Calvário coral: análise Santa Cruz 3 x 1 Brusque

Por: Felipe Holanda

Mesmo vencendo, o Santa Cruz segue seu calvário na Série C do Campeonato Brasileiro. Sem depender apenas de si, a Cobra Coral bateu o Brusque por 3 x 1 neste domingo (17), no Arruda, mas não conquistou o acesso, já que o Vila Nova venceu seu compromisso e subiu.

Com os resultados, o Tricolor amargará o quarto ano seguido na Terceirona, enquanto Vila e Brusque se unem a Remo e Londrina na próxima edição da Série B. Goianos e paraenses disputam o título.

Sanando as dúvidas sobre a escalação, Marcelo Martelotte foi para o jogo com dois atacantes, formando um 4-4-2 que fez os pernambucanos ganharem no meio de campo, engessando as propostas ofensivas do adversário.

Formação inicial dos corais ante os catarinenses (Feito no Tactical Pad)

COMO FOI

O time de Martelotte começou o jogo de forma diferente, tendo Didira pela esquerda, Chiquinho na direita e Victor Rangel mais por dentro, junto a Pipico. Desta forma, o Tricolor encurralou o adversário e começou a criar chances de perigo.

Disposição dos tricolores no início da peleja (Imagem: DAZN)

Solidez ofensiva e também defensiva. Quando atacado nas poucas investidas do Brusque, a aposta do Mais Querido se mantinha a mesma, um 4-4-2 fechando os espaços sem levar sustos.

Até que Pipico apareceu. Após bola alçada e bate rebate na grande área catarinense, o camisa 9 finalizou torto, mas abriu a contagem no Arruda. O gol serviu para encerrar um jejum de gols do artilheiro que já durava seis rodadas.

Seca findada, os tricolores foram em busca do segundo tento, que veio. Didira arrematou rasteiro e, no rebote, Rangel esbanjou frieza para se desvencilhar dos defensores, batendo colocado para fazer o 2 x 0 no Recife.

Lance do gol de Rangel (Imagem: DAZN)

Era tudo que a equipe pernambucana precisava: se recuperar em grande estilo. O acesso ficou ainda mais próximo quando Chiquinho cruzou na área e William Alves subiu mais alto que os marcadores e deslocou o arqueiro para anotar o terceiro: 3 x 0.

Os visitantes diminuíram em cobrança precisa de pênalti de Thiago Alagoano. O gol que frustrou, de fato, foi o do Vila, em Itu. A mercê de outros resultados, a Cobra ficou sem o acesso. Fica o alerta, num quadrangular final aquém após sobrar na primeira fase

Créditos da foto principal: Rafael Melo/Santa Cruz

Erros cruciais: análise Ponte Preta 2 x 0 Náutico

Por: Mateus Schuler

O Náutico voltou a repetir os erros de outrora. Com sérios problemas defensivos, levou dois gols em 13 minutos e foi derrotado pela Ponte Preta por 2×0 neste domingo (17), no Moisés Lucarelli, em Campinas, na 35ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Além disso, a arbitragem também errou, anulando um gol legal dos alvirrubros e não marcando pênalti em lance duvidoso.

Mesmo com o resultado negativo, o Timbu permanece fora do Z-4, mas por ter um triunfo a mais que o Vitória, já que ambos possuem 39 pontos. Ainda com chances de se afastar e seguir fora da degola, os pernambucanos terão pela frente agora o já rebaixado e lanterna Oeste, na próxima quarta-feira (20), às 19h15 nos Aflitos, em partida válida pela 36ª rodada da Segundona.

Timbu performou no habitual 4-2-3-1, mesmo com três zagueiros (Feito no TacticalPad)

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COMO FOI

Precisando da vitória para seguir com menos preocupação, o Timbu pareceu não estar presente em campo. Antes mesmo dos 10 minutos de bola rolando, Yuri tabelou pelo lado esquerdo e cruzou preciso para Camilo abrir o placar. Não demorou muito e o camisa 10 da Macaca cobrou falta com precisão no canto, ampliando a vantagem.

Mesmo perdido dentro das quatro linhas, os alvirrubros buscaram esboçar a reação para tentar evitar um desastre maior. Insatisfeito com a postura ruim, Hélio dos Anjos promoveu a entrada de Ruy na vaga de Renan Foguinho, que aumentou a criatividade ofensiva e fez com que as jogadas fluíssem melhor.

