Sport x Náutico: o que esperar do primeiro Clássico dos Clássicos de 2022

Por: Felipe Holanda e Mateus Schuler

Separando o joio do trigo. Mesmo em início de temporada, Sport e Náutico já protagonizam clássico com caráter decisivo pela Copa do Nordeste 2022. Rubro-negros e alvirrubros entram em campo neste sábado (29) às 17h45, na Ilha do Retiro, buscando a primeira vitória: enquanto o Leão perdeu para o CRB na estreia do Nordestão, Timbu não saiu do zero frente ao Campinense.

O Pernambutático destrincha o que esperar taticamente do confronto, com principais posicionamentos táticos, estilos de jogo, jogadores para ficar de olho de ambos os lados, pontos fortes e fracos, e muito mais do duelo entre Leão e Timbu.

Times ainda não estão confirmados para o duelo (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA O LEÃO

Se durante o início do Brasileirão 2021 o setor ofensivo era um calo, Florentín é o responsável por mudar o panorama. O comandante leonino tem deixado o time mais dinâmico quando tem a posse, mesmo tendo a transição bastante sustentada; os laterais geralmente dão amplitude e ajudam os jogadores da beirada, com as jogadas fluindo também pelo meio.

Primeiro volante recua junto aos zagueiros e demais meio-campistas ficam adiantados (Imagem: Premiere)

Do meio para frente, porém, há algumas variações propostas para tentar ter o máximo de opções de passe. Dessa maneira, pode formar o próprio 4-2-3-1 de base, contudo alternando para um 4-2-4 quando quer ser mais incisivo ou o 4-3-3, deixando os meio-campistas próximos e o trio de ataque isolado para ocupar o último terço.

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Em outras oportunidades, pode até performar num 3-4-3, fazendo o primeiro volante fazer o papel de terceiro zagueiro e os laterais adiantados, ocupando a mesma dos demais meio-campistas. Assim, consegue povoar bem o bloco central e confundir o adversário, dando a opção da criação ser pelo meio ou de lado.

COMO ATACA O TIMBU

Transição rápida. Esta é a tônica do Náutico comandado por Hélio dos Anjos, principalmente tendo a bola nos pés. Valorizando a posse lá de trás, o Timbu costuma construir bem suas jogadas, seja com os volantes ou o meia central voltando para fazer o jogo apoiado com os laterais. A estratégia, geralmente, surte efeito, em especial quando a defesa adversária é pega de surpresa.

Apesar da verticalidade, os alvirrubros concentram a maioria das investidas pelos lados do campo. Foi o que pôde ser visto nos dois primeiros jogos da temporada, contra o Íbis (vitória por 3 x 0 no Campeonato Pernambucano) e o empate sem gols diante do Campinense; laterais Hereda e Júnior Tavares sempre surgem como opções de passe neste cenário.

Laterais do Timba ajudam bastante na criação ofensiva (Imagem: TV Globo)

Outro ponto destacável é a busca por uma referência no ataque. Ainda sem a presença de Kieza, em recuperação de uma cirurgia no tendão de Aquiles, e Álvaro vindo de má fase, Hélio deve optar por escalar um dos extremo mais centralizado. No caso, Robinho, é esperado para dividir essa função junto ao estreante Leandro Carvalho, que também tem características de ponta.

COMO DEFENDE O LEÃO

Nada de novo. O desempenho do sistema defensivo leonino durante a Série A sob o comando do técnico paraguaio, mesmo com o rebaixamento, fez com que o modelo de jogo não sofresse tantas alterações. Ainda que estreasse no Nordestão sendo derrotado, o treinador do Leão busca manter a proposta da equipe, se fechando assim majoritariamente com duas linhas de 4 num 4-4-2.

Com blocos médios, há ainda a possibilidade dos rubro-negros alternarem o sistema de marcação, buscando fechar os espaços para tentar segurar mais as investidas dos rivais. Dessa maneira, tem constantes flertes entre 4-1-4-1 – tendo um dos volantes mais adiantados – e até o próprio 4-2-3-1 de base, o que ocorreu na estreia diante do CRB.

