Sport x Santa Cruz: o que esperar do primeiro Clássico das Multidões de 2022

Por: Felipe Holanda e Mateus Schuler

Reencontro marcado. Sport e Santa Cruz fazem o primeiro Clássico das Multidões de 2022 em circunstâncias atípicas, como a ausência das torcidas no estádio. Duelo entre rubro-negros e tricolores está marcado para este sábado (19) na Ilha do Retiro, às 16h30, e é válido pela 7ª rodada do Campeonato Pernambucano Betsson 2022.

O Pernambutático destrincha o que esperar taticamente do confronto, com principais posicionamentos táticos, estilos de jogo, jogadores para ficar de olho de ambos os lados, pontos fortes e fracos, e muito mais do duelo entre Leão e Cobra Coral.

OS TIMES

Nenhuma das duas escalações estão confirmadas antecipadamente. Muito do mistério se deve a opções que os comandantes têm à disposição, com as definições saindo apenas momentos antes da bola rolar. Pelo lado da equipe da Praça da Bandeira, Chico e Sabino disputam por uma vaga na zaga, Ítalo e Naressi no meio, e Rodrigão e Parraguez na referência. Nos corais, porém, a indefinição é na defesa: Matheus Lira pode abrir espaço para possível estreia de Edson Ratinho, já Lucão e Júnior Sergipano concorrem pela parceria junto a Alex Alves.

Times possuem dúvidas por opções dos comandantes (Feito no Tactical Pad)

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COMO ATACA O LEÃO

Mesmo alternando entre o 4-2-3-1 e o 4-3-3 de base, os rubro-negros têm a saída em 3+2 como principal característica na construção, dando liberdade aos laterais. Dessa maneira, o primeiro volante recua ao lado dos zagueiros, enquanto os demais meio-campistas ficam responsáveis para poder iniciar a transição.

Assim, a tendência é de ver os leoninos formando o próprio sistema tático do início quando ataca, demonstrando muita intensidade, porém necessitando corrigir erros no último terço. Formando um 4-3-3, alterna constantemente a criação de jogadas, que pode ser tanto pelos lados como no meio, variando para tentar confundir a marcação.

Leão busca povoar ao máximo campo adversário durante fase ofensiva (Imagem: Premiere)

Caso opte por ser ainda mais incisivo ao atacar, que já aconteceu em outras oportunidades, é performar em um 4-2-4. Desse modo, tem o meia armador — quando o 4-2-3-1 é utilizado — ocupando o quarteto com os extremos e o centroavante, deixando os marcadores responsáveis por fazer a articulação dos lances.

COMO ATACA A COBRA CORAL

Objetividade à flor da pele. Com poucos toques na bola, o Santa já consegue ser perigoso, triangulando do meio para frente, geralmente no 4-2-3-1 tendo muita intensidade. Neste cenário, os laterais caem por dentro na construção, e Walter como referência. O camisa 18, inclusive, fazendo bem o pivô, dando uma assistência neste Pernambucano, além de três gols.

Além de Walter, quem também vem se destacando na Cobra Coral é o meia Esquerdinha, com dois tentos assinalados e três passes para outros. Neste início de temporada, a tendência é que Esquerdinha atue mais centralizado às costas do tridente ofensivo, principalmente se Leston Júnior optar pelo 4-3-3.

Uma coisa é fato: o ataque é o carro de chefe dos tricolores. Ao todo, o Mais Querido vazou os adversários por 14 vezes, uma a mais que o Sport, vice-líder no quesito. Desses, quem mais contribuiu foi Esquerdinha, totalizando cinco participações diretas, sendo seguido por Walter e Rodrigo Yuri, ambos com quatro.

COMO DEFENDE O LEÃO

Se o setor ofensivo tem algumas dificuldades, a parte defensiva mostra mais solidez, repetindo praticamente a postura proposta por Florentín ao longo da última temporada. A principal característica do time é a formação das duas linhas de 4, tendo constantes variações entre o 4-4-2 — mais comum — e o 4-1-4-1.

Com blocos também alternando de posicionamento, a depender de como o adversário ataca, o Sport busca fazer uma marcação mista, sendo frequente a compactação. As linhas tem aproximação entre as peças, com os laterais e os zagueiros ficando recuados, enquanto que os extremos e os volantes se postam um pouco mais adiantados.