De fato, os pernambucanos cresceram de produção no ataque, contudo não foram efetivos nas finalizações. Em uma delas, Erick fez boa jogada individual pela direita e, de esquerda, acertou a trave. Já próximo do fim, o mesmo Erick recebeu bom passe e cruzou para Kieza que, em posição legal, completou ao gol, mas a arbitragem impugnou.

Falha defensiva do Timbu ocasionou no primeiro gol pontepretano (Imagem: Rede Globo)

Para a etapa final, o comandante tentou corrigir os erros táticos ao alterar a base para o 3-4-3, que defensivamente ficaria uma linha de 5, dando maior segurança. Não por acaso, o time começou a sair melhor ao ataque, sem ter que se expor tanto na defesa como ocorreu durante o primeiro tempo.

Faltava, porém, criatividade, já que a Macaca tentou explorar mais os erros da marcação. Para melhorar a produção ofensiva, Hélio sacou Erick e Jean Carlos para as entradas de Juninho Carpina e Jorge Henrique. Apesar das mudanças, a primeira boa oportunidade do Timbu veio na bola parada com Dadá Belmonte, que levantou na pequena área e Ronaldo Alves cabeceou próximo à trave.

As substituições fizeram o Timba performar em um 4-1-4-1 ao atacar, mas os problemas voltaram a se repetir. Na reta final, até tiveram chance de diminuir a desvantagem quando Bryan bateu de fora da área, entretanto Igor fez boa defesa e cortou o perigo.

Alvirrubros passaram a atacar no 4-1-4-1 na etapa final para corrigir os erros (Imagem: Premiere)

Créditos da foto principal: Álvaro Júnior/Ponte Preta

Santa Cruz na Série C: como joga taticamente o Brusque

Por: Anderson Santana

Separamos para a torcida tricolor tudo sobre o próximo adversário: provável formação, táticas, jogadores para ficar de olho, pontos fortes e fracos e muito mais do Bruscão.

Já com o acesso garantido para a Série B, a equipe do treinador Jerson Testoni se posta no 4-2-3-1, com um trio de meias preenchendo espaços no terço final do campo. Sem desfalques, o técnico dos catarinenses tem apenas a volta do volante Rodolfo Potiguar, que cumpriu suspensão no último jogo.

Mesmo classificado à Segundona, time vai com força máxima (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

Na construção ofensiva, os catarinenses utilizam o mesmo 4-2-3-1, povoando o meio de campo para dificultar a marcação rival e, assim, abrir possíveis brechas. Pelos lados, os laterais dão muita amplitude no momento da posse.

Além disso, o Quadricolor joga sem o atacante de área. Com isso, os comandados de Testoni optam por um jogo veloz, com triangulações e jogo por baixo, pois não possui um jogador de referência no ataque.

A intensidade do setor na fase final é o principal trunfo. Nos cinco confrontos disputados, foram oito gols, sendo o ataque mais positivo ao lado do Ypiranga, que se despediu da competição ficando na 3ª colocação da outra chave.

Catarinenses são intensos ao atacar, mostrando muita velocidade (Imagem: DAZN)

COMO DEFENDE

Quando atacado, o Quadricolor preza por uma linha inicial de quatro homens, geralmente com um dos cabeças de área mais à frente, formando um 4-1-4-1 variado ao 4-1-2-3 quando mais dinâmico. Apesar disso, comete algumas falhas de posicionamento e deixa espaços.

Durante o Quadrangular Final, porém, tem a defesa menos vazada, já que sofreu apenas três gols. Desses, dois foram na última partida, diante do Ituano, ficando três jogos jogos com clean sheet garantido.

Marcação quadricolor alterna entre 4-1-2-3 e 4-1-4-1 para tentar segurar corais (Imagem: DAZN)

PARA FICAR DE OLHO

João Carlos (LD) – O jogador, que já teve passagem apagada pelo Santa Cruz em 2015, tem como características ofensividade e bom passe. Por chegar com qualidade, é uma das armas da equipe na criação de jogadas.

Rodolfo Potiguar (VOL) – Conhecido do torcedor pernambucano, principalmente por conta da passagem no Salgueiro, Rodolfo é mais conhecido pela torcida do Quadricolor como o “Pitbull” . No clube desde de 2019, é sinônimo de raça e vontade, sendo o cão de guarda da defesa.

Thiago Alagoano (MEI) – Principal jogador da sua equipe, o armador do Bruscão sempre chegando junto para criar os lances, seja pelos lados com os pontas, seja pelo meio. Além disso, tem um bom poder de finalização, que o faz ser o artilheiro da competição.

