Novo técnico, velhos erros: análise CRB 2×1 Náutico

Por: Mateus Schuler

A estreia de Hélio dos Anjos no comando do Náutico era esperada que fosse dos céus, contudo o time voltou a repetir os mesmos erros de outrora e viu o inferno da Série C ficar cada vez mais perto. Neste sábado (21), foi derrotado pelo CRB por 2×1 no Rei Pelé, em Maceió, em confronto válido pela 22ª rodada da Série B.

O Timbu teve nova oportunidade de encostar na saída do Z-4 da Segundona, mas acabou sucumbindo mais uma vez, estacionando na 17ª colocação com 20 pontos. O próximo adversário é o Vitória na quarta-feira (25), às 19h, nos Aflitos, pela 23ª rodada do nacional.

Timbu foi a campo escalado no 4-2-3-1 diante dos regatianos (Feito no TacticalPad)

COMO FOI

Diferente dos últimos jogos, o Timbu se postou defensivamente no 4-4-1-1, com Jean Carlos ficando entre a faixa central – ocupada por Rhaldney e Bustamante na cabeça de área, Erick e Dadá pelos lados – e Kieza. Além disso, o time fez uma marcação mais alta, deixando o adversário sem sair com qualidade ainda na defesa.

Ofensivamente, porém, os pernambucanos ficaram no 4-2-3-1 já notável de outras oportunidades. Enquanto Rhaldney e Bustamante alternavam de lado no meio, Erick, Jean Carlos e Dadá ficaram alinhados atuando atrás de Kieza. Um dos raros lances do Timba no ataque foi com boa participação de todo o setor, quando o camisa 10 finalizou firme de fora da área e Victor Souza não encaixou; no rebote, o camisa 33 recebeu do goleador e mandou para fora.

Ronaldo Alves quebrou linha defensiva e permitiu infiltração de Pablo Dyego (Imagem: Premiere)

O que não mudou no Náutico, não apenas taticamente, foram os erros da zaga. Luidy fez boa jogada pela esquerda e inverteu para Reginaldo Lopes, que encostou de cabeça no meio da pequena área. Ronaldo Alves não se posicionou junto a seus companheiros e viu, de longe, Pablo Dyego entrar livre para abrir o placar no último lance do primeiro tempo.

Na etapa final, tanto Timbu, como Galo da Pajuçara voltaram sem mudar os 11 iniciais. Ao contrário dos 45 minutos iniciais, os alagoanos começaram com mais vontade ao atacar e, após pressionarem, ampliaram a vantagem. Luidy recebeu com liberdade pela esquerda, limpou a marcação e mandou belo chute no ângulo.

Boa movimentação do ataque resultou no gol do Timbu (Imagem: Premiere)

Ciente da necessidade de corrigir os erros cometidos pela equipe, Hélio dos Anjos promoveu quatro mudanças, sendo três do meio para frente. Saíram Bryan, Rhaldney, Bustamante e Dadá para entradas de Hereda, Jhonnatan, Ruy e Álvaro, respectivamente. As modificações fizeram o time alternar entre o 4-2-3-1 e o 4-1-4-1, tendo assim mais infiltrações, mas sem criatividade ao chegar ao ataque.

Na única boa investida do Timba, o gol de honra saiu, ainda que insuficiente para evitar o resultado negativo. Hereda subiu bem e o trio de ataque fez boa movimentação, com Kieza saindo e Álvaro surgindo na pequena área como um elemento surpresa, emendando de letra e fazendo um golaço. Na reta final, até o escrete da Rosa e Silva até buscou fazer uma pressão, entretanto sem sucesso.

