Um balde de água gelada: análise Vila Nova 2×1 Santa Cruz

Por: Anderson Santana

O Santa Cruz esfriou completamente as pretensões dos torcedores de conquistar o acesso na Série C do Campeonato Brasileiro. Em partida decisivo contra o Vila Nova neste sábado (9), com gramado encharcado em Goiânia, foi derrotado por 2×1, caindo à lanterna do Grupo C e praticamente dando adeus ao sonho de voltar à Segundona.

Com o revés, o Mais Querido fica na última posição da chave, permanecendo nos quatro pontos de antes. O próximo e último compromisso será diante do líder Brusque, no domingo (17), às 18h, na 6ª rodada para finalizar a segunda fase da Terceirona; tricolores ainda dependem do outro confronto do grupo para saber qual conta fazer.

Cobra Coral foi a campo no 4-2-3-1 já tradicional (Feito no TacticalPad)

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COMO FOI

Apesar da escalação modificada, seja forçada ou por opção, o Santa Cruz foi a campo iniciando no 4-2-3-1 já de praxe. Ainda assim, o primeiro tempo dos corais foi de muita luta e pouco futebol, tanto que o Vila Nova abriu o placar logo aos 10 minutos.

Com dificuldades na criação e no último passe, a Cobra Coral não conseguiu levar perigo, passando os 45 minutos sem conseguir sequer bater na direção da meta adversária. Defensivamente, o time ficou no 4-4-2, que por vezes foi um 4-3-3, tentando segurar os ímpetos ofensivos do Tigre.

Corais formaram um 4-3-3 ao se defenderem (Imagem: DAZN)

Na segunda etapa, o Santa voltou bem melhor e teve várias chances criadas, com direito a um gol anulado por impedimento de Danny Morais depois que Chiquinho cobrou falta na área. Sem criatividade, porém, faltou repertório ao Mais Querido para chegar ao setor ofensivo, pois o goleiro Marcão pouco foi exigido.

O baque veio do meio para o fim, quando Pedro Bambu marcou um belo gol pegando uma sobra na intermediária. Para isso, Martelotte buscou manter a presença no campo de ataque para tentar evitar o pior. Victor Rangel e Caio Mancha deram uma cara bastante diferente ao time e, nos últimos segundos de bola rolando, Rangel chutou de longe e acertou a trave, porém Chiquinho pegou o rebote e mandou para o fundo do gol.

Créditos da foto principal: Rafael Melo/Santa Cruz

Sport na Série A: como joga taticamente o Palmeiras

Por: Felipe Holanda

Missão árdua, mas de boas lembranças. Para seguir afastado do Z-4, o Sport encara o Palmeiras neste sábado (8), às 19h, na Ilha do Retiro, pela abertura da 29ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. Apesar da boa fase dos alviverdes, os rubro-negros costumam levar vantagem em confrontos recentes.

Separamos para a torcida leonina tudo sobre o próximo adversário: prováveis formações táticas, informações exclusivas de um setorista, pontos fortes e fracos, jogadores para ficar de olho e muito mais.

Em momento favorável após vitória acachapante por 3 x 0 sobre o River Plate na semifinal da Libertadores, o Porco deve poupar jogadores importantes pensando no embate da volta, mesmo com larga vantagem. Taticamente, a tendência é que o time se posicione baseado no 4-2-3-1 ante o Leão.

Provável disposição inicial dos palmeirenses na Ilha (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

Uma das maiores características do Palmeiras no ataque é a rapidez na transição ofensiva. Costumeiramente veloz, a equipe consegue trocar passes verticais, geralmente explorando o 4-3-3 para quebrar as linhas da defesa adversária e levar perigo.

Nítido tridente ofensivo dos alviverdes contra o Bragantino (Imagem: Premiere)

“O Luiz Adriano deve ser poupado porque sempre tem um cuidado físico. O Willian deve atuar na referência e o Gabriel Veron é outro que pode jogar para ganhar ritmo de jogo porque volta de lesão, assim como o Zé Rafael”

Vinícius Bueno, da Rádio Bandeirantes

Mesmo cheio de alterações, a tendência é que o Verdão do treinador Abel Ferreira mantenha o esqueleto tático com a posse, como aconteceu na vitória sobre o Bragantino pelo placar mínimo, quando foi a campo com um time misto.

