jogo apoiado (Imagem: PB Esportes)

Além disso, o setor ofensivo do City tem a presença constante dos laterais no apoio. Assim, podem tanto abrir de lado para dar amplitude, como conduzir a posse pelo meio, alternâncias que se devem muito ao encaixe defensivo de cada um dos adversários, contudo com um único objetivo: ocupar o máximo de espaços.

COMO DEFENDE

Sem a bola, por outro lado, o Leopardo busca ter sua solidez inspirado no que fez ao longo da Série A-2. Formando mais frequentemente o próprio 4-2-3-1 de base, a equipe tenta ter a primeira linha próxima às demais, dando muita compactação e neutralizar as brechas entrelinhas para poder, assim, evitar a infiltração.

Comandante do Azulão optou por manter modelo da A-2 (Imagem: PB Esportes)

Há ainda a possibilidade de alternar ainda para um 4-4-2 e 4-1-4-1, que tem como foco sair para o contra-ataque quando recuperar a bola. Desse modo, fica com todos os jogadores no seu próprio campo, tendo os blocos médios ou blocos médio/baixos, dependendo da intensidade ofensiva demonstrada pelo rival.

PARA FICAR DE OLHO

Heverton Luís (ZAG) – Com boa rodagem pelo futebol brasileiro, Heverton é um dos mais experientes do sistema defensivo, inclusive do elenco também. Forte na bola aérea, seja defensiva ou ofensiva, é uma das armas de Thyago Marcolino nos dois momentos; jogador está no clube desde a A-2 e é um dos considerados titulares.

Candinho (MEI) – Meia armador, centroavante, extremo… onde colocar, ele é capaz de decidir. Já conhecido por ter atuado em vários times do futebol de Pernambuco, Candinho vem sendo um dos nomes mais destacáveis desse Caruaru City. Sua principal característica é a bola parada, tanto escanteios como cobranças de falta, tendo ainda boas finalizações de média distância.

ÍBIS: VOANDO NA ELITE

Dando as caras 22 anos depois, o Íbis está de volta à Primeira Divisão do Estadual e manteve a base que ficou com o vice-campeonato da Série A-2, ano passado. Comandado por Carlos Aberto, o Pássaro Preto quer surpreender os grandes, mas terá uma pedreira logo na estreia: o atual campeão, Náutico.

Time base do Íbis (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

Em fase ofensiva, a tendência é a manutenção do sistema de jogo, variando entre o 4-3-3 e o 4-1-2-3, tendo um volante mais fixo no círculo central e outro saindo para o jogo. O ataque foi a principal arma do rubro-negro na Segundona, quando marcou quatro gols no Quadrangular Final e garantiu o acesso.

Postura do Íbis frente ao América (Imagem: TV FPF)

A boa novidade do meio para frente pode ser a chegada do experiente Rosivaldo, ex-Sete de Setembro. Ele deve assumir a titularidade, ficando com a responsabilidade de municiar os homens de frente, ou tentar o arremate de fora da área.

COMO DEFENDE

Leitura de jogo. Se o ataque teve destaque, a defesa também ostenta bons desempenhos. Geralmente fechado num 4-4-2, o Íbis explora bem suas duas linhas de 4 para conter as investidas rivais, deixando poucos espaços. No entanto, a exigência maior na elite pode pesar contra os comandados de Carlos Alberto.

Pássaro Preto busca fechar o máximo de espaços sem a bola (Imagem: TV FPF)

PARA FICAR DE OLHO

Celestino (VOL) – O guardião do Pássaro. Celestino é o cabeça de área, sempre fixando para proteger a linha de defesa e preencher o “miolo”. Revelado na base do Náutico, o meio-campista tem tudo para ser uma das revelações do Estadual, após sobrar na Série A-2.

Kelven (ATA) – Artilheiro da Segundona com seis gols, Kelven chega à elite sob altas expectativas. Costuma ter o faro de gol apurado, geralmente na referência do ataque, mas também caindo pela ponta esquerda, e finaliza bem com os pés ou de cabeça. Olho nele!

RETRÔ: AVE FÊNIX

Ressurgindo das cinzas. Após uma temporada de 2021 com diversas competições, a Fênix terá um 2022 esvaziado. A péssima campanha no último Pernambucano e a desclassificação na Série D acabaram deixando a equipe de Camaragibe apenas com o Estadual em seu calendário. Por isso, a competição terá foco total do Retrô na busca de garantir vagas nas competições nacionais e regionais para o ano que vem.

DNA Retrô permanece mantido para mais uma temporada (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

Se preparando para o Pernambucano 2022, o Retrô foi até a Paraíba, onde em partida amistosa, derrotou o Campinense por 2 x 1. Mesmo com 16 contratações e um novo treinador, a equipe segue mantendo a mesma filosofia de jogo de anos anteriores, que também pode ser observada em sua categoria de base, sempre atuando no 4-3-3 com um volante mais defensivo e dois tendo mais liberdade para chegar ao ataque.