Ficha do jogo

CRB: Victor Souza; Reginaldo Lopes, Gum, Xandão e Igor; Claudinei e Wesley; Diego Torres; Robinho (Moacir), Pablo Dyego (Iago Dias) e Luidy. Técnico: Ramon Menezes

Náutico: Jefferson; Bryan (Hereda), Camutanga, Ronaldo Alves e Wilian Simões; Rhaldney (Jhonnatan) e Bustamante (Ruy); Erick, Jean Carlos e Dadá Belmonte (Álvaro); Kieza. Técnico: Hélio dos Anjos

Créditos da foto principal: Caio Falcão/Náutico

Santa Cruz na Série C: como joga taticamente o Manaus

Por: Anderson Santana e Felipe Holanda

O Santa Cruz tem mais uma oportunidade de reiterar a ótima fase na Série C do Brasileiro no confronto com o Manaus. Líder geral do certame, a Cobra Coral tem 36 pontos, 16 a mais que o adversário deste sábado (21), no Arruda, pela 16ª rodada do Grupo A.

Separamos para a torcida do Mais Querido tudo sobre o próximo adversário: provável formação tática, pontos fortes e fracos, jogadores para ficar de olho e muito mais.

Comandando pelo jovem Luizinho Lopes, 39, o Gavião do Norte deve ir a campo no 4-2-3-1, modelo que o treinador vem utilizando durante esta Série C, tendo o meio campo com mobilidade e muita movimentação no terço final do campo.

Provável disposição tática do Esmeraldino diante dos corais (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

Uma das principais alternativas utilizada por Luizinho no ataque é o 4-2-1-3, com o meia se aproximando do tridente ofensivo, que explora a amplitude para confundir a marcação adversária.

Investida ofensiva do Esmeraldino (Imagem: Futebol Amazonense)

Buscando golpear o rival, o Manaus abusa das subidas dos laterais em situações ofensivas. A bola área, inclusive, é uma das maiores armas do time, com o artilheiro Hamilton na referência.

Chegada dos laterais no apoio (Imagem: Futebol Amazonense)

Em 15 jogos disputados, o Gavião Real tem justamente 15 gols marcados, com média de um a cada 90 minutos.

COMO DEFENDE

Quando o adversário tem a bola, a tendência é que o Manaus se poste no 4-3-2-1, buscando fechar os espaços tanto no “funil” como pelos lados do campo.

Postura defensiva do Gavião (Imagem: Futebol Amazonense)

Um ponto negativo para a equipe de Luizinho é a lentidão na transição defensiva, como foi visto no gol sofrido ante o Ferroviário-CE, há duas rodadas.

Vacilo defensivo dos amazonenses (Imagem: DAZN)

Em números, a defesa Esmeraldina sofreu 14 gols nas 15 partidas, com um gol de saldo, um dos piores do Grupo A, à frente apenas de Treze (-1), Jacuipense (-3) e Imperatriz (-40).

PRA FICAR DE OLHO


Hamilton ( ATA) – O maior goleador da história do clube, tricampeão amazonense e uma das principais figuras do elenco. Usando a camisa esmeraldina nesta série C, Hamilton é o artilheiro do Manaus e marcou seis gols nos seis últimos jogos.

Rossini ( ATA ) – O experiente camisa 10 do Gavião do Norte, neste ano jogou poucas partidas devido a lesões, mas volta à titularidade contra o Santa. Rossini tem uma bela historia no Manaus: foi campeão da copa Verde em 2018 e avançou de fase na Copa do Brasil de 2020 ao eliminar o Coritiba fazendo o gol da vitória.

Quem Fica fora: Jonathan e Daniel Costa (lesão); Ramon (suspenso).

Foto: Ismael Monteiro / Manaus FC

Náutico na Série B: como joga taticamente o CRB

Por: Mateus Schuler e Taynã Melo*

De página virada. Vivendo semana altamente conturbada, o Náutico entra em campo diante do CRB na tentativa de mudar de rumo na Série B do Campeonato Brasileiro e ficar perto de sair do Z-4. A partida, que marca a estreia de Hélio dos Anjos, acontece neste sábado (21) – às 19h – no Rei Pelé, em Maceió, pela 22ª rodada.

