Em outro patamar: o que esperar taticamente de Victor Ferraz no Náutico

Por: Felipe Holanda

O mundo dá voltas. Após perambular pela base do Náutico sem nunca ter atuado no profissional, Victor Ferraz retorna aos Aflitos com pompa de boa contratação. Novo contratado Timbu – agora mais experiente – tem currículo de respeito, e encabeça atual lista de reforços para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro.

Nesta análise, o Pernambutático destrincha o que esperar de Victor no Alvirrubro, com principais características, estilos de jogo, números, informações exclusivas de um analista, e como o reforço pode se encaixar no time de Felipe Conceição.

TÁTICA X FÍSICA

É importante destacar a condição física de Victor Ferraz. O atleta vinha se condicionando no Botafogo-PB, no qual também passou pela base, e deve ter o ritmo de jogo como grande empecilho em seus primeiros dias na Rosa e Silva, mesmo que não haja lesão constatada. Se bem fisicamente, já mostrou qualidades para dar profundidade pela direita, seja num 4-2-3-1 ou 4-2-4, com destaques pelas passagens no Santos e no Grêmio, despontando como um dos melhores alas do futebol brasileiro.

Ferraz, com a bola, organiza posse gremista (Imagem: Premiere)

O apoio é seu ponto forte, mas poucos conhecem como Victor Ferraz virou lateral-direito. Foi justamente no Náutico, a pedido do então comandante Sérgio China que veio a mudança de posição, porém mantendo o lado de atuar em campo. Segundo o próprio atleta, a estratégia mudou sua carreira dentro das quatro linhas.

“Passei um ano no Atlético Paranaense e fui para o Náutico. Lá cheguei com certo status. Eles me queriam, eu era capitão da equipe e eles pagavam um apartamento pra eu e mais dois atletas morarmos. Foi lá que saí de segundo volante para a lateral direita por indicação do técnico, o Sérgio China”

Victor Ferraz, em entrevista ao Diário do Peixe

Mesmo com talento e convicção que tinha bola para atuar no time de cima, Victor nunca teve a chance de vestir a camisa alvirrubra profissionalmente. Quinze anos depois, ela poderá realizar o sonho que tanto o perturbou quando jovem.

“Fiquei no Náutico por três anos, entre os 16 e os 19. Lá eu vi muitos jogadores da base subirem ao profissional, mas minha oportunidade não chegava. Nem treinar com o time de cima eu treinava. Uma vez até meu reserva subiu, e eu não. Eu não entendia”

Victor Ferraz, em entrevista ao Diário do Peixe

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O último momento marcante como jogador foi pelo Grêmio, no ano passado. Atuando aberto na direita, foi eficaz em momentos de transição ofensiva, seja utilizando uma saída 4+2 ou de 3 ao lado dos zagueiros, sendo bem participativo para dialogar com os homens de frente.

COMO SE ENCAIXAR TATICAMENTE

No Náutico, o principal concorrente é o titular Hereda, já que Thássio não entrou bem na eliminação diante do Fortaleza, pela semifinal da Copa do Nordeste. A princípio, a lateral direita é onde Victor Ferraz deve ser utilizado por Felipe Conceição, fazendo bem um jogo apoiado, como sempre soube fazer.

Possível time Timbu (Feito no Tactical Pad)

Uma opção bem plausível para o comandante alvirrubro é utilizar o novo contratado mais por dentro, fazendo a função de segundo ou terceiro homem de meio campo. Dessa forma, a tendência é que forme dupla de cabeças de área com Rhaldney, enquanto Franco seria sacado do time; Djavan também pode fazer a função.

Possibilidade tem Victor como segundo volante (Feito no Tactical Pad)

Em relação a um dueto com Hereda na direita, é pouco provável, mas não impossível. Neste cenário, Ewandro seria deslocado à outra ponta ou sairia do time, tendo Ferraz mais aberto na direita. Vale lembrar do também recém-chegado Niltinho, que é ponta de origem e pode estar à disposição de Conceição na estreia Timbu na Segundona, diante do Londrina, no próximo domingo (9).

FASE DEFENSIVA

Além de suas virtudes no ataque, Victor Ferraz também tem sua importância sem a bola. Já mostrou capacidade de dar botes precisos quando seu time se fecha na defesa, seja no 4-4-2 ou 4-5-1. Ambos os sistemas são utilizados com frequência por Felipe Conceição no Náutico.

Ferraz auxiliando na recomposição com a camisa do Santos (Imagem: Premiere)

“Taticamente falando, começou bem, chegou a jogar como um meia, mas com o tempo caiu de produção, deixou muitos espaços na defesa e perdeu a vaga no Peixe. Foi reserva do Pará no último semestre no clube. Para falar da parte romântica, é um cara que respeita muito o time que joga e os companheiros. É muito do bem. Saiu pela porta da frente”

Guilherme Lesnok, setorista do Santos

CURRÍCULO

Apesar de ter feito a base no Timba, foi no Iraty que subiu aos profissionais, em 2008. No ano seguinte, defendendo as cores do São José-RS, fez sua estreia, ficando até ser negociado junto ao Águia de Marabá; de lá, acumulou passagens no futebol goiano, atuando por Atlético e Vila Nova, em 2010 e 2011.

De 2012 em diante, sua carreira só alavancou, pois foi destaque no Bragantino e fechou a temporada no Coritiba, onde ficou até a estreia do Brasileirão 2014. Contratado pelo Santos, somou dois estaduais em seis anos, vivendo altos e baixos com a torcida. Defendeu o Grêmio em 2020 e 2021, mas também tendo muita oscilação, a ponto de ter apenas três jogos no ano passado.

Além do bicampeonato paulista, se se sagrou campeão estadual ainda por Dragão (2011), Coxa (2013) e Imortal, também por duas vezes. Pelo tricolor gaúcho, conquistou a Recopa em 2021, sobre o Santa Cruz; partida, inclusive, foi a última pela equipe.

Créditos da foto principal: Tiago Caldas/CNC

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