Postura da Fênix diante dos paraibanos (Imagem: TV Retrô)

Em alguns momentos o ataque pode variar para o 3-4-3. O trio ofensivo segue o mesmo, mas Charles recua ainda mais para formar uma linha de três zagueiros, dando total liberdade para os laterais avançarem e se igualarem aos outros dois homens de meio de campo. Pedro Costa, o lateral-direito, é quem mais se aproveita desse tipo de jogada, avançando bastante pela ala com muita velocidade, força e habilidade.

COMO DEFENDE

Praticamente todos os jogadores tem funções defensivas na equipe de Camaragibe. O único sem muitas obrigações é o centroavante, que tem mais liberdade para aguardar possíveis contra-ataques após retomadas de bola. Todo o restante pode ajudar em determinadas situações de jogo.

Retrô se fechando sem a bola (Imagem: TV Retrô)

A equipe pode até chegar a se postar no 4-5-1, com os dois pontas se juntando ao trio de meio-campistas. Nesse caso, Marcus Índio e Gustavo Ermel recuaram para fechar a linha de cinco; Charles e Otávio ficaram postados na defesa, dando mais liberdade para o camisa 10, Erivelton Araújo, que também foi combativo na roubada de bola.

PARA FICAR DE OLHO

Jean (GOL) – Um dos destaques da temporada passada, o goleiro Jean acertou sua renovação e continuará no Retrô para 2022. O camisa 1 fez excelentes partidas na reta final da Série D, realizando grandes defesas e até pegando pênaltis, ajudando seus companheiros a avançarem na competição.

Charles (VOL) – Anunciado no começo do ano, o volante Charles é um dos nomes mais conhecidos do atual elenco. O ex-atleta do Santa Cruz chegou a ser especulado como um possível reforço do Tricolor, mas acabou acertando com a Fênix. Aos 26 anos e acumulando passagens por Londrina e Remo, o jogador deve ser titular absoluto e peça chave na equipe de Dico Wooley.

SALGUEIRO: VOLTAR A FAZER HISTÓRIA

Reformulado. Se 2020 foi marcado pela início da pandemia, para o Salgueiro o ano teve um raro motivo de alegria: garantiu o Estadual pela primeira vez a favor de uma equipe sem ser da capital Recife. Agora, 2021 – mesmo sendo o 3º colocado – virou passado e o Carcará girou a chave, modificando quase o elenco inteiro, já que não disputou a Série D.

Robinho é o único remanescente de 2021 no time-base (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

A mudança também no comando técnico promoveu novidades no modelo de jogo. Se na temporada passada era um 4-3-3 bem evidente e com maior fluidez das jogadas usando o meio, Sílvio Criciúma tem feito diferente. O ex-zagueiro aposta na abertura pelos lados, explorando a velocidade das peças das beiradas, apoiadas pelos laterais, variando ao 4-2-3-1.

Meio-campistas jogam próximos à trinca para ajudar na criação (Imagem: TV Sol Talismã)

Desse modo, os dois volantes ficam se revezando numa linha de 3 junto aos zagueiros e tendo os laterais auxiliando na transição. Ainda assim, há ligação direta com os blocos de ataque, tentando a infiltração nas brechas deixadas pela marcação. Nos jogos-treino de pré-temporada, mostrou ser um time de proposição ofensiva, sem postura reativa.

COMO DEFENDE

A fase defensiva do Tricolor do Sertão também teve modificações para 2022. O time até mantém as duas linhas de 4 que usava frequentemente em 2021 sob o comando de Daniel Neri, porém performa no 4-4-2 de blocos médios, saindo do 4-1-4-1. Dessa maneira, o centroavante se junta ao armador para pressionar a saída adversária, com os extremos próximos aos volantes.

Sertanejos optam por blocos mais adiantados para recuperar posse (Imagem: TV Sol Talismã)

Ainda assim, a tendência é que o comandante tente repetir o modelo usado na passagem pelo Central, em 2020. Com isso, busca povoar o meio e fechar as laterais para investidas adversárias no intuito de uma transição defensiva mais suave, preenchendo os espaços entrelinhas e dando solidez à primeira linha de marcação.

PARA FICAR DE OLHO

Cal (VOL) – Cria da base do Náutico, surgiu como um grande valor, mas não conseguiu se firmar pelo Timbu, o que rendeu passagens no futebol europeu. Na última temporada, disputou o Estadual pelo Afogados, demonstrando sua força na bola parada, seja nas cobranças de falta ou dos escanteios; o chute de média distância também é uma alternância, assim como passes longos.

Robinho (PE) – Apesar de jovem, já tem boa rodagem no Brasil e sempre se destacando pela velocidade pelo lado do campo. Driblador, pode ser opção para romper as linhas adversárias, além de ocupar os espaços entrelinhas e mostrando faro de gol quando preciso; voltou ao Carcará após ser campeão da 3ª divisão do Goiano pelo Cerrado, marcando sete tentos em 12 jogos.

