Parte dois: o que esperar taticamente de Claudinei Oliveira no Sport

Por: Mateus Schuler

Continuação. De volta ao Sport após quatro anos, o técnico Claudinei Oliveira chega com a árdua missão de resgatar o bom futebol e voltar a disputar o tão sonhado acesso à elite na Série B do Campeonato Brasileiro. Vínculo do treinador junto ao Leão vai até o fim da temporada, aguardando regularização no BID para estrear, frente ao Guarani, na quinta-feira (28).

Nesta análise, o Pernambutático destrincha taticamente as principais características do treinador, com conceitos, modelos de jogo, pontos fortes e fracos, números e tudo que se pode esperar da passagem de Claudinei pela Ilha do Retiro.

ATAQUE

Usando o 4-2-3-1 como tática-base na maior parte dos trabalhos, Claudinei tem apresentado algumas variações, uma mais simples e outra ousada. Ao ter a posse, os times comandados buscam muita verticalização, ora tendo a presença dos laterais para ajudar na criação, ora fazendo a construção por dentro.

Manutenção da tática-base do Fantasma (Imagem: Premiere)

Além de manter o próprio sistema tático, que busca cadenciar as jogadas, as equipes podem flertar ao 4-3-3, o que valoriza as chegadas utilizando meio-campistas para trocar passes e se infiltrar na marcação. Dessa maneira, faz ainda os jogadores da beirada ficarem responsáveis pela velocidade, com o centroavante ajudando nos pivôs. Tal postura foi vista no Operário, com 20 gols nos 20 jogos disputados, tendo média exata de 1.

Extremos dão amplitude apoiando meio-campistas na criação (Imagem: SporTV/Premiere)

A ousadia fica por conta da formação de um 4-2-4, que tem apenas a dupla de zaga atrás do círculo central. Assim, a cabeça de área tem a sustentação pelos lados por meio dos alas, enquanto o meia mais armador alinha junto a extremos e centroavante. É uma alternativa para preencher mais espaços no ataque. Somando suas duas passagens pelo Avaí, totaliza seis temporadas e acumula 193 tentos marcados ao longo de 176 partidas; média superior a 1.

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Postura de maior ofensividade dos avaianos (Imagem: SporTV/Premiere)

DEFESA

Defensivamente, seus trabalhos são praticamente uma montanha-russa. Em alguns momentos, conseguem ter solidez, enquanto nos outros são falhos, o que pode ser um problema. Apesar da goleada sofrida pelo Sampaio Corrêa, na última rodada, o Sport tem o sistema defensivo como seu principal pilar e ponto forte. Com isso, a tendência é que repita um dos desenhos usados no Fantasma, performando assim o 4-5-1, buscando povoar o meio-campo e compactar os blocos.

Meio-campo povoado e linhas próximas dos catarinenses (Imagem: SporTV/Premiere)

Outra opção vista nos paranaenses foi o 4-1-4-1, que teve mais aproximação entre as linhas de marcação. Tal desenho ocorreu em maior número com um 4-3-3 de base, deixando um dos volantes entre as linhas e os demais ao lado dos extremos; centroavante ficou isolado para pressionar a saída adversária e controlar o ritmo nas ligações diretas.

Compactação defensiva do alvinegro paranaense em blocos baixos (Imagem: Brasileirão Play)

Caso queira ser radical e ficar ainda mais fechado no campo de defesa, há a possibilidade de formar uma primeira linha com cinco jogadores, ocorrendo apenas quando a base teve composição de três zagueiros. A postura tentou ajudar a melhorar o setor do OFEC, sendo vazado por 21 oportunidades até a 18ª rodada da Série B, pior marca da competição — naquele momento — ao lado do Náutico.

Linha de 5 formada pela equipe de Ponta Grossa (Imagem: Brasileirão Play)

POSSÍVEIS FORMAÇÕES

A tendência é que o Leão da Ilha seja escalado num 4-2-3-1, mas ainda com indefinições nas peças por conta da inconstância apresentada nessa Série B. As principais dúvidas são do meio para frente, pois Thiago Lopes não mostra bom desempenho e tem Ray Vanegas na disputa pelo espaço, assim como na armação Giovanni e Everton Felipe brigam por vaga.

Composição com dois volantes no meio-campo leonino (Feito no Tactical Pad)

Outra opção, sem modificar muito a estrutura, é a formação de um 4-3-3 de mesmas interrogações. A única mudança na composição da equipe inicial é a entrada de mais um volante, mas abrindo mão de um jogador de criação; Bruno Matias ganha uma vaga no meio-campo. Desse modo, Fabinho e Blas atuam adiantados, fazendo a transição ofensiva e deixando os extremos virando pontas.

Formatação do meio rubro-negro tendo três volantes (Feito no Tactical Pad)

QUEM É CLAUDINEI OLIVEIRA?

Ex-goleiro do Santos que se consagrou mais defendendo pela rival Portuguesa Santista, Claudinei chega ao Sport para sua segunda passagem no clube. Em 2018, comandou os pernambucanos por 16 partidas, vencendo cinco, empatando quatro vezes e perdendo em outras sete, gerando 39,6% de aproveitamento. Nos leoninos, reencontrará cinco jogadores com quem já trabalhou antes, sendo dois já no próprio clube: Sander e Everton Felipe; além deles, treinou ainda Thyere (Chapecoense), Giovanni (Avaí) e Kayke (Goiás).

Além do rubro-negro da Praça da Bandeira, comandou também o Peixe em 2013, ano de seu primeiro clube profissional. Depois, rodou ainda por Goiás, Paraná, Athletico, Vitória, Avaí, Chapecoense e Botafogo-SP antes de ficar à frente do Operário. A contratação vem referendada por dois acessos à Série A, ambas no comando do Leão catarinense, em 2016 e 2021.

Créditos da arte principal: MVN Designers

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