Na força ou na raça: o que esperar taticamente de Roberto Fernandes no Náutico

Por: Felipe Holanda

Podendo se tornar o treinador com mais jogos pelo Náutico — igualando Palmeira, comandante entre as décadas de 1950 e 1960 —, Roberto Fernandes retorna à Rosa e Silva para fincar seu nome na história e recolocar o time nos trilhos. Divulgada primeiramente pelo repórter Hathos Rildo, do Timbucast, a informação foi confirmada pela reportagem do Pernambutático neste domingo (17).

Nesta análise, o Pernambutático destrincha taticamente as principais características do treinador, com conceitos, modelos de jogo, pontos fortes e fracos, números históricos, e tudo que se pode esperar da possível quinta passagem de Roberto pelos Aflitos.

INTENSIDADE NAS VEIAS

Os trabalhos de Roberto Fernandes à beira do gramado sempre foram marcados pela intensidade, seja em fase ofensiva ou defensiva. No ataque, a estratégia mais utilizada é performar um 4-2-3-1 de muitas movimentações, construindo boa parte das jogadas por dentro. Vale destacar que o Náutico já está acostumado a jogar neste sistema — principalmente na época de Hélio dos Anjos — e é assim que o time deve atuar com o novo treinador, a princípio.

4-2-3-1 nos tempos de CRB (Imagem: Nordeste FC)

No Timbu, o esqueleto tático teria dois zagueiros, dois laterais, dois volantes, um meia criador, dois pontas e um atacante na referência. Dessa forma, Jean Carlos permaneceria na incumbência de construir a maioria das jogadas, tendo os extremos dialogando mais com os cabeças de área; goleiro também tem sua importância na saída de bola neste modelo de jogo.

Provável time com Fernandes no comando (Feito no Tactical Pad)

Na transição ofensiva, as equipes de Roberto costumam se alinhar em bloco para buscar espaços na marcação adversária. A ideia é precisar do menor número de toques na bola possíveis para chegar à zona de arremate, mas pode ser perigosa em algumas ocasiões, principalmente quando o rival se fechar com nove homens de linha, deixando apenas o centroavante isolado.

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Outra opção para o comandante, vista em seus tempos de Santa Cruz, é utilizar três zagueiros, formando um 3-4-3 ou 3-5-2. A proposta daria mais liberdade aos laterais, tornando-os alas, construindo a investida ofensiva mais por fora, enquanto uma trinca se posta no ataque à espera do último passe.

Alternativa em fase ofensiva (Imagem: DAZN)

CARACTERÍSTICAS DEFENSIVAS

A intensidade se mantém sem a bola. Longe de ser o nome ideal da torcida, Roberto Fernandes gosta que seu time marque sobre pressão, geralmente em blocos médios/baixos, mas sempre à procura de um desarme. Quando ameaçado, se fecha no 4-4-2, modelo idêntico ao que o Náutico vem utilizando na temporada 2022.

Linhas bem definidas diante do Jacuipense (Imagem: DAZN)

No Alvirrubro, a escalação supracitada deve ser mantida, tendo Djavan com grandes chances de ser titular. Apesar de estar suspenso para a próxima rodada na Série B, o cabeça de área tem características interessantes aos olhos de Roberto, por ser um volante de mais pegada que os demais do elenco.

Postura sem a bola (Feito no Tactical Pad)

Várias variáveis. O 4-4-2 tem flertes frequentes para o 4-1-4-1, principalmente quando o adversário consegue encurralar a defesa dentro da grande área. Dessa forma, apenas Kieza ficaria mais à frente, com Jean Carlos recuando ao meio de campo, enquanto Djavan daria proteção à primeira linha.

Outra possibilidade, principalmente pra dar uma chacoalhada no time, é tentar o sistema com três zagueiros. Neste cenário, Camutanga, Bruno Bispo e Wellington, nesta ordem, devem formar o tridente defensivo. A estratégia, porém não acontecerá a curo prazo, exceto por algumas situações de jogo.

NÚMEROS HISTÓRICOS

Caso esteja presente aos 38 jogos restantes da temporada, Roberto alcançará uma marca histórica. O comandante, além de superar Duque, chegará a 224 confrontos comandando o Timba, igualando o número de Palmeira, que esteve no cargo por duas vezes: de 1950 a 1954 e 1958 a 1959. No momento, Fernandes soma 186.

Vale também destacar que o treinador tem um título recente pelo Náutico, em 2018. Na ocasião, comandou a equipe que derrotou o Central por 2 x 1 na final do Campeonato Pernambucano, com gols de Ortigoza e Jobson; Leandro Costa descontou para a Patativa.

CURRÍCULO

Natural de Recife, o treinador de 50 anos pode estar chegando para sua quinta passagem pelo Náutico. Defendendo as categorias de base do Alvirrubro e do Santa Cruz, sua carreira como jogador foi curta. Com 26 anos já era treinador, iniciando sua carreira em clubes do interior do estado, como Ferroviário do Cabo e Surubim. Em 2001, quando treinava o Primavera-SP, conquistou seu primeiro título: o Campeonato Paulista da Série B2, considerada a quinta divisão do estadual de São Paulo.

Antes de chegar ao Náutico pela primeira vez, em 2007, passou por diversos clubes, como Londrina, Ceará e Vila Nova, além do Brasiliense, no qual venceu mais um estadual. Sua primeira passagem pelo Timbu foi bastante positiva, mantendo o time na Série A e realizando uma grande campanha, principalmente nos jogos disputados como mandante. Os bons desempenhos chamaram a atenção do Athletico Paranaense, que o contratou em 2008, mas a passagem pelo Furacão foi curta, retornando aos Aflitos no mesmo ano. Permaneceu até o ano seguinte, quando foi demitido, apesar de ter conseguido manter o time mais uma vez na primeira divisão em 2008.

Após passagens por Figueirense, Fortaleza e Atlético Goianiense, retornou ao Náutico em 2010, já na reta final da Série B, com o objetivo de assegurar a permanência do time, feito que também conseguiu. Mesmo assim, foi demitido no começo da temporada 2011, após ser eliminado nas semifinais do Campeonato Pernambucano pelo Sport.

Antes de mais uma passagem no comando técnico do Timbu, Roberto Fernandes passou por diversos times, sendo campeão Potiguar pelo América de Natal em 2012 e 2015, além de ganhar o estadual do Pará pelo Remo em 2014. Em 2017, voltou ao Náutico com um cenário bastante parecido com sua última passagem, porém, não conseguiu evitar o rebaixamento para a Série C. Ainda assim, permaneceu nos Aflitos, se sagrando campeão do Pernambucano.

Atualmente sem clube, acumulou duas passagens pelo Santa Cruz, último time que comandou, além de ABC, América de Natal e CRB, nenhuma delas com muito sucesso. Seu provável retorno ao Náutico pode ser histórico, pelo menos nos números, podendo se tornar o treinador que mais vezes comandou o alvirrubro dos Aflitos.

Créditos da foto principal: Léo Lemos/Náutico

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