Roteiro de clássico: o que esperar taticamente de Náutico x Sport

Por: Felipe Holanda

Náutico e Sport fazem clássico na linha tênue entre a tempestade e a calmaria. Se o Timbu quer respirar fora da zona de degola, Leão mira manutenção no G-4 na Série B do Campeonato Brasileiro. Confronto acontece neste sábado (18) às 18h30, nos Aflitos, válido pela 13ª rodada.

Nesta análise, o Pernambutático destrincha o que esperar de alvirrubros e rubro-negros, com principais movimentações táticas, números, modelos de jogo de cada treinador, os candidatos a protagonistas, e muito mais.

NÁUTICO: OU VAI, OU RACHA

No terreno movediço do Z-4, o Timbu entra em campo precisando da vitória para dar um gás extra ao técnico Roberto Fernandes, que vem balançando no cargo. Roberto promove novidades na escalação, a começar pelos retornos do volante Richard Franco e do lateral-direito Victor Ferraz, ausentes diante do Sampaio Corrêa; zagueiro Wellington é desfalque por suspensão, enquanto Léo Passos, lesionado, está fora da temporada.

Formação inicial dos anfitriões ainda é uma incógnita (Feito no Tactical Pad)

ATAQUE

Ponto fora da curva. Após boas apresentações na última Série B, os alvirrubros sofrem com o sistema ofensivo em 2022, com apenas dez gols marcados. O modelo mais utilizado é o 4-3-3, já característico, tentando transições rápidas da defesa para o ataque e pegar a defesa adversária desprevenida.

Investida do Timba frente ao Guarani (Imagem: SporTV/Premiere)

Outra opção é explorar um 4-2-3-1, tendo o cerebral Jean Carlos na criação de jogadas, ficando por dentro. Dessa forma, os laterais e pontas aparecem para dar profundidade e servirem como opções de passe, dando ainda mais mobilidade ao esquema tático de Roberto Fernandes; saída 4+2 é sempre constante neste cenário.

Movimentação pernambucana diante do Vasco (Imagem: SporTV/Premiere)

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Se precisar dar mais fôlego aos homens de frente, Roberto pode utilizar um 4-2-4, deixando a construção nos pés de um dos volantes, geralmente Rhaldney. O objetivo é encontrar brechas na marcação rival para chegar ao último terço com poucos toques na bola, mas o Timbu vem pecando na hora de arrematar.

DEFESA

Dores de cabeça. Mexendo peças a quase toda rodada, o sistema defensivo do Náutico ainda não tem identidade, fato que pode ser atenuado no clássico por conta dos desfalques. Sem Camutanga, negociado, e Wellington, suspenso, Roberto Fernandes tem apenas Bruno Bispo, Carlão e João Paulo à disposição.

A tendência é Roberto manter uma primeira linha de quatro, até devido à falta de opções. Dessa forma, Timbu explora um 4-4-2 quando atacado e geralmente fica em blocos baixos, bloqueando os laterais e extremos para congestionar a construção rubro-negra, principalmente pelos pés de Luciano Juba.

Postura sem a bola como mandante (Imagem: SporTV/Premiere)

Outra opção para Roberto, ainda mantendo o modelo de quatro defensores, é performar um 4-5-1 caso o adversário construa a maioria de suas jogadas por dentro. Em contrapartida, o sistema tático acaba fazendo o alvirrubro baixar seus blocos, dando espaço aos arremates de média e longa distância.

Alvirrubro tentando preencher melhor o meio (Imagem: Premiere)

DESTAQUES

Lucas Perri (GOL) – Salvador da pátria. Com média de quase quatro defesas — 3,7 — por jogo, Perri é um dos poucos destaques do time alvirrubro nesta Segundona. Acumula boas atuações debaixo das traves e também tem sua importância na construção ofensiva, além de ser decisivo em cobranças de pênalti, somando duas intervenções no certame.

