Sport na Série A: como joga taticamente o Fortaleza

Por: Felipe Holanda

Um Leão “Mysteriozo” no caminho do Sport. Com dez casos de covid-19 e escondendo a lista de relacionados, o Fortaleza faz confronto direto com o rubro-negro na luta contra a queda como uma incógnita. A bola rola nesta quarta-feira (6), às 20h30, na Ilha do Retiro, pela 28º rodada da Série A do Campeonato Brasileiro.

Separamos para a torcida do Leão pernambucano tudo o que se sabe sobre o próximo adversário: prováveis posicionamentos táticos, informações exclusivas de uma setorista, jogadores para ficar de olho e muito mais.

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Taticamente, a tendência é que o time comandado por Marcelo Chamusca se poste no 4-4-2 com fluidez para o 4-1-4-1. Por outro lado, a escalação inicial dos cearenses é um absoluto mistério. O Tricolor do Pici deve ir a campo na tentativa de surpreender Jair Ventura, já que é um jogo de “seis pontos”.

Possível disposição tática dos tricolores (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

O ataque é justamente o maior calo do Fortaleza de Chamusca. Nos quatro últimos jogos pelo Brasileirão, por exemplo, foi apenas um gol marcado, na derrota para o Bragantino, em dezembro. Neste mesmo recorte, os cearenses acumulam dois empates e duas derrotas, com direito e um revés no clássico contra o Ceará por 2 x 0.

O déficit ofensivo, geralmente pecando na hora do último passe, força o Tricolor a explorar os contra-ataques. Ataca em bloco, formando um 4-3-3 com o apoio dos laterais na expectativa de usar a bola área para agredir o adversário.

Investida cearense contra o Flamengo (Imagem: GE)

“O grande problema do Fortaleza neste Brasileirão vem sendo o ataque. A defesa até vai bem, com Felipe Alves se destacando. Os zagueiros e os laterais também são importantes. Mas lá na frente a equipe vem pecando na hora botar a bola para dentro”

Iara Costa, repórter do Jornal O Povo

COMO DEFENDE

Se o ataque decepciona, a defesa é segura na maioria das vezes. Um legado deixado por Rogério Ceni e adaptado por Chamusca, que completa oito jogos no comando do Leão do Pici. As semelhanças, porém não são tão latentes assim.

“O Fortaleza de Ceni não é o mesmo Fortaleza de Chamusca. O novo comandante não mexeu muito no início, já que ‘pegou o bonde andando’, como dizem, mas soube deixar suas características a adapta-las para que o time funcionasse bem”

Iara Costa, repórter do Jornal O Povo

Quando atacada, a equipe geralmente aposta no 4-3-2-1 posicional, preenchendo os espaços pelo meio e forçando as jogadas do rival pelas laterais.

Tricolores posicionados na defesa (Imagem: GE)

PARA FICAR DE OLHO:

Felipe Alves (GOL) – Goleiro moderno e eficiente com a bola nos pés. Sempre importante na saída e nas ligações diretas para o ataque. Além disso, Felipe Alves não compromete debaixo das traves e é um dos líderes do time.

Juninho (VOL/MEIA) – É quem dá o ritmo da posse tricolor, geralmente buscando a bola de trás. Juninho tem três assistências no certame, sendo o vice-líder da equipe neste quesito.

Romarinho (MEIA/ATA) – O pulso e a válvula de escape do Fortaleza. Romarinho é um dos mais regulares do Leão na Série A, importante taticamente e também na prática. Tem dois gols marcados no certame e sempre chama as atenções da linha inicial do adversário.

Créditos da foto principal: Karim Georges/Fortaleza EC

*Leão Mysteriozo é uma referência à composição “Pavão Mysteriozo”, de Ednardo, em 1974.

Sem comando: análise Confiança 2×0 Náutico

Por: Mateus Schuler

O Náutico voltou a ter atuações frustrantes na Série B do Campeonato Brasileiro. Sem Hélio dos Anjos, vetado por Covid-19, a equipe não se encontrou nas quatro linhas e foi derrotado por 2×0 para o Confiança, nesta segunda-feira (4), na Arena Batistão, pela 32ª rodada. O revés fez o alvirrubro desperdiçar boa oportunidade de deixar a zona de rebaixamento.