Leoninos buscam ocupar o máximo de espaços sem a bola (Imagem: Premiere)

A tendência, no entanto, é a manutenção do 4-4-2, tendo uma das peças da trinca junto a Mikael e as demais auxiliando os volantes. Dessa maneira, pode mudar o posicionamento dos blocos para médio ou médio/altos, passando a depender muito da intensidade apresentada pelo adversário quando estiver tendo a posse.

COMO DEFENDE O TIMBU

O sistema defensivo é o principal ponto de alerta do Náutico neste início de temporada, bem como em 2021. Cheio de desfalques, Hélio dos Anjos precisa quebrar a cabeça para escalar a dupla de defensores, mas a tendência é se fechar em duas linhas de 4, flertando sempre com variações entre 4-4-2 e 4-5-1, independente das peças; assim, os pontas voltam para recompor junto aos laterais.

Ainda sem ser vazado neste início de temporada, o Timbu terá o seu primeiro teste de fogo diante do rival. Dito isso, a maior probabilidade é ver as linhas mais recuadas, principalmente em situações de 0 x 0. Desse modo, o contra-ataque utilizando os extremos seria a principal válvula de escape em caso de desarmes.

Alvirrubros buscam o máximo de compactação defensiva (Imagem: Nordeste FC)

Outra opção, pouco utilizada por Hélio, é se compactar num 4-1-4-1, tendo a presença – constantemente – de Djavan à frente da primeira linha. Em outros casos, há a chance de Rhaldney também poder desempenhar nessa função, porém o camisa 8 vem atuando mais adiantado com ou sem a bola ao lado do armador.

PARA FICAR DE OLHO: SPORT

Jáderson (PD) – Flecha. Válvula de escape dos leoninos na goleada contra o Sete de Setembro, balançou as redes por duas oportunidades e serviu seus companheiros em outras duas, participando diretamente de quatro dos sete gols. Com muita velocidade e boa recomposição, mostra ser peça essencial ao sistema tático de Florentín.

Mikael (ATA) – Letal. Artilheiro leonino na última temporada, o centroavante foi o nome mais destacável do time na Série A e também ficou próximo de ir embora, porém as negociações não evoluíram. Com bom posicionamento e calibrado nos chutes de curta distância, marcou dois gols, demonstrando ter a pontaria em dia.

PARA FICAR DE OLHO: NÁUTICO

Camutanga (ZAG) – Xerife Timbu. Camutanga é quem comanda o sistema defensivo do Náutico, podendo atuar nas duas funções principais da defesa. Se destaca pelo bom posicionamento sem a bola e pelo scout positivo que tem nos desarmes. Além disso, pode ser perigoso na bola aérea ofensiva, já que tem o cabeceio como principal arma.

Rhaldney (VOL) – Prata da casa, Rhaldney segue firme como um dos grandes destaques do Timbu. Foi peça chave durante a conquista do Pernambucano 2021 e fez uma boa Série B, se valorizando ainda mais no mercado. Tem obrigações de cabeça área, mas também já demonstrou qualidades ofensivas, sendo uma válvula de escape pela direita.

HISTÓRICO DOS CLÁSSICOS

Com fundação próxima, Sport e Náutico se conhecem desde os primórdios até hoje em dia. Em 557 jogos, vantagem para o Leão, com 213 vitórias contra 183 do Timbu, além de 160 empates; um duelo, disputado pelo Torneio Abrigo Terezinha de Jesus em 29 de março de 1931, tem resultado desconhecido.

O primeiro capítulo da rivalidade aconteceu em julho de 1909, quando os alvirrubros venceram por 3 x 1 em amistoso. As maiores goleadas do clássico contam com oito gols para cada lado. Enquanto os leoninos venceram por 8 x 0 em 1916, o Timba fez sua festa em 1935, atropelando por 8 x 1, ambos na era não-profissional do Pernambucano.

Arte: MVN Designers

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