Salgueiro na Copa do Nordeste: como joga taticamente o Ceará

Por: Felipe Holanda

A esperança é a última que morre. Único pernambucano vivo na Copa do Nordeste, o Salgueiro faz confronto decisivo com o Ceará neste sábado às 16h, no Castelão, em Fortaleza, pela última rodada da fase de grupos. Para sonhar com o mata-mata da Lampions, os sertanejos precisam da vitória.

Já classificado, o Vozão mira a liderança da chave e não deve facilitar. Separamos tudo sobre o próximo adversário do Carcará, com principais movimentações táticas, números, e muito mais do alvinegro cearense.

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Na escalação, Guto Ferreira tem algumas baixas, casos dos atacantes Jael e Jacaré. O primeiro é dúvida, com um estiramento na coxa. Já o segundo é desfalque certo. As ausências entretanto, não impedem que Guto mantenha a base tática, explorando um 4-2-3-1; Fernando Sobral e Yony Gonzalez, voltando de isolamento por Covid-19, também não jogam.

Provável formação inicial da equipe de Guto (Feito no Tactical Pad)

COMO ATACA

Profundidade. Com passes diretos e poucos toques na bola, o Ceará é dono de um gos melhores ataques do Nordestão, com 11 gols – apenas o Bahia, com 14, tem mais. Tendo Vina às costas de Kléber na referência, a tendência é utilizar triangulações curtas e movimentações para puxar a marcação rival. Lima, com mais frequência, ou Mendoza, que vem alternando, caem pela direita.

Vina, o portador da bola, quase marca contra o Sport (Imagem: Nordeste FC)

Potencialmente, a equipe de Guto de Ferreira sabe dar amplitude funcional, com os laterais sendo participativos. Dessa forma, costuma explorar bem as jogadas aéreas, tendo e Kléber e os zagueiros como principais preocupações para o Salgueiro de e Daniel Neri.

COMO DEFENDE

Outro ponto positivo, além do ataque, o sistema defensivo. O Ceará é dono defesa menos vazada com três gols sofridos e conta com bons valores individuais, caso do recém-chegado Messias. Quando atacado, o Vozão tende a utilizar um 4-4-2 de linhas bem compactas para dificultar a troca de passes. Costuma ser efetivo.

Formando duas linhas de quatro, por outro lado, os volantes dão o primeiro combate visando o desarme, enquanto Vina fica mais à frente, ao lado do centroavante. Assim, acaba dando espaços entrelinhas, e os meias adversários ganhando liberdade para iniciar a construção. É um dos pontos fracos do alvinegro cearense.

Posicionamento defensivo, mas com espaços (Imagem: Nordeste FC)

PARA FICAR DE OLHO

Messias (ZAG): Com características modernas, o zagueiro chegou ao Ceará após ótima temporada no América-MG. Messias costuma ser eficiente na marcação, seja por baixo por ou cima, além de levar perigo ao adversários, principalmente em cobranças de escanteio.

Vina (MEI): Um dos destaques do último Brasileirão, Vina ainda busca o melhor futebol na atual temporada. Mas é a principal referência técnica do elenco, com capacidade para criar jogadas e também poder de finalização. Além disso, é o homem de Guto Ferreira nas bolas paradas.

Mendoza (PD/PE): O colombiano é outro que chegou na atual temporada e só acrescentou ao elenco. Veio do Amiens, da França, para ser um dos destaques do alvinegro, tendo velocidade e finalização como principais armas. Acumula dois gols e uma assistência pela Lampions.

Créditos da foto principal: Felipe Santos/Ceará

120 razões para acreditar: análise Salgueiro 2 x 3 Náutico

Por: Guilherme Batista

O Náutico confirmou o favoritismo Campeonato Pernambucano. No aniversário de 120 anos, venceu o Salgueiro por 3 x 2 nesta quarta-feira (7), no Cornélio de Barros, manteve os 100% de aproveitamento após cinco rodadas do Estadual, e deu razões de sobra para torcedor alvirrubro acreditar no título.

Tanto Daniel Neri quanto Hélio dos Anjos optaram pela manutenção dos esquemas táticos utilizados nesse início de temporada. A equipe sertaneja entrou postada no 4-3-3, com três volantes formando a trinca do meio e com Richard ganhando a vaga de Leozão na zaga.

Já o Náutico, aniversariante do dia, manteve o 4-2-3-1, com Rhaldney e Djavan formando a dupla de volantes, e quarteto à frente com Jean Carlos, Vinicius, Kieza e Erick, dando variação tática e transformando o 4-2-3-1 em um 4-3-3 quando necessário.