Com um rendimento desastroso em campo, o Timbu segue na 17ª posição e somando os mesmos 35 pontos, pois o empate seria suficiente para sair do Z-4. O próximo obstáculo nessa ingrata disputa contra a degola já será nesta sexta-feira (8), às 19h15, diante do Paraná; o duelo, válido pela 33ª rodada da Segundona, ocorrerá nos Aflitos.

Timbu contou com a volta de Kieza aos titularidade e manteve o 4-2-3-1 (Feito no TacticalPad)

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COMO FOI

A primeira metade de bola rolando, por conta do desespero das equipes na tabela, teve muito equilíbrio e intensidade. Inicialmente, o Dragão promoveu um falso domínio, deixando o Náutico mais acuado na defesa, mas o 4-4-2 com linhas baixas fechou os espaços, ainda que Anderson tenha trabalhado em boa intervenção.

No ataque, porém, o Timbu decidiu explorar os erros do Confiança e manteve o 4-2-3-1 de praxe, infiltrando entrelinhas. Com as brechas cedidas, a equipe alvirrubra teve duas chances de abrir o placar com Vinícius, sendo a primeira depois de escanteio cobrado por Jean Carlos e parou em Rafael Santos; logo depois, o camisa 70 teve o chute bloqueado pela marcação.

Para a etapa final, o auxiliar Marcelo Rocha optou por manter a escalação do primeiro tempo, mas os descuidos continuaram os mesmos, principalmente no sistema defensivo. Mesmo com a boa postura e defesas de Anderson, os sergipanos tiraram o zero do marcador em um pênalti bobo cometido pelo arqueiro pernambucano.

Alvirrubros se fecharam com duas linhas de 4 para bloquear os espaços (Imagem: SporTV/Premiere)

Na tentativa de corrigir os erros, foram realizadas quatro mudanças. Saíram Jean Carlos, Vinícius, Hereda e Rhaldney para entradas de Ruy, Álvaro, Dudu e Jorge Henrique, respectivamente, que mudou do 4-2-3-1 de praxe ao 4-1-4-1.

Nem mesmo a mudança de performance tática foi suficiente para impedir o revés, uma vez que a única oportunidade criada veio com Dudu, em falta na entrada da área parada em Rafael Santos.

O que já estava difícil, piorou nos minutos finais quando Rafael Ribeiro entrou em confusão após reclamação de pênalti não marcado. No contra-ataque, o Dragão sacramentou a vitória, dando números finais ao confronto.

Timbu ainda alternou ao 4-1-4-1 para tentar mais criatividade na etapa final (Imagem: SporTV/Premiere)

Créditos da foto principal: Luiz Neto/Confiança

Náutico na Série B: como joga taticamente o Confiança

Por: Mateus Schuler

Com chance de deixar a zona de rebaixamento, o Náutico busca dar sequência ao bom momento na Série B do Campeonato Brasileiro. O primeiro confronto de 2020 será na noite desta segunda-feira (4) às 20h, diante do também desesperado Confiança, na Arena Batistão finalizando a 32ª rodada da Segundona; Timbu vai motivado pela sequência positiva para poder sair da degola.

Embalada por estar cinco jogos invicta, a equipe de Rosa e Silva depende de si, em confronto da parte de baixo da tabela. Separamos para a torcida alvirrubra tudo sobre o próximo adversário: provável formação, táticas, jogadores para ficar de olho, pontos fortes e fracos e muito mais do Dragão Industrial.

Proletário deve ir a campo no 4-3-3 clássico (Feito no TacticalPad)

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COMO ATACA

Dono do oitavo pior ataque, o Confiança tem muitas dificuldades no setor. Os sergipanos dependem das jogadas individuais pelos lados com os pontas ou pelo meio com algum dos meio-campistas, pois a bola rotaciona pouco pela armação. Não por acaso, o principal garçom da equipe é um dos volantes, já a artilharia é dividida pelo centroavante com um extremo.

Nos últimos jogos, houve a alternância entre 4-2-3-1 e 4-3-3 de tática-base, com o jogador mais centralizado do primeiro sistema sendo o articulador. Os azulinos têm usado mais frequentemente essas duas linhas de 3 para atacar e valorizando muita as peças da beirada nos lances criados, visando infiltrar entrelinhas.