COMO DEFENDE

“Defesa que ninguém passa”. É o que o Palmeiras pode ostentar pelo menos nos três últimos jogos, todos decisivos. Zero gols sofridos. Apostando no 4-2-3-1 na maioria das vezes, a equipe alviverde tem linhas e conceitos definidos, sem depender das peças.

Postura defensiva dos comandos de Abel (imagem: Premiere)

Apesar de ágil nas transições, podendo se montar num 4-4-2 ou 4-5-1, o Porco já mostrou fragilidades lá atrás. Na Série A, são 25 bolas nas redes alviverdes em 26 jogos disputados.

“Na defesa, o Viña deve ser poupado visando o jogo contra o River, na terça. O Lucas Esteves deve ser o titular, mas também algum zagueiro canhoto pode fazer a lateral esquerda ou até o (Gustavo) Scarpa”

Vinícius Bueno, da Rádio Bandeirantes

PARA FICAR DE OLHO

Patrick de Paula (MEIA-VOL) – Jovem promessa do Palmeiras, Patrick é um volante moderno, canhoto, que tem ótima saída para o jogo e precisão na marcação. Sempre joga de cabeça erguida e chega bem para pisar na área e finalizar em gol, com três tentos assinalados no Brasileirão, além de uma assistência.

Raphael Veiga (MEIA) – Outro que vive boa fase e é o artilheiro da equipe na Série A, com oito bolas na rede, mesmo número de Luiz Adriano. Veiga é decisivo na posse, arma o jogo e não costuma perder chances claras de marcar. Olho nele.

Willian “Bigode” (ATA) – Longevo atacante que sempre foi goleador por onde passou. Como Luiz Adriano deve ser poupado para o jogo da Libertadores, Willian será o comandante de ataque e foco da maioria das atenções dos marcadores rubro-negros.

Quem não joga: Felipe Melo (cirurgia no tornozelo esquerdo), Wesley (cirurgia no joelho esquerdo), Luan Silva (cirurgia no joelho esquerdo) e Mayke (Covid-19).

Créditos da foto principal: Cesar Greco / Ag. Palmeiras

Renasce a força e a raça: análise Náutico 2×1 Paraná

Por: Mateus Schuler

O Náutico literalmente driblou as adversidades e está mais vivo do que nunca na luta para se manter na Série B do Campeonato Brasileiro. Saiu atrás no placar, perdeu dois pênaltis e mesmo assim virou para cima do Paraná, fazendo 2 x 1, nesta sexta-feira (8), nos Aflitos, pela 33ª rodada. A vitória alvirrubra, na força e na raça, fez o Timbu não apenas deixar a zona de rebaixamento, como renasceu de vez o sonho da permanência.

Com o resultado positivo, os pernambucanos chegam a 38 pontos na tabela e sobem, provisoriamente, à 15ª posição, deixando Figueirense e Vitória para trás. O próximo adversário é já na próxima terça-feira (12), novamente dentro do Eládio de Barros Carvalho, contra o embaladíssimo América-MG, às 19h15 pela 34ª rodada da Segundona.

Timbu manteve 4-2-3-1 de praxe, mesmo com mudanças forçadas (Feito no TacticalPad)

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COMO FOI

Que o Náutico tinha a necessidade de vencer, já era evidente desde antes da bola rolar. Nem por isso, o time abdicou de ir ao ataque, mas não era criativo, enquanto que o Paraná optou por se precaver e ficar todo fechado na defesa para apostar no contra-ataque; ainda assim, o Tricolor da Vila abriu o placar após bola parada.

Com a desvantagem, o Timbu buscou opções para furar a defesa paranista e o atacante Kieza foi do céu ao inferno. Primeiro, desperdiçou ótima chance de empatar a peleja, batendo pênalti fraco nas mãos do goleiro Renan. Em seguida, reiterou o faro de artilheiro com um golaço, no ângulo esquerdo do arqueiro adversário.

Alvirrubros apostaram no 4-3-3 ofensivo para atacar e obtiveram êxito (Imagem: SporTV/Premiere)

Para a etapa final, Marcelo Rocha decidiu fazer uma solução caseira, tirando Matheus Trindade – mal em campo – e promovendo Johnnatan. De início, foi vista uma melhora na produção ofensiva, pois o time passou a se postar no 4-1-4-1, com Rhaldney fixando na cabeça de área, já Jean Carlos ficou mais recuado.

