Martelando: o que esperar taticamente de Marcelo Martelotte no Santa Cruz

Por: Felipe Holanda e Ivan Mota

Ouvindo o toque do martelo na poeira. Em meio à crise estrutural, Marcelo Martelotte retorna ao Santa Cruz para tirar “leite de pedra” e recolocar a Cobra Coral de volta à normalidade, missão quase impossível. Ao lado de Martelotte, o também velho conhecido Zé Teodoro será o coordenador técnico; Leston Júnior foi demitido após manifesto em entrevista pós vitória sobre o Atlético-BA.

Nesta análise, o Pernambutático destrincha taticamente as principais características do treinador, com conceitos, modelos de jogo, pontos fortes e fracos, números históricos, e tudo que se pode esperar da quinta passagem de Martelotte pelo Arruda.

RETORNO COBERTO DE INCERTEZAS

Quase às escuras. Marcelo Martelotte chega a um Santa Cruz em estado calamitoso, do atraso de salários ao futebol apresentado dentro de campo. Um desafio que poucos aceitariam. Coragem não faltou e agora o novo comandante terá que recuperar um grupo de jogadores, descontentes com a saída de Leston, antes mesmo de pensar propriamente na bola.

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Caso todos os atletas permaneçam no Arruda, Martelotte deve dar manutenção ao time que vinha atuando nos últimos jogos, tendo o 4-2-3-1 como esqueleto tático. Três setores são os que geram mais dúvidas no momento. Com a saída de Marcos Martins, Edson Ratinho deve ganhar de vez a vaga na lateral-direita. Outro que aproveitou a chance no time titular foi Raphael Macena, deixando Rafael Furtado, artilheiro em má fase, no banco de reservas. Gilberto, capitão e titular durante toda a temporada, é outro que pode voltar após se recuperar de uma lesão.

Martelotte deve manter o mesmo esquema e time base (Feito no Tactical Pad)

O modelo foi visto com frequência em seu último clube, o Taubaté. Pela Série A-2 do Campeonato Paulista, o comandante demonstrou variações no Burro do Oeste, chegando a formar, também, uma saída de 3 na construção ofensiva, produzindo a maioria de suas jogadas por fora, tendo um meia pensante na criação.

Taubaté de Martelotte postado no 4-2-3-1 (Imagem: Eleven Sports)

CARACTERÍSTICAS DEFENSIVAS

As semelhanças com as características de Leston não param por aí. Sem a bola, as equipes de Marcelo Martelotte tendem a se fechar no 4-5-1 ou 4-1-4-1. Nesses casos, os pontas recuam, atuando ao lado dos volantes e meia, formando a linha de cinco ou de quatro. Gilberto ou Daniel Pereira devem atuar mais recuados, entre os setores de defesa e meio.

Possibilidade mais defensiva para o time coral (Feito no Tactical Pad)

Nos tempos do Burro da Central, Martelotte costumava utilizar um 4-1-4-1 em fase defensiva, ora preenchendo mais o meio, ora bloqueando as subidas dos pontas adversários. A estratégia conta com variações constantes ao 4-5-1 e vem sendo utilizada com frequência pelas bandas do Arruda em 2022. Um ponto a ser aproveitado.

Time do interior paulista se fechando no 4-1-4-1 (Imagem: Eleven Sports)

As duas linhas de quatro em situação de busca por desarme também foi observada com frequência na última passagem do treinador pelo Mais Querido, em 2020. Na época, Martelotte deixou o Arruda com 58,7% de aproveitamento, acumulando 11 vitórias, seis empates e quatro derrotas em 21 jogos.

Tricolor treinado por Martelotte se defende no 4-5-1 (Imagem: DAZN)

CURRÍCULO

Natural do Rio de Janeiro, Marcelo Martelotte surgiu para o futebol como goleiro, atuando inclusive pelo próprio Santa Cruz em 1993, quando foi Campeão Pernambucano, e em 1999. Também passou pelo Bragantino, Sport e Santos, antes de se aposentar em 2002, com 34 anos, pelo Taubaté, clube que o revelou.

Sua carreira fora dos gramados começou em 2004, quando assumiu o Palmeiras Sub-20, onde foi campeão paulista da categoria na mesma temporada. No ano seguinte, se tornou auxiliar técnico do treinador Pintado. A parceria durou até 2009. Porém, Martelotte acabou chamando a atenção do cenário nacional após assumir o time do Santos, de maneira interina, em jogos das temporadas 2010 e 2011, chegando a treinar o Peixe até mesmo na Libertadores.

Antes de chegar ao Tricolor para sua primeira passagem, em 2013, o técnico ainda trabalhou no Ituano. No Arruda, Martelotte teve um efeito imediato, conquistando o Estadual em 2013, após derrotar o Sport na final. Porém, apenas duas semanas depois, deixou o Santa Cruz, que disputava a Série C, se transferindo justamente para o Leão da Ilha, para atuar na Série B, mas não conseguiu repetir o mesmo sucesso e foi demitido na derrota, como mandante, frente ao Icasa.

O ano de 2013 ainda reservaria mais uma passagem pelo trio de ferro do Recife. Marcelo foi contratado pelo Náutico para disputar a reta final da Série A. O treinador permaneceu até o fim da temporada, contudo não conseguiu livrar o Timbu do Rebaixamento. Antes de sua segunda passagem pelo Arruda, em 2015, ainda passou por Atlético Goianiense, onde foi campeão Goiano em 2014, e América-RN.

Seu retorno ao Tricolor aconteceu já em junho, quando o clube estava na zona de rebaixamento da Série B. Sob seu comando, o time conseguiu uma grande reação, acabando como vice-campeão e garantindo o acesso para a Série A de 2016; os fracos resultados no começo da temporada seguinte acabaram o demitindo. A terceira passagem não demorou muito, acontecendo já em 2017, após rápido trabalho pelo Paraná Clube, e, dessa vez, não obteve sucesso, terminando o ano rebaixado para a Série C.

Sua quarta vez pelo Santa Cruz aconteceu em 2020. Antes disso, passou duas temporadas treinando o clube que o revelou, o Taubaté. Ele retornou ao Arruda com a saída de Itamar Schülle que, mesmo vivendo bom momento na Série C, acabou deixando o clube após receber uma proposta mais vantajosa financeiramente. O treinador manteve a boa sequência, deixando o time na liderança do Grupo A, mas falhou em garantir o acesso na fase seguinte, seguindo até o começo de 2021 antes de ser demitido novamente.

Chegando agora para sua quinta passagem, o técnico terá a difícil missão de treinar um clube em grande crise técnica e também política, com o objetivo de conseguir o acesso para a Série C de 2023. Seus últimos trabalhos foram no Manaus em 2020 e novamente no Taubaté, seu último clube antes do retorno.

Créditos da foto principal: Rafael Melo/Santa Cruz

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