Ainda assim, um dos pontos que a marcação alvirrubra precisa se atentar é na movimentação dos atletas do setor ofensivo. Apesar do centroavante ter faro de gol, nenhum fixa na sua posição, tentando assim confundir a defesa ao marcar individualmente; por outro lado, facilita se os defensores ficarem bem postados para fecharem os espaços.

Azulinos formam trinca ofensiva ao atacar e com meio-campistas chegando mais afastados (Imagem: Premiere)

COMO DEFENDE

Com a sexta defesa mais vazada da Segundona, o Dragão tem sofrido muito principalmente nos últimos duelos. Dos sete disputados em dezembro, foram 13 gols sofridos, gerando cinco derrotas, um empate e somente uma vitória, o que tem preocupado o treinador Daniel Paulista e os torcedores na reta final da competição.

A postura da marcação tem variação, mas com um ponto em comum: duas linhas de 4. A depender do encaixe do ataque adversário, o Azulão performa no 4-4-2, buscando evitar que haja jogo apoiado e os lances terrestres, mas deixam espaços quando há lançamentos profundos quebrando a primeira linha.

Uma das performances defensivas dos sergipanos é o 4-4-2 clássico (Imagem: Premiere)

Outra opção é o 4-1-4-1 ao se defender, que fecha mais as brechas e poucas são as jogadas trabalhadas. Dessa maneira, o Proletário tem como armas no setor a solidez das peças e o preenchimento em campo, enquanto que abre a possibilidade para um ataque veloz e móvel entre infiltrado, forçando mais os defensores a jogarem com linhas médias-baixas.

Daniel Paulista por vezes promove um 4-1-4-1 na transição defensiva (Imagem: SporTV/Premiere)

PARA FICAR DE OLHO

Guilherme Castilho (VOL) – Apesar de jovem, o cabeça de área formado no Atlético-MG e emprestado ao Confiança é um dos principais líderes do meio-campo. Forte na bola parada, o meio-campista vem se destacando mais em assistências, sendo o maior garçom da equipe ao servir os companheiros em cinco oportunidades.

Reis (PE) – Autor do gol da vitória na partida do turno, o ponta azulino divide a artilharia do time na Segundona com Renan Gorne, ambos com com sete gols. Em contrapartida, foi o artilheiro em 2020, balançando as redes por 14 vezes, muito pelo fato de fazer boas jogadas individuais e ter a finalização de característica mais importante.

Créditos da foto principal: Mikael Machado/ADC

Tricolor luta, mas fica no empate: análise Santa Cruz 1 x 1 Ituano

Por: Anderson Santa e Felipe Holanda

Não faltou luta. Atuando com um homem a menos desde o primeiro tempo, o Santa Cruz fez jogo de superação e ficou no empate em 1 x 1 com o Ituano, neste domingo (3), no Arruda, pela quarta rodada do quadrangular de acesso da Série C do Campeonato Brasileiro. Apesar da igualdade, a Cobra Coral segue com boas chances de conquistar o acesso e deixar a Terceirona.

No “campinho” de Marcelo Martelotte, o Mais Querido utilizou o 4-2-3-1 como alicerce tático, dando muita amplitude e, ao mesmo tempo, preenchendo o meio, empurrando o time visitante contra as cordas. Na segunda etapa, após a expulsão de Bileu, a principal opção foi o 4-4-1, explorando os contra-ataques; na próxima rodada, o adversário será o Vila Nova, em Goiana.

Formação inicial do Tricolor ante os paulistas (Feito no Tactical Pad)

COMO FOI

O Santa Cruz, em casa, iniciou bem a partida tendo domínio e controle em seus lances. Teve até chance de inaugurar a contagem com Chiquinho num claro lance de jogo apoiado, mas o camisa 10 do Tricolor não pegou bem na hora do arremate.

Em situações defensivas, com marcação média/alta, o Santa pressionou a saída do Ituano, com uma espécie de 4-2-2-2, tendo Pipico e Victor Rangel na última linha.

