Sorte lançada: o que esperar taticamente de Dado Cavalcanti no Náutico

Por: Gabryele Martins e Ivan Mota

Jogam-se os dados. O Náutico confirmou Dado Cavalcanti como novo técnico, após saída de Elano, para conseguir números mágicos e evitar o rebaixamento na Série B do Campeonato Brasileiro. Contrato do treinador, que chega para a sua terceira vez à frente do clube, será até o final da atual temporada.

Nesta análise, o Pernambutático destrincha taticamente as principais características do treinador, com conceitos, modelos de jogo, pontos fortes e fracos, números e tudo que se pode esperar de mais uma passagem de Dado pelos Aflitos.

ATAQUE

Iniciando sua terceira participação pelo Náutico, Dado Cavalcanti terá como grande desafio evitar o rebaixamento ao fim desta temporada. E muito disso passará por achar o encaixe no setor ofensivo do Timbu, que até o momento na Série B anotou 21 gols em 25 rodadas, tendo apenas sete destes anotados por atacantes de origem.

Uma das opções utilizadas pelo comandante é armar o time em um 4-2-3-1 quando chega ao campo de ataque, com a linha de três atuando já próxima ao centroavante. Além disso, tem ainda forte apoio dos laterais em ambos os lados, sendo apoiado também pelos dois volantes, que possuem um papel de extrema importância na criação.

Laterais e volantes ajudam no campo ofensivo (Imagem: Premiere)

Já no começo das suas jogadas, Dado costuma utilizar uma saída 4+1, tendo um dos volantes recuado ao campo de defesa e surgindo como opção para a progressão da posse. Os laterais avançam, também figurando entre uma das possibilidades para levar a bola até o ataque pelos lados, explorando o jogo apoiado e evitando ao máximo a ligação direta.

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Início da construção das equipes de Dado (Imagem: TVE Bahia)

Outra alternativa, principalmente nos momentos em que busca pressionar o adversário, pode formar o time no 4-3-3 com os três atacantes atuando na grande área. Dessa maneira, as linhas ficam mais espaçadas no aguardo de lançamentos longos e enfiadas de bola dos homens de meio de campo, sem o apoio pelos lados.

Vila postado com duas trincas do meio em diante (Imagem: Premiere)

DEFESA

Se o ataque do Timbu precisa evoluir, a defesa vive uma situação ainda mais complicada. Com 34 gols sofridos até o momento, os alvirrubros possuem o pior sistema defensivo da competição ao lado do Operário. Buscando fechar os espaços, Dado Cavalcanti pode postar seus times em um 4-1-4-1 ao ficar sem a bola, deixando apenas o centroavante sem papel de marcação.

Postura vista no Bahia em fase defensiva (Imagem: Premiere)

Ainda sem a posse, Dado pode fazer seu time se postar em um 4-4-2, modelo que o Náutico também já utilizou em alguns momentos. Desse modo, teve Jean Carlos atuando mais próximo de Kieza, com os pontas retornando para fechar a segunda linha ao lado dos volantes, conforme aconteceu no Vila Nova, seu último clube.

Tigre fechado em duas linhas de 4 na Série B contra o Brusque (Imagem: Premiere)

Na manutenção da linha composta por quatro defensores, também foi possível observarmos um 4-5-1, o que pode ser usado ao ter o 4-3-3 de base. Assim, o meia de ligação atua um pouco mais avançado em relação a seus companheiros de meio-campo, deixando apenas o centroavante sem tarefas defensivas e no aguardo de um possível contragolpe.

Vitória se defendeu com Jadson ajudando na compactação (Imagem: TVE Bahia)

POSSÍVEIS ESCALAÇÕES

Dado Cavalcanti deve deixar de lado a base com três zagueiros, utilizada pelo Náutico em alguns jogos da Série B, voltando a ter uma linha de quatro na defesa. Dessa maneira, podemos ver o Timbu iniciando seus jogos num 4-2-3-1, tendo Souza e Jobson atuando como volantes e Franco um pouco mais adiantado, podendo variar seu posicionamento junto a Jean Carlos entre ponta e meio.

Possível escalação no 4-2-3-1 (Feito no Tactical Pad)

O técnico também poderá escalar o time em 4-3-3 com três volantes, tendo possivelmente Franco como o mais avançado entre eles. Assim, Jean Carlos deve atuar mais fixo na ponta, mas ainda ganhando certa liberdade para se movimentar e armar as jogadas para Kieza e Geuvânio.

Dado pode armar a equipe alvirrubra com três meio-campistas (Feito no Tactical Pad)

QUEM É DADO CAVALCANTI

Luís Eduardo Barros Cavalcanti, ou como conhecemos, Dado Cavalcanti, é um técnico pernambucano de 41 anos. Sua carreira dentro das quatro linhas foi breve, pois integrou as bases do Santa Cruz e do Náutico, atuando como lateral-esquerdo, mas não teve tantas oportunidades e decidiu pendurar as chuteiras.

Ainda pelo Timbu, teve contato com a área e assim virou treinador, primeiro em equipes de base e depois auxiliar-técnico de uma equipe principal. Teve a primeira conquista aos 24 anos, pelo extinto Ulbra-RO, se tornando o mais jovem do Brasil a ganhar um título profissional. Lá, foi bicampeão estadual (2006-2007) e faturou a terceira divisão do Brasiliense em 2008, pelo Brazsat.

Natural de Arcoverde, está de volta aos Aflitos após cinco anos, fazendo sua terceira passagem no alvirrubro. Dono de um extenso currículo, passou ainda por clubes como Santa Cruz, América-RN, Central, Icasa, Mogi Mirim, Paraná, Coritiba, Ponte Preta, Ceará, Paysandu, CRB, Bahia, Ferroviária e Vitória como comandante.

Somando as duas passagens anteriores, esteve no comando do Timba em 30 jogos, totalizando 11 vitórias, seis empates e 13 derrotas, contabilizando um aproveitamento de 43,33%. O último trabalho foi no Vila Nova, comandando o Colorado por nove oportunidades e nenhuma vitória, com cinco igualdades e quatro reveses.

Arte: MVN Designers

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