Jean Carlos (MEIA) – Cerebral. Toda e qualquer jogada Timbu passa pelos pés de seu camisa 10, que costuma ser cirúrgico quando tem a bola. Ao todo, Jean tem o maior número de finalizações certas por partida na competição: 1,5. Em números gerais, tem quatro grandes chances criadas e marcou dois gols até aqui.

SPORT: MANUTENÇÃO DO “RESULTADISMO”

Ainda longe de cair nas graças do torcedor, o trabalho de Gilmar Dal Pozzo tem dado resultados. E o Leão terá força máxima diante dos alvirrubros, já que não conta com nenhum desfalque imediato, porém os meias Denner e Everton Felipe seguem de fora por lesão, enquanto o lateral-direito Ewerthon é dúvida por dores na coxa. Em contrapartida, o goleiro Carlos Eduardo e o meio-campista Pedro Naressi voltam de suspensão.

Provável formação inicial dos visitantes (Feito no Tactical Pad)

ATAQUE

Inconstante. Já mostrou fragilidades quando tem a bola nesta Série B e dependente de lampejos no último terço. Os meias leoninos não vêm dando conta do recado, o que sobrecarrega Juba, um dos mais acionados e maior eficiência da criação, costumando se postar na 4-2-3-1 dialogando com os laterais.

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Apenas dupla de zaga rubro-negra fica atrás do círculo central (Imagem: SporTV/Premiere)

Pouco produtivo, o Leão é a segunda equipe que menos finaliza certo em toda competição: 35 no total (média de 2,4 por jogo), número superior só ao do CRB. A fraca performance reflete diretamente nos gols marcados, apenas oito, amargando o ataque menos positivo entre os dez melhores colocados na tabela.

Quando busca espaçar melhor as peças no campo e aumentar o leque de opções, Dal Pozzo utiliza um 4-1-4-1 que flui constantemente ao 4-3-3 para tentar liberar ainda mais os laterais e vencer o adversário na profundidade. Geralmente utiliza bolas longas entrelinhas, por ser costumeiramente veloz nas beiradas.

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Organização ofensiva da Praça da Bandeira em transição (Imagem: SporTV/Premiere)

DEFESA

Solidez. Segunda equipe menos vazada da Segundona, com somente cinco gols sofridos, média de 0,42 a cada partida disputada, o rubro-negro tem no sistema defensivo sua maior virtude. A estratégia sem a bola é explorar um 4-4-2 de blocos médios/baixos, tendo o meia central e o centroavante mais adiantados.

Compactação leonina diante do Bahia (Imagem: TV Globo)

Apesar dos bons números na competição, é o quinto time que mais tem finalizações certas na direção de sua meta: 55; Náutico é o vice, com 63, atrás apenas do Operário, que teve 65. No total, os comandados de Dal Pozzo são os terceiros que mais viram os adversários chutarem a gol, tendo total de 179 arremates contra o alvo defendido por Maílson.

O motivo principal desse desempenho é a falta de preenchimento pelo meio, quando o adversário tenta construir a maioria das suas jogadas por dentro. Portanto, o Leão pode também explorar um 4-5-1 para poder povoar melhor os espaços e minimizar espaços entrelinhas, dificultando a troca de passes rival.

Variação dos leoninos sem a bola (Imagem: SporTV/Premiere)

DESTAQUES

Thyere (ZAG) – Pilar. Se o Sport tem a segunda melhor defesa do campeonato, com apenas cinco gols sofridos, muito se deve ainda à dupla de zaga, especialmente ao capitão Thyere. Antes contestado, o zagueiro hoje tem 112 rebatidas, líder da equipe no quesito, tendo ainda média de 65% de disputas de bola vencidas. Além disso, tem papel importante na transição da defesa ao ataque, acertando 79% dos passes no campo adversário.

Juba (PE) – Craque da temporada. Principal nome do Sport em 2022, o prata da casa do Leão é um dos destaques também nesta Série B, sendo o vice-artilheiro da competição com quatro gols, metade da equipe, e o quarto ao dar mais finalizações: média de 3,1 por jogo, o que o faz ser peça importante ainda na transição ofensiva.

Créditos da arte principal: MVN Designers

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