Posicionamento dos corais do meio para frente (Imagem: DAZN)

Melhor no jogo, o Santa abriu a contagem, com Didira, após boa troca de passes e subida de Leonan pela esquerda. A finalização ainda desviou no caminho, o que acabou matando o goleiro Edson.

Movimentação no setor ofensivo tricolor confundiu a marcação rival (Imagem: DAZN)

Até que o volante Bileu recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso, comprometendo o funcionamento da equipe de Martelotte, que precisou mexer no time. O comandante tirou a dupla de zaga e passou a jogar com Chiquinho na referência, postado no 4-1-3-1, que por vezes alternava ao 4-4-1.

Comandados de Martelotte com um homem a menos (Imagem: DAZN)

Sem ter jogador de desafogo, o Santa só fez se defender e sofreu o empate. A virada quase veio, mas Luiz Paulo não aproveitou a bela jogada do companheiro e errou o alvo.

Das raras investidas dos donos dos pernambucanos na etapa final, Lourenço acertou o travessão e por pouco não deu os três pontos, o que garantiria ao Mais Querido o topo da tabela.

Créditos da foto principal: Rafael Melo/Santa Cruz

Retrospectiva 2020: um ano de emoções diferentes para o torcedor pernambucano

Texto: Anderson Santana, Felipe Holanda, Guilherme Batista e Mateus Schuler

Arte: João Rodrigues

Em meio à pandemia, o futebol pernambucano inevitavelmente foi afetado. Não se pôde ver um Arruda amarrotado de gente num Clássico das Multidões ou ouvir a charanga dos Aflitos, por exemplo. Pior que isso, milhares de vidas se foram. Vexames, títulos e feitos históricos ficaram restritos às imagens da televisão e ao distanciamento social.

Teve Salgueiro campeão inédito do Estadual e o Afogados “mitando” diante do Atlético-MG, enquanto Náutico, Santa Cruz e Sport viveram altos e baixos, e o Central amargou a décima frustação na Série D; nesta retrospectiva, o Pernambutático revisita os momentos mais marcantes de 2020 sob um olhar tático.

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O VOO MAIS ALTO DO CARCARÁ

O ano começou e ninguém esperava o que fosse acontecer nos primeiros meses de 2020. O Pernambucano iniciou em “banho maria” e o Salgueiro, que não tinha nada com isso, tratou de montar um bom time comando pelo português Daniel Neri, apostando no 4-3-3 como base tática, principalmente em situações ofensivas.

O último compromisso antes da pandemia foi de triunfo contra o Vitória, no Lacerdão, em Caruaru, pelo placar mínimo, o que garantiu ao Carcará o segundo lugar da fase de grupos, atrás apenas do líder Santa Cruz.

Já a semifinal foi marcada por atuação de gala diante do Afogados. Com muita amplitude, a equipe de Neri sobrou em campo e venceu sem dificuldades por 3 x 0. Tarcísio, Willian Daltro e João Paulo marcaram os gols que garantiram os salgueirenses na decisão.

De preto, o ataque fatal no 4-3-3 (Imagem: Rede Globo)

No primeiro confronto da final, no Sertão, o Carcará conseguiu segurar a Cobra Coral, que era dona do melhor ataque da competição. Não venceu, ficando no 1 x 1, mas ficou com o moral elevado para a partida de volta, no Arruda.

Com as arquibancadas do José do Rêgo Maciel vazias, nem parecia que aquele jogo valia tanta coisa. Em campo, os donos da casa foram levemente superiores, mas perderam boas chances, além de parar no goleiro Tanaka, e a decisão foi para os pênaltis.

Nas cobranças da marca da cal, 100% de aproveitamento dos sertanejos, com André desperdiçando uma cobrança para o Mais Querido. Coube a Muller Fernandes cobrar a última penalidade, vencendo Maycon Cleiton e enchendo os corações interioranos de orgulho. Salgueiro campeão, fazendo história.

O Carcará chegou embalado para a disputa da Série D, não por acaso. Passou com folgas na primeira fase e foi o único representante de Pernambuco no mata-mata da Quarta Divisão. Mais encorpada, a equipe se fechava bem na defesa, geralmente explorando 4-1-4-1.