Nesta análise, o Pernambutático separa para a torcida alvirrubra tudo sobre o próximo adversário na Segundona: provável escalação, jogadores para ficar de olho do Galo da Pajuçara e muito mais.

Ramon Menezes deve escalar a equipe num 4-2-1-3 com manutenção da base titular (Feito no TacticalPad)

Para o confronto, Ramon Menezes não poderá contar com o volante Carlos Jatobá e o atacante Ramon, expulsos frente ao Rubrão, tal como o atacante Daniel Amorim, com lesão na coxa. Em contrapartida, o zagueiro Reginaldo Júnior e o atacante Pablo Dyego estão recuperados de contusão, bem como o volante Thiaguinho e o meia Diego Torres, retornando de suspensão, ficam à disposição.

COMO ATACA

Agudo ofensivamente, o ataque regatiano tem seus pontas como principal arma e o meia armador dando suporte na transição, porém tem deixado a desejar. Foram 24 gols marcados na competição, sendo 1/3 desses do ex-atacante Léo Gamalho, o que vem fazendo o time ficar irregular durante a Segundona.

Regatianos chegam a atacar com mais de cinco jogadores (Imagem: Premiere)

O argentino Diego Torres é quem mais participou de gols do atual elenco do Galo. Ele esteve presente em sete desse total, marcando três tentos e dando quatro assistências, além de ser responsável por criar as jogadas ofensivas; dos 21 jogos disputados pela equipe, Diego esteve presente em 20, o que reforça sua importância ao elenco.

Trio ofensivo do Galo costuma povoar a pequena área adversária (Imagem: Premiere)

Apesar de atacar com os três homens de frente, os alagoanos pecam ao não saberem concluir os lances no último terço do campo. Por muitas vezes, no entanto, a marcação adversária fecha os espaços e o CRB coloca alguém na sobra para tentar surpreender. Foi o que aconteceu diante do Oeste, quando Claudinei fez o gol chutando de fora da área aproveitando o espaço cedido pela defesa.

COMO DEFENDE

Defensivamente, os alvirrubros da Pajuçara se fecham com uma linha de 4 e a segunda linha é variável, por vezes com outros quatro jogadores, em outras com cinco. Ainda assim, não há consistência no setor, pois a equipe possui a sexta pior defesa da Segundona com 25 gols sofridos; desses, sete foram nos últimos cinco jogos.

Alagoanos têm se defendido com duas linhas de 4 para evitar infiltrações (Imagem: Premiere)

O principal ponto fraco é a bola aérea, principalmente em escanteios. A zaga marca a bola e deixam espaços dentro da pequena área, dando liberdade ao time adversário de fazer jogadas infiltradas e, por vezes, ensaiadas. Foi assim que saiu o gol do Oeste, pior ataque da competição, na estreia de Ramon Menezes.

Bola parada vem sendo um calo para o Galo da Pajuçara na Segundona (Imagem: Premiere)

PRA FICAR DE OLHO

Victor Souza (GOL) – Regularidade e importantes defesas que ajudam o CRB a obter a pontuação atual. Ainda nas derrotas, o goleiro consegue se destacar por evitar maiores desvantagens e manter saldo de gols equilibrado na Série B.

Diego Torres (MEI) – Cérebro da equipe. Camisa 10 que domina o meio de campo, com movimentação por toda a faixa central para armar cruzamentos ou bolas aos atacantes em lançamentos, sendo responsável por quatro assistências na competição.

Luidy (ATA) – Com velocidade pelo lado esquerdo do campo, descongestiona o meio e atua como escape para o CRB atacar. Em alguns momentos por sua verticalidade, outros pela tabela com Igor Cariús, resultantes em cruzamentos na direção da área ou agudas finalizações.

