Ataque do Santa Cruz tem início mais positivo do século no Pernambucano; veja análise

Por: Felipe Holanda e Mateus Schuler

O bom momento do Santa Cruz na temporada passa diretamente pelo sistema ofensivo. Marcando 14 gols em cinco rodadas, o Tricolor tem o início mais positivo do século, superando a marca de 2004 – quando fez 13 – e é o dono do melhor ataque do Campeonato Pernambucano Betsson 2022, com destaque para Walter, que foi às redes três vezes.

Nesta análise, o Pernambutático destrincha as principais características do sistema ofensivo coral, com posicionamentos, números, um comparativo dos últimos anos, como a maioria das chances são criadas, e muito mais.

COBRA VENENOSA

Um dos motivos da boa fase é a organização das peças do Santa Cruz em campo. Leston Júnior tem leque vasto de opções para agredir o adversário, mas geralmente aposta no 4-2-3-1 de bolas longas, com muita objetividade. A estratégia é sempre procurar Walter na referência para puxar a marcação rival. Assim, abre espaço para as chegadas dos pontas, ora Matheuzinho, ora Esquerdinha ou Tarcísio; João Cardoso e Mateus Anderson também surgem como opções.

Imposição no 4-2-3-1 em busca do gol (Imagem: Premiere)

As variações não param por aí. Em certos momentos dos duelos, Leston já performou um 4-2-4, tendo Rodrigo Yuri e Tarcísio se revezando no apoio à última linha, dialogando bem com os homens de frente. Foi o que aconteceu, inclusive, na vitória por 3 x 0 sobre o Íbis, na Arena de Pernambuco, ainda na terceira rodada.

As mudanças de estilo do ataque coral (Imagem: Premiere)

O veneno da Cobra Coral terá um teste de fogo no fim de semana, quando o Mais Querido enfrenta o Sport em seu primeiro clássico desta temporada. Em contrapartida, Leston tem uma semana inteira de trabalho para fazer ajustes, já que o duelo contra os leoninos foi adiantado da sétima rodada e ocorreria no último sábado (12).

“Já temos um sistema de jogo definido, mas os jogadores ainda estão se conhecendo e o encaixe ainda está sendo trabalhado. Temos agora uma semana com espaço para treino depois de quinze dias com uma bateria de jogos em sequência”

Leston Júnior, treinador do Santa Cruz

CONSTRUÇÃO POR FORA

Agilidade ofensiva. Explorando muito os lados do campo, o Santa costuma construir a maioria de suas jogadas por fora. Neste cenário, busca fazer uma “pirâmide invertida”, num 4-3-3 com flertes ao 2-3-5 ou 2-5-3. A proposta dá fluidez ao jogo proposto por Leston, utilizando um dos laterais, geralmente o direito, por dentro.

Santa em organização ofensiva (Imagem: Premiere)

A mobilidade já mostrou resultado. Ante o Afogados, na estreia com goleada por 5 x 2, Ítalo Silva caiu à esquerda para um jogo apoiado e a bola foi morrer no fundo das redes após finalização de Tarcísio, selando a vitória tricolor em pleno Arruda. Walter, Matheuzinho, João Henrique e o mesmo Tarcísio foram os autores dos demais gols no massacre.

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Formatação da alternância coral na fase ofensiva (Feito no Tactical Pad)

EFEITO WALTER

A cada volta, um recomeço. Controvérsias à parte, Walter é o nome de maior destaque do Campeonato Pernambucano até aqui. O atacante brilha na sua primeira passagem em seu estado natal e já marcou três gols, além de uma assistência, se sobressaindo contra defensores rivais, apesar de não estar no ritmo ideal.

Além do camisa 18, outros jogadores também potencializaram seu futebol; curiosamente, dois canhotos. Enquanto Tarcísio é um dos artilheiros do time também marcando três tentos, Esquerdinha lidera nas participações diretas, balançando as redes duas vezes e dando três assistências, totalizando cinco. Quem cobre as saídas do centroavante coral é Rafael Furtado, que já deixou sua marca na temporada.

Lances de Walter no Pernambucano

Fazendo bem o pivô, Walter é a principal referência, seja dando passes chave ou rolando para trás. Outra faceta importante sua são as bolas paradas, que costumeiramente se mostram perigosas. Numa dessas cobranças, marcou um golaço na vitória tranquila sobre o Sete de Setembro por 3 x 1, no último sábado (12), quando fez dois; Matheuzinho anotou o terceiro.

COMPARATIVO COM AS ÚLTIMAS TEMPORADAS

A marca coral é considerada expressiva se comparada aos últimos 21 anos. No século, a oportunidade que o Santa chegou próximo do aproveitamento atual foi em 2004, quando encerrou vice-campeão numa final memorável à torcida do Náutico; rivais terminaram o campeonato tendo o ataque mais positivo, marcando 40 gols cada.

Nas oportunidades que terminou campeão, apenas em duas ocasiões – 2005 e 2011 – chegou a dois dígitos nos tentos. Em ambas, curiosamente, balançou as redes por 10 vezes, mas encerrou somente no ano do acesso à Série A como o setor ofensivo mais positivo do campeonato; na outra, foi o Timbu que terminou à frente.

Os melhores números quando ficou com a taça abaixo de dois algarismos, porém, foram em 2012 e 2013, assinalando oito gols cada. Já em 2015 e 2016, por outro lado, teve oscilação, pois marcou apenas por quatro oportunidades há seis temporadas, enquanto ficou nos sete na seguinte.

Créditos da foto principal: Rafael Melo/Santa Cruz

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