Postura diante do Campinense no Cornélio (Imagem: MyCujoo)

O sonho do acesso, porém, foi por água abaixo graças à derrota para o Altos-PI, nos pênaltis, nas oitavas de final. A oportunidade de voltar à Série C ficou pelo caminho, mas a torcida salgueirense tem motivos – de sobra – para ver 2020 com ótimos olhos.

Afogados e Central viveram ano de emoções distintas (Arte: João Rodrigues)

A CORUJA ACORDOU

Apesar dos contratempos, quem também viveu um ano mágico foi o Afogados. Com a chance de disputar a Copa do Brasil pelo terceiro lugar conquistado no Estadual de 2019, a Coruja acordou e cravou o duelo mais emblemático de sua história diante do gigante Atlético-MG, pela segunda fase.

Comandados por Pedro Manta, os sertanejos não se intimidaram com o peso da camisa alvinegra e souberam fazer seu jogo. Bem postados lá atrás, apostaram em triangulações no ataque, utilizando o 4-2-2-2, e sendo coroado com um belo gol de Candinho, de fora da área, para delírio total dos presentes no Vianão.

O Galo, contudo, conseguiu o empate em tento assinalado por Gabriel; para piorar, o zagueiro Márcio foi expulso minutos mais tarde. Até que Philip fez jogada de cinema, não tomou conhecimento dos três marcadores mineiros e bateu colocado, sem chances para o goleiro, recolocando a equipe do Sertão do Pajeú à frente do placar.

O tento que recolou o Afogados em vantagem diante do Galo (Imagem: Rede Globo)

Wallef salvou o time da casa enquanto pôde, mas Ricardo Oliveira deixou tudo igual outra vez, levando a decisão da vaga para a disputa dos pênaltis. Mal sabia o Atlético que a zebra estava solta naquela noite de Quarta-feira de Cinzas.

Nas penalidades, haja coração! Foram incríveis 18 cobranças, até que os pernambucanos ficaram com a classificação e fizeram história num jogo indelével na memória dos tricolores; já os mineiros acabaram eliminados, demitindo o treinador Rafael Dudamel e toda a comissão técnica.

A alegria sertaneja, entretanto, parou por aí. Eliminação merecida diante da Ponte Preta na fase subsequente, com o time se despedindo da competição de cabeça erguida e uma premiação de R$ 1,5 milhões aos cofres do clube.

Após terminar o Pernambucano na 4ª colocação, Manta foi desligado do cargo e daí foi ladeira abaixo. A Coruja chegou até embalada para a disputa da Série D com Hígor César, sonhando com o acesso, explorando o 4-4-1-1 em situações defensivas.

Posicionamento com Hígor no comando

O “calo” foi justamente a defesa, que acabou sofrendo muitos gols, culminando com a eliminação ainda na primeira fase. Nada que tirasse o brio de um 2020 quase perfeito, que surpreendeu até o mais otimista dos afogadenses.

LA DECIMA

O torcedor centralino certamente começou 2020 cheio de expectativas. Nova diretoria, promessas ousadas de acesso para a Série C e contratações de peso, como Danilinho, além da manutenção de destaques como Leanderson Polegar e Leandro Costa fizeram o torcedor patativa sonhar com um 2020 dos sonhos.

Mas não precisou de muito tempo para as coisas começarem a virar. Sob comando de Evandro Guimarães, o Central iniciou o Pernambucano num 4-2-2-2 pra lá de curioso: Bambam, centroavante, jogando como segundo atacante, enquanto Leandro Costa era a referência. No meio, Fábio Neves e Danilinho tentavam se revezar na criação, mas por ocuparem a mesma faixa, nenhum dos dois conseguiu se destacar.

Os resultados não vieram e a pressão em Evandro ficou insustentável após o empate em 0 a 0 contra o Santa Cruz, no Lacerdão, onde a equipe caruaruense jogou com um a mais por 87 minutos e não criou absolutamente nada. Sem resultados e sem futebol, a diretoria optou pela sua demissão e trouxe Sílvio Criciúma.

O novo treinador mexeu na estrutura do time. Adaptou Danilinho, que passou a jogar aberto pela direita e assim o Central passou a atuar num 4-2-3-1. Além disso, Sílvio Criciúma optou por ter Bruninho criando ao invés de Fábio Neves. No ataque, fez o básico, Bambam virou a referência e Leandro abriu na esquerda, tendo mobilidade.

