Jovem guarda: o que esperar de Felipe Conceição no Náutico

Por: Felipe Holanda

Os lemes da área técnica do Náutico têm um novo timoneiro: Felipe Conceição. Aos 42 anos, Felipe é um dos expoentes da nova safra de treinadores brasileiros e chega à Rosa e Silva para fazer história após rescindir contrato com a Chapecoense, seu último clube.

Nesta análise, o Pernambutático destrincha o que esperar do novo comandante Timbu, com principais características, modelos de jogo, números na carreira, informações exclusivas de um analista, e como Conceição pode recolocar a equipe nos trilhos para o restante da temporada.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Felipe Conceição é um treinador que sempre prezou pela intensidade em seus trabalhos à beira do gramado. Já mostrou boas distribuições de peças em campo ao longo da carreira, geralmente optando pelo 4-3-3 na posse de bola. A tática é caracterizada pela saída rápida da defesa para o ataque, tendo os pontas auxiliando na construção por fora e os homens de meio dialogando com o centroavante.

Exemplo de 4-3-3 (Imagem: N Sports)

No comando da Chapecoense, seu último clube, Felipe não teve o tempo ideal para trabalhar o time, fato que pode ter ajudado sua decisão de deixar o Verdão do Oeste para assinar com o Náutico. Por outro lado, se destacou no ataque, fazendo questão de formar um tridente ofensivo, sempre com um cabeça de área mais fixo na penúltima linha.

No Timbu, esse homem de mais combate será Djavan. Ele, inclusive, é um deve ser pouco sacado da equpe por ter um perfil mais defensivo que o companheiro Rhaldney. Assim, Franco seria mantido como opção no banco de reservas, apesar de ter entrado bem no empate em 2 x 2 diante do Fortaleza, no último sábado (12), nos Aflitos, pela Copa do Nordeste.

Provável Náutico de Felipe Conceição na estreia, diante do Atlético-BA (Feito no Tactical Pad)

O 4-3-3 permite muitas alternativas. A principal delas é o 4-2-3-1, sistema utilizado por Conceição na saída de bola da Chape, com os dois volantes auxiliando na organização ofensiva e os laterais dando amplitude. Neste aspecto, a alternativa é bem semelhante ao que vinha acontecendo com Hélio dos Anjos.

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Construção catarinense (Imagem: N Sports)

Ataque posicional

O ataque de Felipe Conceição é característico pela construção elaborada. Utiliza sempre um grande número de jogadores perto da bola e por isso tem muitas ações ofensivas durante a maioria dos jogos. É uma busca permanente para encontrar espaços.

Os jogadores só mudam de posição no campo quando a jogada está próxima deles com o objetivo de encontrar brechas na defesa. Já o atleta que está longe da bola, fica dando opção para uma virada de jogo ou para uma tentativa de reiniciar a jogada mais atrás.

Ataque posicional que deve acontecer no Timbu (Feito no Tactical Pad)

Nesse modo de ataque, os laterais aparecem bastante pelo lado para dar apoio aos pontas e aos jogadores de meio mais próximos. Assim a criação das jogadas pelo lado direito ficaria com Hereda/Rhaldney/Ewandro, tendo Júnior Tavares/Djavan/Leandro Carvalho na esquerda.

Como defende

Os times de Felipe Conceição costumam ter linhas muito bem definidas sem a bola, fixando num 4-1-4-1 em blocos médios e marcação zonal. A principal faceta é tentar recuperar a posse o quanto antes, tendo apenas o centroavante mais adiantado, enquanto os pontas recompõem ao lado dos laterais.

Chape em composição defensiva (Imagem: N Sports)

A depender do placar, Conceição pode se fechar com um homem a mais na segunda linha, deixando o meio de campo mais povoado à frente da grande área. Foi essa compactação que ficou mais clara no Remo em 2021, equipe que enfrentou o próprio Náutico na Série B.

Leão paraense no 4-5-1 (Imagem: Brasileirão Play)

“Ele (Felipe Conceição) chegou bem ao Remo, dando um pouco de sorte até, já que os principais reforços para a Série B – Matheus Oliveira e Victor Andrade – tinham sido anunciados antes. Ao chegar, mudou o sistema tático do 4-2-3-1 ao 4-1-4-1, o que deu certo por usar um falso 9 como a peça de referência, tendo ainda um volante mais seguro aliado a dois meias centrais e extremos agressivos no ataque. Apesar de ter ganho mais posse com esse modelo, o melhor Remo foi sem a bola, pressionando o adversário no campo de defesa e conquistando bons resultados; ganhou alguns jogos também pela individualidade de alguns nomes”

Mathaus Pauxis, editor no Toró Tático

NÚMEROS

Na curta carreira de treinador, iniciada em 2017, Conceição ainda um grande trabalho, mas teve uma passagem de destaque pelo América-MG. Mesmo sem conquistar o acesso – dependendo de si – à Série A em 2019, evitou o rebaixamento ao vencer 16 de 29 jogos, empatando outros oito e perdendo por apenas cinco vezes.

Além do Coelho, passou antes por Gonçalense, em 2016, e Botafogo e Macaé, ambos durante a temporada 2018. Iniciou 2019 no Bragantino, traçando a filosofia que resultaria no título da Segundona, mas sem muito sucesso por acumular nove triunfos, três igualdades e seis reveses ao longo de 18 partidas disputadas; no decorrer do ano, comandou também o Guarani. Depois dos americanos, defendeu Cruzeiro (oito vitórias, três empates e oito derrotas), Remo (vencendo em 11 oportunidades, empatando somente quatro e sendo batido em 12 ocasiões) e Chapecoense.

Na Chape, já no ano corrente, teve 50% de aproveitamento nos seis duelos realizados. Foram três resultados positivos e outros três negativos, com a equipe marcando seis gols e sofrendo sete, tudo no Catarinense; Verdão ficou na 5ª posição após sua saída.

Créditos da imagem principal: Tiago Caldas/CNC

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