SETE DE SETEMBRO: EM PROCESSO DE MATURAÇÃO

Maturando. Após garantir a permanência de maneira dramática em 2021, o Sete de Setembro chega para a atual temporada com o elenco totalmente alterado, porém sem investimento alto. O treinador português Luís Miguel é o único estrangeiro da competição e tem como missão evitar a queda de uma equipe que já chega com status de rebaixada.

Time-base foi praticamente o mesmo em dois jogos-treino (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

Apesar de não ter mostrado muita presença ofensiva nos jogos-treino contra Sport Lagoa Seca – empate em 1×1 – e derrota por 2×0 ante o Treze, o Sete de Setembro demonstrou algo um pouco diferente de alguns dos rivais. O início da criação veio numa saída de 3, composta por um dos volantes – Anderson mais frequentemente – e os demais formando uma linha de 5 no meio, assim como a dupla de ataque.

Um dos volantes dos alviverdes recua para uma saída de 3 (Imagem: TV 13)

Mesmo com os laterais dando amplitude e as peças próximas, a transição nem sempre passa pelo jogo apoiado, pois em alguns momentos há ligação direta aos homens de frente. E é isso que diminui o poder criativo do time, já que os jogadores ficam isolados e pouco são servidos pelos companheiros para finalizar.

COMO DEFENDE

Sem a posse, entretanto, a postura consegue ser melhor definida, ainda que não haja muita estabilidade. Formando um 4-4-2 de blocos médios, o time alviverde visa deixar o meio povoado e ter aproximações de quem joga pelo lado na recomposição, buscando neutralizar o máximo de espaços para as infiltrações entrelinhas.

Setembrinos baixam as linhas para poder contra-atacar mais rápido (Imagem: TV 13)

E é a quebra das linhas defensivas que geram espaços para os adversários o ponto a ser corrigido para o Estadual. A falta de compactação dos blocos faz os rivais trocarem passes e explorar conseguir aproveitar para levantar bolas na área com frequência, além de arrematar de média distância nas costas dos volantes.

PARA FICAR DE OLHO

Saulo (GOL) – Criado na base do Sport, goleiro acumula muita bagagem no futebol brasileiro e tenta trazer essa experiência ao Lobo-Guará. Por conta da altura, se sobressai em bolas alçadas na pequena área, bem como tem uma envergadura destacável; é um dos mais experientes do plantel alviverde, que o faz ter poder de liderança quando necessário.

Pantico (VOL) – Promessa do futebol baiano, chegou ao meio-campo sendo um dos principais destaques da equipe. Além de ajudar na transição desde lá de trás, levando aos homens de frente, o volante é importante também na fase defensiva, guardando a posição e dando desarmes para poder segurar as investidas dos adversários.

VERA CRUZ: ENTRE A CRUZ E A ESPADA

Franco atirador. Vindo de boa campanha na última temporada, quando avançou até as quartas de final, o Galo das Tabocas chega pensando em alçar voos mais altos. O novo treinador da equipe, Gabriel Lisboa, que já trabalhou no Sub-20 do Santa Cruz, assume o comando da área técnica em 2022 e terá um elenco com várias contratações buscando outra campanha digna.

Galo do Maués tenta mesclar juventude e experiência entre os 11 (Feito no Tactical Pad)

Incógnita. Trocando constantemente de treinador – só no Pernambucano de 2021 foram dois -, o Vera chega como um ponto de interrogação à 108ª edição do Estadual. Em campo, terá a responsabilidade de representar o munícipio de Vitória de Santo Antão, já que o conterrâneo e homônimo à terra natal, Vitória, foi rebaixado.

A certeza é chegada de alguns reforços. Se em 2021 apostou nos mais jovens, na atual temporada opta por mesclar com a experiência e, assim, buscar a manutenção por mais um ano na elite estadual.

O Galo do Maués é quem tem a menor folha salarial, o que destaca a competitividade no elenco para uma vaga entre os titulares. A única certeza, porém, é que o 4-3-3 será mantido da última temporada, com as variações ficando em aberto, já que apenas um jogo-treino foi realizado e o modelo não teve padrões definidos.

PARA FICAR DE OLHO

Sinho (LD) – Cria da base do Sport, o lateral-direito Sinho surgiu como uma boa promessa, mas não conseguiu oportunidades no Leão e acabou rodando por equipes menores do futebol paraibana e pernambucano. Após três temporadas no Salgueiro, quando fez parte do elenco campeão do estadual de 2020, ainda atuou pelo Central antes de ser anunciado como novo reforço do Vera Cruz.

Rayder (MEI) – Experiência europeia. O veterano meia Rayder, de 32 anos, é um dos reforços do time para a temporada. Pouco conhecido no futebol nacional, o atleta atuou na base do Atlético-GO, mas fez boa parte de sua carreira no futebol da Bélgica. Seu último clube foi Sint-Nikklas, atualmente na terceira divisão belga.

Arte: MVN Designers

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