Postura alvinegra no ataque (Imagem: Rede Globo)

Em pouco tempo o time respondeu e o Central conseguiu reagir no estadual. No último jogo antes da pandemia, empate no Lacerdão diante do Afogados por 1 a 1 num jogo cheio de contestação pelo lado alvinegro após o juiz anular um gol minutos depois de ter validado.

Com a paralisação, o Central teve que se remontar completamente. Quando a bola voltou a rolar, conseguiu avançar para o mata-mata do estadual, mas caiu pro Náutico. Apesar disso, Sílvio parecia ter arrumado a casa. Com uma equipe limitada, o treinador fez o Central ser competitivo.

Sem conseguir acesso para a Série D 2021 via estadual, a Patativa jogou todas as suas fichas na Série D 2020. E a campanha, sem dúvidas, ficará na memória do torcedor. Nos seis primeiros jogos, incríveis seis empates. Na época o apelido de “Empatativa” foi inevitável. Com novas peças no elenco, Sílvio Criciúma começou a Série D num 4-2-1-3, porém além de ficar extremamente dependente de Doda, o time ficava previsível, facilitando para os adversários.

A alternativa foi promover uma alteração simples, mas que mudou consideravelmente o rendimento do time: Aruá entrou no lugar de Adaílson. Assim, o Central passou a atuar num 4-2-2-2 bem organizado e que tinha versatilidade. Doda não ficava tão visado e a criação do time ficou bem dividida entre ele e Aruá. O resultado se viu em campo: após 6 empates, a Patativa engatou três vitórias e parecia dar sinais de que, desta vez, iria longe.

Centralinos postados na defesa (Imagem: MyCujoo)

Porém velhos problemas voltaram a assombrar o clube caruaruense: crise política e financeira. Os bastidores pegaram fogo: salários atrasados, Sílvio Criciúma demitido e readmitido e, por fim, a gota d’água: greve dos jogadores. O Central chegou na penúltima rodada da competição com 3 vitórias e 9 empates. A única derrota que sofreu, justamente na penúltima rodada, foi crucial para o fracasso: 2 a 1 contra o Itabaiana com gol sofrido aos 50 minutos da segunda etapa.

Após a derrota, Sílvio foi demitido pela quarta vez no ano, porém desta vez foi em definitivo. A Patativa até venceu o último jogo contra o Jacyobá, mas já não dependia de si e acabou sendo eliminada da Série D. Se o Real Madrid conquistou “La Decima” Champions há algumas temporadas, em 2020 foi a vez da Patativa chegar a “La Decima” porém, neste caso, foi a décima eliminação na Série D, que se tornou o calvário da equipe caruaruense.

A LINHA TÊNUE ENTRE O CÉU E O INFERNO CORAL

O início do ano foi promissor, mas não vai deixar tantas saudades para o torcedor tricolor. Em três competições, o Mais Querido acabou pecando em momentos decisivos, mesmo com um time bom montado por Itamar Schülle, sendo eliminado precocemente na Copa do Brasil, ainda antes da pandemia. A primeira das quedas.

Posicionamento defensivo no começo de 2020 (Imagem: Rede Globo)

No Nordestão, a Cobra Coral se classificou para a fase eliminatória ficando em 4ª lugar, somando 13 pontos em oito jogos disputados. Nas quartas de finais, contudo, veio a segunda eliminação para o Confiança, nos pênaltis, interrompendo o sonho do bi.

Pelo Pernambucano, por outro lado, a fase era de fartura. Início avassalador, somando 25 pontos em nove partidas na fase classificatória, com oito vitórias e um empate, totalizando 92,6% de aproveitamento. Invicto, avançou diretamente para as semifinais, com a melhor a campanha e o direito de decidir o título, caso fosse à final, no Arruda; após derrotar o Náutico, em jogo único, os tricolores se garantiram na decisão.

O adversário tinha um retrospecto bem inferior, sem nunca ter ganho um título enquanto a equipe das três cores buscava o primeiro “caneco” de forma invicta pela primeira vez desde 1932, há 88 anos. Em dois jogos, foram dois empates: o primeiro em 1 x 1 no Sertão e o segundo sem gols no Recife. Nos pênaltis, deu Carcará.