Assim como no primeiro tempo, os alvirrubros tiveram uma oportunidade de balançar as redes em tiro da marca da cal. Dessa vez, Jean Carlos foi para a bola, porém também parou em intervenção do goleiro paranista. Usando os lados, o Timbu enfim demonstrou a força nos Aflitos e conseguiu a virada no marcador: Vinícius fez grande jogada individual pela esquerda e mandou na entrada da área para Erick, que dominou e chapou no canto direito, sem dar possibilidade de defesa, sacramentando a vitória.

Náutico passou a performar no 4-1-4-1 para povoar o meio-campo (Imagem: SporTV/Premiere)

Créditos da foto principal: Caio Falcão/CNC

Náutico na Série B: como joga taticamente o Paraná

Por: Mateus Schuler

É vida ou morte para o Náutico. Podendo deixar a zona de rebaixamento caso vença, o Timbu decide seu futuro na Série B do Campeonato Brasileiro em confronto direto com o Paraná nesta sexta-feira (8) nos Aflitos, às 19h15, pela 33ª rodada. O adversário vive fase complicada, com a segunda defesa mais vazada, treinador recém-chegado e a corda no pescoço.

Com somente duas vitórias nos últimos 15 jogos, o Tricolor da Vila chegou a ser líder por três rodadas, mas vem em queda de produção desde o início do returno, quando era o 7º colocado e atualmente é o 18º. Separamos para a torcida alvirrubra tudo sobre o próximo adversário: provável formação, táticas, jogadores para ficar de olho, pontos fortes e fracos e muito mais dos paranistas.

Para a partida, Márcio Coelho – o novo técnico – não poderá contar com as presenças do lateral-direito Paulo Henrique, zagueiro Rafael Lima e volante Karl, todos suspensos pelo terceiro amarelo. Ainda assim, espera-se que o comandante mantenha o 4-2-3-1 usado anteriormente por Gilmar Dal Pozzo, alternando para 4-4-2 e 5-4-1 ao defender e 4-2-1-3 ao atacar.

Apesar de novo comando, paranaenses podem ir a campo com base tática mantida (Feito no TacticalPad)

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COMO ATACA

Donos do ataque mais positivo do Z-4, mas o sétimo pior da Segundona, os paranaenses têm uma árdua missão: recuperação da confiança ofensiva. De oito gols marcados ao longo do 2º turno da Segundona, três foram de algum jogador do setor, enquanto os demais foram de meio-campistas, o que deixa até dúvidas na formação.

Jogando muito espaçado, o Paraná alterna entre as pontas e o meio – geralmente com Renan Bressan – a criação das jogadas. Em contrapartida, os demais atletas do meio-campo ajudam mais na transição e os laterais ficam responsáveis por dar suporte nos lances, formando um 4-2-1-3 com amplitude dos extremos.

“O ataque vem devendo muito. Com Dal Pozzo, foram apenas três gols marcados durante seis jogos e todos por volantes, o que dificulta achar uma formação ideal para o setor”

Luiz Ferraz, repórter da Rádio Banda B
Paranistas jogam com trinca ofensiva espaçada do meio-campo (Imagem: SporTV/Premiere)

COMO DEFENDE

Conforme já citado anteriormente, o calo maior do Tricolor da Vila é a defesa. Ao lado da Ponte Preta, foi vazado em 43 oportunidades, ficando à frente no critério somente do lanterna Oeste, que sofreu 52 gols; por muitas vezes, a marcação se mostrou frágil, cedendo espaços entrelinhas.

Na era Gilmar Dal Pozzo, encerrada de maneira até surpreendente, os paranistas demonstraram duas opções de se defender, variando pelo encaixe do adversário. Quando enfrentou ataques com mais cadência, se postou com duas linhas de 4 em blocos médios, facilitando a saída mais veloz ao iniciar o contra-golpe.

Ao encarar setores ofensivos rápidos, o que é o caso do Náutico, o sistema defensivo do Paraná se fechou com uma linha inicial de 5. A tendência é de que essa postura seja repetida, ainda mais pelo fato do duelo ser fora de casa, o que faz a equipe jogar um pouco mais reativa.

