Semifinal das Emoções: o que esperar taticamente de Náutico x Santa Cruz

Por: Felipe Holanda e Ivan Mota

Contemporâneos. Felipe Conceição, 43 anos, e Leston Júnior, 42, fazem neste sábado (2) um dos jogos mais importantes de suas carreiras no duelo entre Náutico e Santa Cruz, nos Aflitos, pela semifinal do Campeonato Pernambucano Betsson 2022. Em caso de empate no tempo normal, o classificado à grande decisão será definido nos pênaltis.

Nesta análise, o Pernambutático destrincha como alvirrubros e tricolores devem se postar no duelo decisivo, explorando principais posicionamentos, prováveis escalações, estilos de jogo, números, além de jogadores para ficar de olho em ambos os lados.

NÁUTICO

Girando a chave. Após eliminação na Copa do Nordeste, o Náutico quer fazer diferente no Pernambucano. Para o confronto diante dos corais, o técnico Felipe Conceição sinalizou novidades na equipe titular. A principal delas é o retorno de Rhaldney à cabeça de área, devendo atuar ao lado de Richard Franco. Assim, Wagninho seria relegado ao banco de reservas; outra opção, mais remota, é Amarildo ser acionado na referência ofensiva, assim como Kieza entre os suplentes.

Provável escalação inicial dos alvirrubros (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

Praticamente todas as ação ofensivas passam pelos pés de Jean Carlos, mais que no ano passado, diga-se. Flutuando entre a segunda e a última linha, é ele quem dá a toada do jogo de posse alvirrubro, ora servindo aos companheiros dando passes milimétricos, ora finalizando com precisão na meta adversária. Já o sistema tático mais utilizado por Felipe Conceição é o 4-3-3 ou 4-1-2-3.

Movimentação no terço final, com apoio de um dos laterais; no caso, Hereda (Imagem: Nordeste FC)

Perigo que vem pelo alto. Outra arma costumeiramente letal do Timbu fica por conta das bolas paradas, principalmente dos pés do próprio Jean. Dos 30 gols que marcou na temporada até aqui, dez nasceram em cobranças de falta, escanteio, ou pênalti, sendo oito com participações diretas ou indiretas do meio-campista.

Além do camisa 10, outro destaque fica por conta de Lucas Perri. O arqueiro tem bom aproveitamento com a bola, geralmente utilizando uma saída 3+1 junto aos dois zagueiros e um dos volantes. Dessa maneira, roda bem o jogo, mas precisa melhorar um pouco em momentos de definição.

Início da construção vermelha e branca (Imagem: Nordeste FC)

COMO DEFENDE

Números pouco ilustrativos. Sofrendo apenas sete gols no Estadual, o Náutico tem a segunda defesa menos vazada, atrás apenas do Retrô (sofreu sete), mas ainda precisa corrigir erros individuais. Sem a bola, a principal alternativa de Conceição é explorar o 4-4-2 bem definido, tendo Jean Carlos e o “camisa 9” à frente.

Tentativa de compactação Timbu (Imagem: Nordeste FC)

O bom desempenho do sistema defensivo geralmente acontece quando a equipe sobe as linhas de marcação, pressionando a saída adversária. Dessa maneira, Ewandro roubou a bola e serviu Léo Passos num dos gols da vitória alvirrubra por 2 x 0, diante do Globo, pela Copa do Nordeste.

Júnior Tavares (LE) – Um dos principais ícones do Timba na temporada, Tavares vem caindo nas graças da torcida após passagem pouco produtiva no rival Sport. Acumula dois tentos e duas assistências na temporada, sendo 50% do feito pelo Campeonato Pernambucano. Surge como uma boa opção na bola parada com a ausência de Jean Carlos.

Ewandro (PD) – Apesar das críticas por parte da torcida, Ewandro é um dos destaques do Náutico em 2022. Dá profundidade pelas pontas, geralmente a direita, e sempre cumprindo correntemente as obrigações táticas. Já foi às redes três vezes no Estadual, além de ter sua importância na recomposição defensiva.