O vice do Estadual e a terceira eliminação seguida frustrou o torcedor e contrariou os números. Foram 16 tentos assinalados contra quatro sofridos, tendo, portanto, a melhor defesa da competição, invicto, e com Pipico de artilheiro isolado.

Mas o rendimento do time era bom e a Série C se iniciou promissora para os corais. No G-4, Schulle deixou o cargo após dez meses de comando, com 64,29% de aproveitamento, empilhando 14 vitórias, nove empates e quatro derrotas.

A chegada de Marcelo Martelotte deu novo fôlego e o comandante conseguiu manter o bom aproveitamento da equipe. Apostando no 4-3-2-1 como base na defesa, e 4-2-3-1 no ataque, veio a classificação com sobras à segunda fase, porém com uma queda de produção nos últimos jogos.

Formação defensiva com Martelotte (Imagem: DAZN)

O jogo mais marcante para os tricolores na Série D foi justamente o último do ano. Às esperas do ano novo, a vitória heroica diante do Ituano por 2 x 1, de virada, recolocou o time na briga pelo acesso. Mas a luta continua em 2021.

O GÁS QUE FALTAVA AO TIMBU

…e ainda falta. Mas a evolução do Náutico após a chegada de Hélio dos Anjos é bem notável. No começo do ano, embalado pelo título da Série C, o Timbu manteve Gilmar Dal Pozzo no comando. No Pernambucano, amargou eliminação nas semifinais, fazendo uma campanha até positiva, somando cinco vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas em 11 jogos disputados.

Na Copa do Brasil, caiu ainda na segunda fase, sendo desclassificado nos pênaltis para o Botafogo. A partir desse jogo, a permanência de Dal Pozzo já era contestada pelas atuações ruins, com o time sem conseguir mostrar bom futebol.

Na Copa do Nordeste, mais uma vez os alvirrubros deram adeus sem sequer avançar na fase de grupos. A paciência com Gilmar foi ficando mais próxima do limite, porém a paralisação no futebol deu uma sobrevida ao comandante.

O início da Série B, por outro lado, foi o fator determinante para a saída – bem conturbada – de Gilmar. Foram somente duas partidas e fim da linha ao técnico, que amargou uma derrota e um empate. Problemas nos bastidores foram gerando indefinição quanto a seu substituto e a equipe aumentou a série sem vitórias, até que a diretoria firmou acerto com Gilson Kleina.

Investida ofensiva com dois centroavantes, Salatiel e Paiva – que não estão mais no elenco, foi uma das alternativas de Kleina (Imagem: SporTV/Premiere)

Inicialmente, a chegada de Kleina deu uma nova cara, pois foram três triunfos nos primeiros cinco confrontos e só um revés, o que deu esperança de melhora. Depois disso, o Timba desceu a ladeira e viu o rebaixamento ser uma ameaça, pois venceu uma vez em 12 oportunidades, sendo a gota d’água o resultado negativo frente ao Sampaio Corrêa, no último minuto, obrigando os dirigentes a mexer mais uma vez.

A “sacudida no elenco”, agora, veio com um treinador mais experiente no futebol brasileiro e velho conhecido: Hélio dos Anjos. E Hélio era o gás que o clube da Rosa e Silva tanto precisava, sendo uma combinação praticamente perfeita. Com o novo comandante, os alvirrubros terminaram o ano com cinco jogos sem perder, diminuíram – pela metade – a média de gols sofridos e, de quebra, ficaram próximos de sair da degola.

Se antes a queda era iminente, com Hélio a postura passou a ser outra. O time teve 10 compromissos, vencendo quatro, empatando três e perdendo outros três, com aproveitamento de 86,7% nos Aflitos e nenhuma vez foi vazado, deixando o quadro mais favorável pela permanência na Segundona em 2021.

Taticamente, no entanto, foi visto um ponto em comum entre os três nomes que comandaram a equipe: a base no 4-2-3-1. Por vezes, houve uma alternância ao 4-1-4-1, outras ao 4-2-2-2, mas sem mudar o modo de atacar. Na defesa, contudo, se formaram duas linhas de marcação, variando entre 4-4-1-1 e 4-4-2, o que fazia as transições serem mais intensas ou suaves.