Créditos da foto principal: Jefferson Alves/Brusque FC

Náutico na Série B: como joga taticamente a Ponte Preta

Por: Mateus Schuler

Cada “macaco no seu galho”. Enquanto o Náutico vai a Campinas para seguir respirando fora do Z-4 da Série B do Campeonato Brasileiro, no Moisés Lucarelli, a Ponte Preta – adversária deste domingo (17) – quer manter vivo o sonho do acesso à elite, em partida pela 35ª rodada, às 16h, apesar de estar sofrendo muito por problemas extracampo.

Irregular na tabela e com pendências salariais, a Macaca busca ainda mais estabilidade nessa reta final da Segundona. Separamos para a torcida alvirrubra tudo sobre o próximo adversário: provável formação, táticas, informações de um setorista, jogadores para ficar de olho, pontos fortes e fracos e muito mais dos alvinegros.

Sem desfalques por Covid-19 ou suspensão, os pontepretanos deverão ter a ausência apenas do goleiro Ivan e do lateral-esquerdo Guilherme Lazaroni, que seguem em recuperação de lesões. A tendência é de que o treinador Fábio Moreno deva manter o 4-3-3 ofensivo na equipe, com somente um jogador na cabeça de área e dois mais adiantados no meio-campo.

Alvinegros paulistas devem manter o 4-3-3 ofensivo diante do Timbu (Feito no TacticalPad)

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COMO ATACA

Dona do quarto ataque mais positivo da competição, a Macaca possui muita eficiência com suas peças. Postado com variação entre o 4-1-4-1 e o 4-3-3, o time pontepretano é intenso e chega frequentemente no campo adversário, dando trabalho à marcação principalmente ao usar jogadores das beiradas e alternar o posicionamento com dinâmica.

Não por acaso, foram 42 gols marcados, sendo 29 por algum atleta do setor, representando 69%. Outro ponto destacável é a presença ofensiva de Apodi, seja em jogadas trabalhadas ou de bola parada. O lateral-direito foi às redes por quatro vezes e deu duas assistências, sendo um jogador importante para a criação.

“O principal protagonista é Bruno Rodrigues, com o maior aproveitamento em participação nos gols. Além disso, o time é muito dependente das investidas de Camilo, que nem sempre vai bem, do próprio Bruno e de Apodi, já que os centroavantes são irregulares”

Lucas Rossafa, repórter do portal Esporte News Mundo
Macaca ataca com trio ofensivo e boas investidas pelas laterais (Imagem: Premiere)

COMO DEFENDE

A defesa alvinegra, por outro lado, deixa muito a desejar. Foram 45 gols em 34 jogos disputados, sendo a segundo pior do campeonato junto ao Paraná e atrás apenas do lanterna Oeste. Sob o comando de Fábio Moreno, a equipe paulista foi a campo em seis oportunidades, sendo vazada em todas, além do aproveitamento ser inferior a 50%.

Performando um 4-4-2, o sistema defensivo não tem muita compactação e os adversários têm entrado facilmente. Com as duas linhas de bloco médio-baixo, os atacantes rivais encontram liberdade para se infiltrar entrelinhas e criar jogadas, tanto aéreas como as trabalhadas em velocidade; a primeira linha até se posiciona corretamente, já na segunda as peças se distribuem mal.

“A postura defensiva é muito ruim. Nos últimos 11 jogos, a Ponte foi vazada por 16 vezes; a última vez que não sofreu gols foi na vitória sobre o Oeste, por 1×0, pela 23ª rodada. É a pior sequência sofrendo gols na temporada 2020/21”

Lucas Rossafa, repórter do portal Esporte News Mundo
Com duas linhas de 4, mas descompactada, defesa pontepretana é constantemente vazada (Imagem: SporTV/Premiere)

PARA FICAR DE OLHO

Apodi (LD) – Conhecido desde sempre pela velocidade, Apodi é uma arma da Ponte Preta na Segundona. Intenso na criação e com boa recomposição, o lateral tem mostrado qualidades principalmente no setor ofensivo por ter a possibilidade de atuar mais adiantado, marcando quatro gols e servindo os companheiros duas vezes.

Camilo (MEI) – Jogador mais experiente do atual elenco pontepretano junto a Apodi, o meio-campista não tem contribuído diretamente para os gols, mas é peça importante na criação. Foram três gols marcados, além de uma assistência, ajudando na transição das jogadas ofensivas.

Bruno Rodrigues (PE) – Atuar pela beirada do campo não tem interferido na presença ofensiva do jogador alvinegro. Nos 26 jogos que foi a campo com a camisa da Macaca, contribuiu em 12 gols dos 42, sendo autor de cinco deles e garçom de outros sete; além disso, está entre os que mais finalizaram, com 48 arremates.