Créditos da foto principal: Divulgação/CRB

*Taynã Melo é jornalista independente e colaborou com o Pernambutático

Sem reação: Sport não sabe o que é vencer de virada há exatamente um ano

Por: Vinícius Barros

A data: 20 de novembro de 2019, tempo tão remoto quanto o contato da torcida com os estádios e em que a palavra Corona só se lia em rótulos de cerveja. É dessa época, que hoje parece tão distante, a última vitória de virada do Sport. A ocasião não poderia ser melhor, o jogo do acesso diante da Ponte Preta, numa Ilha do Retiro praticamente lotada, cena rara atualmente devido aos reflexos da pandemia.

Naquela penúltima rodada da Segundona, com a vitória suada, o Leão subia para Série A, o gramado era invadido e a jornada de um ano sem uma “remontada” começava.

Na ocasião, a Macaca abriu o placar com Roger aproveitando o cochilo da marcação rubro-negra e mandando para as redes. O time da Ilha foi buscar o resultado que precisava e virou, com dois de Guilherme. No primeiro deles, o atacante iniciou e finalizou a jogada do gol de empate.

Guilherme marcou duas vezes contra a Ponte (Imagem: Premiere)

De lá para cá, foram 44 jogos sem sequer uma virada, 21 deles na atual primeira divisão, quando essa ferida da equipe está ainda mais escancarada após cinco derrotas nas últimas oito partidas, nas quais a falta do poder de reação leonino foi determinante para o resultado final.

A SAGA EM NÚMEROS

Nesses 44 duelos (14 triunfos, 15 empates e 15 reveses), o Sport só venceu quando abriu o placar. Nas 16 vezes em que o marcador foi inaugurado pelo adversário, em 13 delas o Leão saiu derrotado, o equivalente a 81,25%. E em apenas três conseguiu igualar o placar (América-RN e Vitória-BA na Copa do Nordeste e Atlético-GO no Brasileirão 2020).

A maior decepção neste recorte talvez seja a derrota para o Ceará, no Castelão, pelo Regional, quando os pernambucanos abriram o placar num lindo gol de Marquinhos, mas Hernane Brocador perdeu um pênalti e o Vozão virou para 2 x 1.

Marquinhos fez um golaço (Imagem: Live FC)

Os demais empates ocorreram em partidas que o time começava ganhando e cedia o gol ou em confrontos terminados em 0x0.

Além de não conseguir viradas há exatamente um ano, o rubro-negro tomou duas nesse período, para Ceará e Salgueiro no Cornélio de Barros. Essa realidade expõe o fraco poder de reação do elenco e a constante apatia que se instala sempre que a rede balança a favor do rival. Das 16 vezes que não reagiu após largar atrás, dez foram nesta Série A. O dado preocupa, pois praticamente sentencia o time da Praça da Bandeira a começar ganhando seus confrontos; caso contrário, o tropeço vem.

Coincidentemente, o próximo adversário será o Atlético-GO, mesma equipe contra quem os leoninos abriram essa saga de 44, em confronto pela última rodada da Série B de 2019.

Créditos da foto principal: Anderson Stevens/Sport

*Vinícius Barros é jornalista e produziu este material especialmente para o Pernambutático

O gás que faltava: o que esperar de Hélio dos Anjos no Náutico

Por: Mateus Schuler

O Náutico precisava de novo gás no comando para voar na Série B e parece ter encontrado: Hélio dos Anjos. A derrota frente ao Sampaio Corrêa foi, de fato, o último ato de Gilson Kleina, que acabou sendo demitido e substituído por Hélio. O novo comandante já é conhecido do Timbu, pois chega para sua terceira passagem; antes, comandou em 1993, sem sucesso, e em 2006, quando conquistou o acesso à Série A.

Nesta análise, o Pernambutático busca dissecar os trabalhos mais recentes e contar um pouco da história do técnico. Tudo sobre as táticas utilizadas, quais os clubes onde passou, como ataca, como defende e como pode montar os alvirrubros para a continuidade da Série B.

Quem é Hélio dos Anjos?