Com Hélio, Timbu manteve as duas linhas de 4 ao se postar defensivamente dos demais técnicos (Imagem: SporTV/Premiere)

MUDOU MUITO, ENTREGOU POUCO

O Sport não perdeu a “mania” de trocar de treinador constantemente em 2020. Ao todo, três técnicos passaram pela Ilha do Retiro: Guto Ferreira, Daniel Paulista e Jair Ventura. Inevitavelmente, o ano foi de instabilidade, com eliminações frustrantes e um aproveitamento acima do esperado na Série A. Dos males, talvez o menor, ao menos dentro de campo.

A primeira das quedas foi em dose dupla. O Leão foi eliminado de maneira vexatória ainda na primeira fase da Copa do Brasil frente ao Brusque e quem também deu adeus foi o técnico Guto Ferreira, mesmo após vir de um 2019 bastante positivo.

Utilizando uma espécie de 4-2-3-1 bem desorganizado na defesa e pouco produtivo no ataque, com Hernane Brocador na referência, o comandante não resistiu à derrota por 2 x 1 para o quadricolor e deu início ao momento mais conturbado de 2020.

Posicionamento diante do Brusque, no Augusto Bauer (Imagem: Sportv)

A partir daí, o Leão começou a cair de produção bruscamente e foi vendo a situação se complicar também no Campeonato Pernambucano. Foram oito rodadas disputadas antes do futebol parar e os leoninos não dependiam de si para definir a vaga na segunda fase; na volta, contudo, foram derrotados no clássico para o Santa Cruz e tiveram de amargar a disputa do quadrangular da morte. Apesar disso, confirmaram a permanência com 100%, sem muitos sustos, evitando o pior no Estadual.

Começou a Série A e o cenário era de filme de terror para os rubro-negros. E Daniel estava, como de costume, com a corda no pescoço. O roteiro inicial, ao menos, não seguiu como o previsto, com vitória convincente sobre o Ceará por 3 x 2, na Ilha do Retiro, quando Élton marcou duas vezes.

Mas a sequência foi sádica e cruel, trouxa à tona a realidade e Paulista foi demitido após duas derrotas seguidas para Santos e São Paulo, ambas na Ilha do Retiro, deixando o clube na vice-lanterna do Campeonato Brasileiro.

Quando Jair Ventura assumiu o comando criou-se uma grande expectativa sob do novo treinador. O Iniciou foi titubeante, com derrota para o Coritiba, mas em poucas rodadas, o “Venturismo” levou a equipe da Praça da Bandeira às primeiras posições, perto da zona de classificação para a Libertadores.

O ponto mais forte defensivo foi quando o time de Jair segurou o Atlético-MG de Jorge Sampaoli, até então dono do melhor ataque da Série A. Os pernambucanos não formaram uma linha de cinco, no 5-4-1, que deu resultado.

Ferrolho defensivo dos venturistas (Imagem: Premiere)

Com a fragilidade do elenco, a queda de rendimento viria uma hora ou outra. E veio, quando o Leão acumulou três derrotas seguidas, com direito a um 5 x 3 sofrido contra o Internacional, em plena Ilha; o time, entretanto, conseguiu reagir e fechou 2020 fora do Z-4, algo considerado positivo já que a principal pretensão dos pernambucanos é – justamente – evitar a queda.

SETE DE SETEMBRO E VERA CRUZ VOLTAM À ELITE

O Pernambucano de 2021 contará com o retorno do Sete de Setembro, de Garanhuns, e do Vera Cruz, de Vitória de Santo Antão. Os dois times tradicionais do futebol pernambucano terminaram o Hexagonal Final da A-2 empatados com 10 pontos, mas o Galo das Tabocas levou vantagem no saldo de gols, já que foi dono do ataque mais positivo, tendo seis tentos assinalados, mesmo número do Centro Limoeirense, de Limoeiro, que ficou em terceiro na classificação final.

Enquanto uns chegam, outros dizem “até logo”. Casos de Petrolina e Decisão , que foram os piores no quadrangular do rebaixamento, amargando o descenso. Eles se juntam a nomes já conhecidos como América, Íbis, Porto, Pesqueira e Ypiranga, remanescentes da Segundona.

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