Distribuição tática do Timbu. (Feito no TacticalPad)

Com a bola rolando, o jogo começou extremamente truncado, com muitos erros de passe e as duas equipes esbarrando em bons sistemas defensivos. Enquanto o Carcará povoava o meio, alternando entre um 4-1-4-1 e um 4-2-3-1 na fase defensiva, o Timbu optava por subir as linhas e pressionar a saída de bola da equipe sertaneja.

A primeira boa oportunidade veio aos 21 minutos, quando Jean Carlos acionou Vinicius nas costas da defensiva sertaneja, o camisa 11 escorou de cabeça para Kieza cabecear com perigo. Três minutos, Ronaldo Alves descolou belo lançamento para Vinicius, que fez boa jogada individual, levou para a linha de fundo e tocou voltando. Jean Carlos dividiu com dois defensores sertanejos e a bola sobrou para Erick, livre de marcação, abrir o placar.

Posicionamento ofensivo do Náutico no momento do primeiro gol. (Imagem: SporTV/Premiere)

Aos 27, após bola rifada da defesa alvirrubra, Lucas, goleiro do Carcará, saiu de forma completamente atrapalhada, afastou mal e a bola se ofereceu para Erick finalizar para o fundo da rede, ampliando o marcador para o aniversariante. Com a vantagem no placar, o Timbu baixou um pouco as linhas e permitiu que o Carcará saísse um pouco mais.

Assim, Ciel criou as únicas boas chances do atual campeão pernambucano. A primeira foi de cabeça, após cobrança de escanteio aos 41 minutos. A segunda foi um deja-vu. O camisa 99 recebeu a bola no círculo central e arriscou outra finalização de longa distância, tentando repetir o golaço que marcou contra o CRB. Dessa vez, no entanto, o goleiro rival estava atento e evitou o gol.

Alternando a postura, Carcará se comportou num 4-2-3-1, com Ciel à frente das linhas. (Imagem: SporTV/Premiere)

No início da etapa complementar, Daniel Neri perdeu Moreilândia por lesão muscular, mas o mister não pensou duas vezes em mandar o time pra cima ao acionar Aruá para entrar no lugar do camisa 7. À frente, um trio ofensivo começou a incomodar, de fato, os alvirrubros.

Tridente ofensivo do Carcará (Imagem: Sportv/Premiere)

Com uma postura mais agressiva e subindo as linhas para dificultar a saída do Náutico, o Carcará por muito pouco não diminuiu aos 12. Felipe Baiano roubou a bola e rolou para Ciel, livre de marcação e dentro da área, pegar muito mal e isolar a melhor chance do Salgueiro até então.

A resposta alvirrubra veio com Erick, após cortar a marcação de Alan e finalizar para boa defesa de Lucas. Porém a mudança de postura do Carcará foi premiada aos 24 minutos da etapa complementar. Felipe Baiano encontrou bom passe rasgando a defensiva alvirrubra e Tarcísio tocou na saída de Alex Alves, diminuindo o placar.

Percebendo a superioridade do Carcará e tentando corrigir a postura defensiva do Náutico, Hélio dos Anjos sacou Erick e Rafinha para colocar Bryan e Wagner. O que o treinador alvirrubro não contava era que o empate do Salgueiro viria logo em seguida.

Após Héricles brigar pela bola contra três defensores alvirrubros, a pelota sobrou para Felipe Baiano encher o pé e marcar o segundo tento sertanejo. Aos 31, Kieza foi lançando entre os dois zagueiros do Salgueiro e acabou sendo derrubado dentro da área. Pênalti que o próprio K9 bateu para recolocar o Timbu em vantagem na partida.

Quando a partida se encaminhava para a reta final, Camutanga foi traído pelo quique da bola e cometeu falta em Ciel. O juiz interpretou que o lance era chance clara e manifesta de gol e expulsou o zagueiro alvirrubro. Quem não ficou nada feliz com a expulsão foi Hélio dos Anjos, que de tanto reclamar, também acabou expulso.

Apesar disso, o Náutico confirmou o favoritismo, venceu a partida e presenteou a torcida no aniversário de 120 anos do clube. Agora o Timbu coloca sua atenção no Retrô, próximo adversário no estadual. Já o Carcará enfrenta o Ceará, no sábado, pela última rodada da fase de grupos da Copa do Nordeste.

Créditos da imagem principal: Tiago Caldas/Náutico

Inércia rubro-negra: análise Afogados 0x0 Sport

Por: Mateus Schuler

No primeiro jogo após a saída de Jair Ventura, o Sport repetiu os erros de outrora. Inerte e com pouca iniciativa, o Leão ficou no empate sem gols ante o Afogados nesta quarta-feira (7), no Vianão, sendo ultrapassado pelo arquirrival Santa Cruz na tabela do Campeonato Pernambucano, porém não sai do grupo de classificação à fase final.