Treinador desde 1985, quando iniciou a carreira no Joinville, o ex-goleiro é um dos mais experientes no futebol brasileiro ainda em atividade. Seu nome está marcado na história do Goiás, sendo o comandante por seis oportunidades e mais de 300 jogos, além de ascensões à elite e, na última vez, evitou a queda à Série C.

Deixou o Esmeraldino no início da Segundona de 2018 e passou um ano sem trabalhar, retornando em 2019 para comandar o Paysandu, último time antes do Timbu. Por ironia do destino, se encontraram na partida que recolocou os pernambucanos na atual divisão; na ocasião, Hélio criticou a arbitragem de Leandro Vuaden, alegando um possível benefício à comissão técnica da sua – agora – equipe.

Goiás 2009

Em 2009, sob o comando dos goianos, terminou a Série A na 9ª posição, com 55 pontos, garantindo a vaga na Copa Sul-Americana. Em um 3-6-1 ousado e inteligente, que variava entre 3-5-2 e 3-4-2-1, conseguiu ter encaixe tanto na marcação, como no ataque. Iarley ajudava na criação de jogadas, com o – falecido – Fernandão e Felipe, ex-Náutico, à frente; às vezes, o ex-atacante do Internacional recuava e o ex-Timbu era a peça da referência.

Disposição tática dos goianos em 2009 (Feito no Tactical Pad)

Quando Felipe foi ausência, Hélio optou por promover a entrada de Léo Lima, ganhando no meio-campo e sem perder a característica proposta para a equipe. Os alas, Vítor e Júlio César, eram armas do time, sendo destaques na Sul-Americana, quando o Esmeraldino terminou como vice-campeão e boa parte da base foi usada com o comandante.

Goiás 2017-18

Como Hélio montou o time em 2017/2018 (Feito no Tactical Pad)

Oito anos depois, voltou ao Verdão para tentar salvar do rebaixamento à C e obteve êxito. Foram 14 duelos disputados, com cinco vitórias, cinco empates e quatro derrotas, o suficiente para evitar o descenso. Em 2018, porém, não teve a mesma constância, mesmo sendo campeão do Estadual, e acabou saindo no início da Série B.

Alviverdes cederam espaços na marcação individual no 4-2-3-1 (Imagem: SporTV)

Taticamente, a equipe tinha alternâncias defensivas, contudo as peças não mostraram solidez e fragilidades eram expostas frequentemente. Na partida que culminou na sua saída do comando, em clássico diante do Vila Nova, os goianos variaram entre o 4-2-3-1 e o 4-1-4-1 ao se fecharem, mas cedendo espaços na entrelinha e na marcação individual.

No 4-1-4-1, Esmeraldino deu espaços entrelinhas para infiltrações do rival (Imagem: SporTV)

A tática-base mais usada ofensivamente foi o 4-2-1-3, com os pontas indo à linha de fundo e ficando mais próximos do centroavante. O armador, por sua vez, ficou mais isolado, tendo responsabilidade de fazer a ligação do meio ao ataque, ficando distante para ajudar seus companheiros de setor ofensivo.

Laterais chegavam para ajudar no ataque na ausência do armador (Imagem: SporTV)

Com essa base praticamente padronizada, cabia ao articulador ajudar mais o centroavante na transição defensiva, enquanto os jogadores das beiradas ficavam na faixa central. Assim, aconteceu de Hélio fechar o time no 4-4-2, o que Gilson Kleina chegou a implementar no Timbu, porém sem muito êxito.

Linhas defensivas do Goiás eram espaçadas e, por vezes, desordenadas (Imagem: Premiere)

Paysandu 2019-20

Formação do Papão em 2019 (Feito no Tactical Pad)

No Paysandu, chegou durante a Série C e terminou invicto, mas sem alcançar o principal objetivo: o acesso à Série B. Apresentando variações semelhantes ao Goiás, o Papão teve mais problemas ao construir e, principalmente, com a conclusão de jogadas; por vezes, apostou em um 4-2-4 com os laterais caindo como pontas e os meio-campistas agudos na armação.