SANTA CRUZ

Muito tempo para treinar. Assim como no primeiro Clássico das Emoções da temporada, o treinador Leston Júnior teve mais um longo período sem jogos. Por conta de falta de datas, a semifinal vai acontecer três semanas após a última partida do Tricolor, a vitória por 3 x 0 sobre o Caruaru City. A base do time deve ser a mesma para o duelo decisivo, ganhando alguns reforços que ficaram de fora nas quartas de final. Júnior Sergipano e Rodrigo Yuri estão recuperados e devem voltar ao time titular. Rafael Furtado, que também se lesionou, é outro recuperado e pode ser mantido no comando ofensivo.

Provável escalação do Tricolor para a semifinal (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

O inÍcio de tudo. Indo para o ataque, o Tricolor costuma ter saída de bola no 3+1 com participação do goleiro Kléver. Os dois zagueiros se aproximam e aparecem como opções de passe. O volante Gilberto também fica mais recuado, no aguardo do segundo passe. Essa formação dá liberdade aos laterais para avançarem mais e, com isso, Marcos Martins e Dudu Mandai também se tornam peças ofensivas nesse começo das jogadas.

Saída de jogo coral com participação dos zagueiros e de Kléver (Imagem: TV Globo)

Chegando mais próximo da área adversária, a tendência da Cobra Coral é a manutenção do esquema inicial, seguindo no 4-2-3-1. Os três homens de meio campo se aproximam bastante de Rafael Furtado, armando as jogadas e também aparecendo bem no ataque. Um dos laterais, principalmente Dudu Mandai pela esquerda, também avança muito. A dupla de volantes joga alinhada, porém, quando Rodrigo Yuri está em campo, pode avançar mais e aparecer como elemento surpresa.

Santa Cruz atacando no seu tradicional 4-2-3-1 (Imagem: Premiere)

COMO DEFENDE

O setor defensivo segue sendo o ponto mais fraco do time. Muito disso se deve pela falta de sequência por parte dos atletas. Provavelmente deve manter a mesma linha defensiva do último duelo contra o Náutico, com Marcos Martins, Júnior Sergipano, Alex Alves e Dudu Mandai. Se defendendo, o time pode se postar num 4-1-4-1; Gilberto fica entre as linhas de quatro, deixando o segundo volante mais avançado ao lado dos três meias mais ofensivos.

Tricolor se defende no 4-1-4-1 com Gilberto recuado entre as linhas (Imagem: Premiere)

Porém, o 4-4-2 é a principal formação do time nos momentos onde precisa se defender. A segunda linha é formada pelos dois volantes e os dois pontas, que recuam para ajudar na marcação, deixando Tarcísio e o centroavante mais avançados. Ainda assim, os dois também participam do primeiro combate, tentando roubar a bola logo no princípio do ataque adversário.

Santa Cruz se defendendo postado no 4-4-2 (Imagem: TV Globo)

PARA FICAR DE OLHO

Gilberto (VOL) – Pilar defensivo. O experiente Gilberto foi uma das novidades do Tricolor para a temporada e rapidamente assumiu a titularidade absoluta no time. Atuando como primeiro volante, o jogador é o principal responsável pela marcação no setor de meio de campo, além de ter papel importante na saída de jogo. Ao todo, já foram oito jogos em 2022 pelo Santa Cruz.

Tarcísio (MEI) – Vice-artilheiro do time ao lado de Esquerdinha, com quatro gols, Tarcísio teve atuações irregulares na primeira fase do campeonato, no entanto nos últimos jogos o meia vem assumindo um papel importante de protagonista no meio de campo. Além dos gols, também ajuda na marcação e dita o ritmo da partida com muita participação na criação de jogadas.

Arte: Mateus Schuler sobre fotos de Tiago Caldas/Náutico e Rafael Melo/Santa Cruz

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