Marcação pode se adiantar ou recuar a depender da intensidade (Imagem: Nordeste FC)

Em uma possibilidade ainda mais extrema, mas pouco provável por jogar em casa, é o time da Praça da Bandeira se retrair a ponto de ter a primeira linha de marcação com cinco jogadores. Assim, tem duas opções de sistema para desenhar quando tiver sem a posse: 5-4-1 e 5-3-2, com o meio-campista da armação se revezando entre as duas faixas.

COMO DEFENDE A COBRA CORAL

Se o ataque não dá dores de cabeça a Leston, a defesa se mostrou hesitante ao longo das cinco primeiras rodadas. Sem a bola, o Santa costuma manter as características duas linhas de 4, flertando entre 4-4-2 e 4-1-4-1. Na dupla de zaga, se Alex Alves esbanja segurança, Lucão, por outro lado, ainda não passou confiança.

Outra alternativa do comandante coral é se fechar no 4-5-1 para proteger a meta. Assim, consegue se compactar bem entrelinhas e preencher melhor o meio, deixando apenas Walter mais isolado, além de bloquear as investidas dos laterais e pontas adversários, fazendo assim uma transição com menos intensidade.

Corais priorizam o máximo de compactação na fase defensiva (Imagem: Premiere)

Se existe compactação, às vezes falta maor concentração. O Mais Querido já sofreu seis gols, com média acima de um por partida, aparecendo como a defesa mais vazada do G-6 no Estadual, junto ao Salgueiro; apenas os times do grupo que cai ao quadrangular do rebaixamento tiveram mais tentos. Foi, inclusive, diante do Carcará, a única derrota tricolor na competição até aqui.

PARA FICAR DE OLHO: SPORT

Blas (MC) – Contratado para atual temporada, o meio-campista paraguaio foi a campo por apenas quatro oportunidades, mas tem conseguido mostrar bom futebol. Peça importante na transição ofensiva, Blas usa sua experiência para ajudar a equipe, seja na criação das jogadas ou buscando espaços na defesa adversária para os companheiros criarem; além disso, tem força na fase defensiva, com qualidade na marcação.

Juba (PE) – Atuando mais adiantado, como foi durante a base, Juba tem tido melhor momento. Intenso quando ataca, o atleta é uma das peças de maior destaque no setor, principalmente sendo responsável pela criação, fazendo bons cruzamentos e/ou achando passes chave a quem atua adiantado. Ao contrário da última temporada, a bola parada virou uma das suas principais armas, com as cobranças de falta muito perigosas.

PARA FICAR DE OLHO: SANTA CRUZ

Rodrigo Yuri (VOL/MEI) – Sustentação. Sobrando no Estadual, Rodrigo Yuri é pedra basilar do esquema de Leston Júnior, seja durante a fase defensiva ou se aproximando do ataque num 4-2-4. Até aqui, o meio-campista contribuiu com três passes para gol e lidera o time no quesito, ao lado de Esquerdinha, além de uma bola nas redes.

Walter (ATA) – Silenciando críticas. Ainda sem o preparo físico ideal, Walter se sobressai na técnica e é o maior destaque deste início de Pernambucano, participando indiretamente de quase todos os gols marcados. Efetivamente, fez três, sendo um deles um verdadeiro golaço diante do Sete de Setembro, depois de cobrança de falta diferenciada; centroavante soma ainda uma assistência.

HISTÓRICO DOS CLÁSSICOS

Apesar de quase uma década de diferença, Sport e Santa Cruz se conhecem desde os primórdios até hoje em dia. Em 563 jogos, vantagem segura para o Leão, com 234 vitórias contra 169 do Mais Querido, além de 160 empates; os duelos se iniciaram ainda em 1916, sendo o último disputado no ano passado, com triunfo leonino.

O primeiro capítulo da rivalidade aconteceu em maio de 1916, quando os rubro-negros venceram por 2 x 0 num amistoso. As maiores goleadas do clássico variam para cada lado. O time da Praça da Bandeira venceu por 5 x 0 em 1986, a Cobra Coral fez sua festa em 1935, atropelando por 7 x 0, ambos válidos pelo Pernambucano.

Arte: MVN Designers

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