Papão tentou ser mais ofensivo na ida das quartas de 2019 (Imagem: DAZN)

Defensivamente, a equipe de Hélio dos Anjos se postava no 4-2-3-1, porém as faixas centrais eram distantes e ajudavam os adversários a povoarem o setor. Na ida das quartas de 2019, frente ao Náutico, buscou se fechar com essa postura para tentar anular o ataque alvirrubro e até obteve sucesso, no entanto não foi eficaz nos contra-ataques.

Bicolor se fechou no 4-2-3-1 para anular poder ofensivo dos pernambucanos (Imagem: DAZN)

Em 2020, deixou o Bicolor de maneira conturbada, acumulando duas vitórias, um empate e três derrotas em seis compromissos pela Série C. O único jogo que não ganhou, mas também não perdeu, foi na estreia diante do Santa Cruz; na oportunidade, usou o mesmo 4-2-3-1 de outrora, só que dessa vez ao atacar e sem utilizar os laterais.

Hélio tentou o 4-2-3-1 ao atacar, com Nicolas isolado na referência, mas não teve sucesso (Imagem: DAZN)

Já contra o Treze, em um dos triunfos, optou por uma postura mais cautelosa e viu a alternativa vingar. No 4-3-2-1, que Kleina chegou a implementar, teve mais proteção nas jogadas de velocidade dos paraibanos e fechou melhor a defesa, além de contra-atacar com mais dinâmica e confundir o adversário na transição ofensiva.

Papão não conseguiu mostrar regularidade com Hélio na Série C (Imagem: DAZN)

Náutico 2020

Ciente da necessidade de corrigir erros em todos os setores, Hélio pode já promover mudança no gol. Apesar de Halls ter começado os últimos dois jogos, Jefferson foi seu algoz na temporada passada e esse conhecimento é um ponto positivo ao goleiro alvirrubro.

Nas laterais, Bryan deve ser mantido pela direita, pois Hereda vem sendo alvo de críticas e Yago Rocha sofreu lesão no ombro, sendo desfalque até o final da Segundona; na esquerda, Wilian Simões tem mostrado mais regularidade que Kevyn, mesmo criticado. Na zaga, Camutanga e Ronaldo Alves deverão seguir juntos, mas Rafael Ribeiro e Carlão correm por fora para atuar junto a Ronaldo.

No meio-campo, a única certeza espera-se que seja a permanência de Rhaldney na cabeça de área. Um dos destaques do Timbu na competição, o prata da casa ainda não tem companheiro definido, já que Jhonnatan – que vinha bem – perdeu vaga para Bustamante estrear; o boliviano até rendeu bem, entretanto o antigo titular deve retornar.

Possível time do Náutico com Hélio (Feito no Tactical Pad)

Na armação, Jean Carlos é um velho conhecido do comandante, uma vez que trabalharam juntos no Goiás, em 2017. Jorge Henrique, Dudu e Ruy ficam na disputa pela outra vaga, cabendo a este último marcar o gol de honra na partida contra o Sampaio Corrêa; Jorge é quem vinha atuando no setor, mas não tem presença confirmada.

O ataque, curiosamente, é o único a não sofrer alterações em relação aos 11 do último duelo. Kieza, que vinha sendo cobrado por não balançar as redes ao longo do ano, vem se consolidando entre os iniciais por marcar os gols; já Vinícius, contratado por indicação do último técnico, chegou há menos tempo, todavia tem atuações regulares.

Referências:

Quem é Hélio dos Anjos? Análise do novo treinador do Paysandu: https://torotatico.blogspot.com/2019/05/quem-e-helio-dos-anjos-analise-sobre-o.html


Oito sobreviventes e um mesmo sonho: o acesso à Série B: https://mwfutebol.com.br/2019/08/31/oito-sobreviventes-e-um-mesmo-sonho-o-acesso-a-serie-b-previa-mata-mata-serie-c