Com o resultado, os rubro-negros chegam aos mesmos oito pontos do Mais Querido, mas ficam atrás por conta do saldo de gols, ocupando a 3ª posição. O próximo compromisso pelo Estadual é na quarta-feira (14), às 21h30, diante do Vitória na Ilha do Retiro; antes, visita o Treze, no sábado (10), fechando sua participação na Copa do Nordeste às 16h, no Presidente Vargas.

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Sem Jair Ventura, que foi demitido, coube a César Lucena assumir de modo interino o comando. Em relação à escalação que iniciou na goleada sofrida para o Ceará, pelo Nordestão, César optou por não realizar modificações e dar continuidade ao 4-2-3-1, com Thiago Neves responsável pela armação, tendo Neílton e Toró nas beiradas.

Leão teve manutenção da escalação titular do último jogo (Feito no TacticalPad)

COMO FOI

O jogo começou com o Sport sendo mais incisivo nas finalizações, mas sem poder criativo. Ainda assim, fez o Afogados ficar mais retraído em seu campo e se atirou ao campo de ataque, seguindo no 4-2-3-1 de praxe fazendo saída de 3 frequentemente, recuando Betinho ao lado dos zagueiros e dando maior liberdade aos laterais. Como não mostrou criatividade, não conseguiu levar perigo à meta afogadense.

A postura se manteve, assim como os erros de outras oportunidades. Falho no meio-campo, o Leão teve transições – principalmente ofensivas – diretas da defesa, sem conseguir trabalhar para armar. Assim, viu a Coruja passar a crescer e buscar agredir, porém poucas chances foram criadas e Luan Polli não precisou ser tão exigido.

Mesmo pouco agredidos, rubro-negros ficaram compactados na defesa (Imagem: Premiere)

Para a etapa final, César Lucena apostou na manutenção da equipe, com a escalação sendo a inicial. O desempenho seguiu fraco, sem lances criados e pouca presença ofensiva. Para tentar corrigir os erros que prosseguiram em campo, foram promovidas as entradas de Thiago Lopes e Ewerthon, porém a criatividade permaneceu muito baixa.

O que já estava complicado, poderia ter piorado, pois Luan Polli saiu mal do gol e colocou a mão na bola, sendo expulso. Também abaixo na criação, os afogadenses não levaram perigo à meta de Maílson – que entrou na vaga de Thiago Neves – e fizeram o placar não sofrer nenhuma alteração até o apito final.

Enquanto esteve em campo, Thiago Neves tentou municiar trinca ofensiva (Imagem: Premiere)

Crédito da foto principal: Anderson Stevens/Sport

Chiquinho, o mago coral: análise Santa Cruz 4 x 1 Vera Cruz

Por: Felipe Holanda

Põe na conta. Com um gol e três assistências, Chiquinho foi o principal destaque da vitória do Santa Cruz sobre o Vera Cruz nesta quarta-feira (7), no Arruda, pela quinta rodada do Campeonato Pernambucano. Resultado positivo foi crucial para as pretensões tricolores no Estadual.

Na escalação, João Brigatti optou por três volantes. Entre eles, o estreante Derley, que iniciou sua terceira passagem no Arruda. Explorando um 4-3-2-1 flexível ao 4-3-3, tendo Chiquinho flutuando entrelinhas, o Mais Querido teve mais êxito que hesitações e venceu mais uma.

Formação inicial dos tricolores (Feito no Tactical Pad)

COMO FOI

Precisando mostrar serviço após a eliminação no Nordestão, o Santa Cruz iniciou apertando, adiantado a marcação e povoando o meio de campo. Foi o que aconteceu, pelo menos nos primeiros minutos. Com Madson caindo na direita e Chiquinho na esquerda, os donos da casa abriram o placar, em cabeceio do capitão Wiliam Alves após cobrança de escanteio de Chiquinho.

A Cobra era amplamente superior, mas acabou tirando o pé do acelerador. Foi a deixa que o Vera Cruz precisava para reagir e quase chegar ao empate. Teria empatado, inclusive, se a arbitragem tivesse validado um gol legal após chute de Vitinho – a bola bateu no travessão, quicou dentro da meta, e depois saiu.

Insistente, o Galo não se intimidou. Rodando bem a bola, o time de Edson Silva fez Jordan trabalhar. O arqueiro coral fez defesas memoráveis e evitou o pior. Postado no 4-3-2-1, o Mais Querido não conseguia se encontrar em campo e via o adversário crescer cada vez mais.

Tricolor se compactando na defesa (Imagem: Premiere)

Em resposta, João Brigatti voltou a adiantar a marcação para dificultar a construção ofensiva do Vera. Após contragolpe, Karl lançou Chiquinho em profundidade, mas a marcação reagiu a tempo e conseguiu fazer o corte. No escanteio, quase o segundo.