Créditos da foto principal: PontePress/ÁlvaroJr

Vários critérios e ao mesmo tempo nenhum: análise Fluminense 1×0 Sport

Por: Felipe Holanda

O Sport voltou a perder pontos importantes na Série A em nova atuação controversa da arbitragem. Atuando com um homem a menos desde o primeiro tempo após marcação polêmica no árbitro de vídeo, o Leão jogou de igual para igual, mas foi derrotado pelo Fluminense por 1 x 0, neste sábado (16), no Estádio Nilton Santos, pela 30ª rodada do Brasileirão.

A derrota deixa o time da Ilha do Retiro um pouco mais próximo da zona de rebaixamento. No entanto, os pernambucanos seguem a três pontos do Bahia, primeiro time do Z-4 e não serão ultrapassados pelo rival neste final de semana.

COMO FOI

Sem Thiago Neves, que não enfrentou o ex-clube por conta de suspensão pelo terceiro amarelo, os rubro-negros iniciaram o jogo com três volantes de ofício, tendo Betinho encarregado da criação de jogadas. Patric seguiu mais adiantado pela ponta direita e Raul Prata na lateral, formando um 4-1-4-1 como base.

Formação inicial dos rubro-negros no Rio (Feito no Tactical Pad)

Com muita movimentação dos volantes, o Sport dominou a posse de bola nos minutos iniciais, tendo Marcão, Ronaldo Henrique e Betinho participando diretamente da progressão de posse de bola. Além disso, os cabeças de área chegavam constantemente à grande área para surpreender a marcação rival.

Rubro-negros começaram bem no jogo, com presença ofensiva (Imagem: Premiere)

No ataque, a principal aposta dos comandados de Jair Ventura foi 4-3-3, com Patric pela direita, Marquinhos no lado oposto, e Dalberto centralizado, tentando jogar o oponente contra as cordas.

Aos poucos, o Flu ia respondendo e superou a posse de bola, mas apresentava lentidão na troca de passes, levando pouco perigo à meta de Luan Polli; na defensiva, os leoninos formavam uma de linha de quatro e outra de cinco sem dar espaços para o adversário se criar na partida.

Posicionamento defensivo dos visitantes (Imagem: Premiere)

Encaixando contra-ataques, o time da Ilha do Retiro quase chegou ao primeiro em subida de Raul Prata após bela abertura de Betinho. Dalberto arrematou firme, porém foi travado por Luccas Claro, que salvou chance clara de gol. Danilo respondeu do outro lado, mandando à esquerda do alvo.

E O VAR?

Até que Júnior Tavares foi expulso em lance duvidoso com checagem no árbitro de vídeo e Jair precisou mexer no time. Tirou Marquinhos para colocar Sander, fechando a lacuna por aquele setor, perdendo em presença ofensiva. E muito.

A alternativa foi colocar o prata da casa Ewerthon e sacar Ronaldo, com o intuito de fortalecer as investidas pelo lado direito do Leão. Além disso, também foi visto uma linha inicial de cinco na defesa, no 5-3-1. Um vacilo de Patric, contudo, rendeu o primeiro e único gol do jogo, assinalado por Lucca.

Leão na defesa com um homem a menos, ainda com o placar inalterado (Imagem: Premire)

A resposta rubro-negra veio em jogada de bola parada. Patric lançou na área e Dalberto cabeceou com muita consciência, vendo a bola carimbar caprichosamente a trave esquerda tricolor. No rebote, Matheus Ferraz ainda afastou de vez o perigo.

Sem jogar a toalha, o Sport seguiu buscando o gol de empate, entretanto, a diferença numérica dentro de campo acabou complicando demais o ímpeto leonino e o placar foi selado.

INTERPRETATIVO, MAS COM FALTA DE CRITÉRIO

O lance que praticamente decidiu a peleja, contudo, é considerado interpretativo. O que prejudica qualquer análise é a falta de critério dos árbitros. O “vilão” da vez foi o longevo Héber Roberto Lopes, além de toda a equipe do VAR. Júnior Tavares não teve a intenção, mas – de fato – chegou atrasado na jogada. Talvez caberia amarelo.

Por outro lado, o Flu teve um gol anulado em marcação também questionável. A arbitragem assinalou falta em Adryelson e anulou o gol que abriria o placar ainda na primeira etapa.

Créditos da foto principal: Mailson Santana/Fluminense FC