“Gilmar Dal Pozzo conseguiu até achar um certo equilíbrio para o sistema defensivo, mas faltou consistência. O time cometeu muitas falhas individuais sob o comando dele, que culminaram em derrotas”

Luiz Ferraz, repórter da Rádio Banda B
Mesmo com linha de 5, principal problema do Tricolor da Vila é a falta de compactação (Imagem: SporTV/Premiere)

PARA FICAR DE OLHO

Renan Bressan (MEI) – Com vasta experiência no futebol internacional, inclusive tendo dupla nacionalidade bielorrussa, o meio-campista é responsável pela criação de jogadas. Além disso, tem a bola parada como arma principal, seja servindo os companheiros ou finalizando.

Bruno Gomes (ATA) – Centroavante do Tricolor da Vila, Bruno não vive bom momento, pois não faz gols desde a 18ª rodada. Ainda assim, é o artilheiro do time na Segundona, balançando as redes adversárias por seis oportunidades; com boa movimentação, faz também o pivô e já deu duas assistências.

Créditos da foto principal: Rui Santos/Paraná Clube

O rubro-negro é ‘cor’ de guerra: análise Sport 1 x 0 Fortaleza

Por: Felipe Holanda

Foi no suor e na luta. Mesmo sem jogar bem, o Sport mostrou que está muito vivo na guerra contra o rebaixamento e venceu o Fortaleza por 1 x 0 nesta quarta-feira (6), na Ilha do Retiro, em confronto direto, pela 28ª rodada da Série A do Brasileiro. Com o triunfo, o rubro-negro abre provisoriamente quatro pontos do Z-4.

A principal novidade na prancheta de Jair Ventura foi o capitão Patric atuando mais adiantado, como uma espécie de ponta direita e Raul Prata na lateral. Assim, o time se postou no 4-2-3-1 como base, com linhas bem compactadas e o meio de campo povoado, encurralando o Tricolor do Pici.

Formação inicial do leoninos (Feito no Tactical Pad)

COMO FOI

O 4-2-3-1 do Sport foi nítido nos primeiros minutos de bola rolando na Ilha, com Patric recompondo bem pela direita e praticamente anulando as investidas do Fortaleza por aquele lado. Vencia no meio campo e construía espaços quando tinha a bola nos pés. Sem ela, se fechava bem e não demorava para recuperar a posse.

Pernambucanos na tentativa de povoar o meio de campo (Imagem: Premiere)

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O que decidiu a peleja foi quando Marquinhos fez boa jogada e tocou para Thiago Neves, que finalizou com muita categoria no canto direito de Felipe Alves, inaugurando a contagem na Praça da Bandeira. Tendo o apoio dos laterais, o gol foi um típico 4-3-3 ofensivo.

Tridente ofensivo dos leões no tento de Thiago (Imagem: Premiere)

A resposta dos visitantes quase foi letal. Gabriel Dias chegou pelo menos duas vezes com muito perigo, uma graças ao cochilo de Marquinhos, e pôs Luan Polli para trabalhar. Osvaldo, um pouco mais tarde, também assustou.

Foi aí que a equipe de Jair Ventura passou a explorar os contra-ataques, em transições rápidas, tentando surpreender o rival. A estrategia se atenuou ainda mais com as entradas de Sander e Betinho, para as saídas de Marquinhos e Ronaldo Henrique, respectivamente.

Com as mudanças, o rubro-negro passou a utilizar uma linha de cinco na defesa, se posicionado no 5-4-1 e diminuindo ainda mais os espaços para o adversário progredir seu jogo. O tricolor ainda conseguiu empatar, mas o VAR anulou corretamente o gol.

Posicionamento defensivo dos pernambucanos (Imagem: Premiere)

Praticamente abicando do ataque, os comandados de Jair se seguraram lá atrás, postura que perdurou até os últimos instantes, enquanto o oponente pouco se objetou e a vitória foi selada. A esta altura, 1 x 0 é ‘goleada’ para o time da Ilha do Retiro. Não precisa ser brilhante, contanto que vença.

Créditos da foto principal: Anderson Stevens/Sport

*O título é uma referência ao “Hino à Treme Terra”, composto por Renato Barros, em 1979.