Voltando com Marcel para a etapa final, Madson passou a cair pela esquerda, tendo o prata da casa no lado oposto. Com Pipico fazendo a referência, os corais formavam uma trinca de ataque que quase ocasionou o segundo gol, mas Madson desperdiçou a chance. Na sequência, foi a vez de Chiquinho receber de Pipico e levar muito perigo. O goleiro Igor evitou o gol com a ponta dos dedos.

Triangulação coral no ataque (Imagem: Premiere)

Do outro lado, os comandados de Edson exploravam uma saída de três, com o recuo de Ramires. A resposta veio na mesma moeda. Após cobrança de escanteio, Vitor Leão subiu mais alto que os marcadores e, enfim, venceu Jordan para deixar tudo igual no Arruda.

Pouco depois, o tricolor garantiu o resultado positivo. Mais uma assistência de Chiquinho e mais um gol de Wiliam Alves. E foi daí a pior. Chiquinho deu seu terceiro passe, colocando Eduardo na cara do gol, e ainda fez o quarto, selando o 4 x 1.

Créditos da foto principal: Rafael Melo/Santa Cruz

Aniversariantes e campeãs: análise Sport 1 (2) x 1 (4) Náutico

Por: Felipe Holanda e Mateus Schuler

Após 14 anos, o Náutico está de volta ao topo do futebol feminino em Pernambuco. Num clássico quente diante do Sport, que terminou empatado em 1 x 1 no tempo normal, as alvirrubras venceram nos pênaltis nesta quarta-feira (7), no aniversário do clube, sagrando-se campeãs estaduais.

A atuação coroa um campeonato impecável das comandadas Jera Neto, com 35 tentos assinalados e apenas seis sofridos. Além disso, o o Timbu contou com um dos maiores destaques do Estadual: a artilheira Nadine, que balançou as redes 15 vezes, uma a mais que a rubro-negra Thays, com 14.

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Taticamente, as leoninas formavam um 4-3-3 como base, tendo velocidade para chegar à zona de arremate com poucos toques na bola. Do outro lado, as alvirrubras respondiam no 4-4-2 com variações frequentes para o 5-4-1, também apresentando agilidade nas transições.

Formações iniciais de Sport e Náutico (Feito no Tactical Pad)

COMO FOI

Em ritmo de final, as duas equipes começaram a 1000km/h, sendo bastante intensas e indo ao ataque. Antes mesmo do primeiro minuto, o Sport teve a primeira chance quando a artilheira Thays tabelou com Ísis e saiu de frente para Keka, mas a arqueira fez boa intervenção no arremate.

Leoas no ataque inicial (Imagem: MyCujoo)

O Náutico não se assustou e também foi para cima, criando sua oportunidade pouco depois. Postado alternando entre o 4-4-2 – mais frequente – e o 4-3-3, o Timbu ficou perto de abrir o placar também com Nadine, sua goleadora, que disparou em velocidade e parou em defesa de Raíssa.

Boa investida das alvirrubras (Imagem: MyCujoo)

A partida seguiu bastante equilibrada, com os dois lados buscando seguirem com boa presença ofensiva, porém pouco foram criativas. Menos inseguras, as meninas do Timbu trabalharam melhor a bola para sair em vantagem, no entanto não foram efetivas.

Na etapa final, Keila Felício voltou com uma mudança para melhorar a produtividade ofensiva. Géssica, que pouco contribuiu inclusive taticamente, abriu espaço para a entrada de Esterfany, um dos destaques das leoninas no Brasileiro Sub-18.

A primeira boa chance veio justamente dos pés da atacante, que chutou cruzado da esquerda e Keka fez boa defesa. Na sobra, Negona tentou completar e a bola foi na mão de uma das defensoras. Pênalti. Amanda Leite bateu forte, mas a goleira alvirrubra defendeu; o rebote foi completado pela mesma Amanda, que tocou para o gol.

Atrás no placar, as alvirrubras precisavam reagir para não ver o título escapar pelas mãos. Explorando uma trinca ofensiva, o Náutico começou a construir os caminhos para o empate, que veio com Débora após Nadine não conseguir mandar às redes.

Investida de ataque do Timbu (Imagem: MyCujoo)

Após a expulsão de Amanda Leita, as meninas da Rosa e Silva cresceram de vez no jogo. Podiam, inclusive, ter virado a peleja, mas a decisão do campeão ficou para os pênaltis. Nas cobranças, a precisão alvirrubra foi maior e o título veio. Um belo presente de aniversário à torcida vermelha e branca.

Créditos da foto principal: Fernanda Acioly/Náutico